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Torcida do Palmeiras vai do ufanismo à turma do amendoim ao assistir derrota no Allianz

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Colaborador do Torcedores

Palmeiras

O clima era todo favorável para uma grande festa, mas o caldo começou a azedar logo no começo da noite. O Palmeiras abriu as portas da sua casa para receber milhares de torcedores dispostos a pagar no mínimo R$ 70 para assistir por um telão o confronto contra o Barcelona-EQU, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. O Torcedores.com acompanhou o evento e conta como foi.

Os mais pessimistas já reclamavam na entrada no Allianz Parque que a ausência do venezuelano Alejandro Guerra seria fundamental para o fracasso do Palmeiras no Equador. A movimentação ainda era tímida para o evento na casa alviverde, mas as reclamações ecoavam no anfiteatro do estádio – a estimativa do clube é que 2000 pessoas foram ao estádio.

“Sem o Guerra eu não sei, não… O time deles é chato demais”, dizia um torcedor para outro, tentando se aquecer com um copo de cerveja nas mãos (com álcool, liberada para o evento). O nome dele é, curiosamente, Alejandro. Se fosse Guerra ficaria estranho, mas era López. Chileno, não venezuelano, mas palmeirense de coração. “Vim para o Brasil com 6 anos de idade com o meu pai, que torce para o Colo-Colo. De cara conheci o futebol brasileiro por meio do Palmeiras e me apaixonei”, explica.

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SINTA COMO ESTAVA O CLIMA NO ALLIANZ PARQUE!

A corneta, portanto, também é fácil de explicar. Os primeiros jogos que assistiu do Verdão no antigo Palestra era no setor das cadeiras numeradas cobertas, famoso por ter sido apelidado por Luis Felipe Scolari como “Turma do Amendoim”. “Eu era garoto nessa época, devia ter uns 11 ou 12 anos quando fomos campeões da Libertadores em 1999, mas lembro bem daquela emoção e das brincadeiras do Felipão. E, sim, posso me considerar um corneta de carteirinha. Mas é por amor. Quem ama, cuida e critica quando necessário”, brinca o torcedor.

A TORCIDA NÃO PARAVA DE CANTAR!

E não é que Alejandro estava certo? O Palmeiras até que começou o jogo bem, fez um primeiro tempo aguerrido e não deu muitos espaços para o Barcelona de Guayaquil. Poderia, ainda, ter aberto o marcador com Willian, que chutou uma bola que passou muito perto da trave direita do goleiro equatoriano. Mas foi só. Na volta do segundo tempo, o que se viu foi um time perdido em campo e que cedeu à pressão dos mandantes muito facilmente.

NO INTERVALO, A BANDA VIVA NOITE ESQUENTOU O CLIMA NO ALLIANZ PARQUE

“Eu não sei o que está acontecendo. O Cuca escalou o time muito mal, de novo”, fez questão de frisar Roberta Andrade, torcedora que acompanhava a partida com o seu namorado no deck montado pela WTorre e Palmeiras, bem próximo ao telão. “Eu não teria começado o jogo com o Borja, muito menos com o Tchê Tchê e o Juninho nas laterais, não dá. O Cuca está inventando muito”, opinou.

Aos 46 minutos, quase 47, o golpe avassalador. Chute despretensioso de Alvez, a bola desvia em Bruno Henrique, depois levemente em Thiago Santos, antes de morrer no fundo do gol de Fernando Prass. Clima de velório no Allianz Parque. Os primeiros lamentos só puderam ser ouvidos cerca de 30 segundos depois do baque. “Não é possível, complicar um jogo fácil como esse… Perder de 1 a 0 quando dava para termos ganho o jogo! Parabéns, Cuca!”, extravasou Leandro Nogueira, palmeirense que veio da zona norte de São Paulo para assistir o jogo na casa palmeirense. “A gente trabalha o dia inteiro, atravessa a cidade, passa frio, come mal, paga caro e ainda vê o time ‘ramelar’ dessa forma. É f#$%, viu…”, desabafa.

Outro bastante incomodado era Gerson Marchesi. O torcedor classificou como “vergonhosa” a apresentação no Equador e determinou como “obrigação” a classificação no jogo de volta, no Allianz Parque. “Perder para um timinho como esse é uma vergonha, uma afronta ao torcedor. Isso não é possível. Tanto investimento pra quê? Em agosto aqui tem de golear e classificar com louvor, porque é o mínimo que a gente espera e merece esse ano”, opinou.

VEJA A REAÇÃO DA TORCIDA NO ALLIANZ PARQUE COM O GOL DO BARCELONA

Mas mesmo em meio a um clima tão negativo por conta da derrota, há quem viu algo de positivo. Sarah Alves visitou o Allianz Parque pela primeira vez. Mas seu noivo, Marcelo, agora já tem um novo compromisso para trazê-la novamente em agosto, no jogo de volta contra o Barcelona, já que a amada vive no interior. “Sou natural de Leme e dificilmente consigo estar em São Paulo quando tem jogo do Palmeiras. Mas eu preciso assistir esse jogo da volta e ele vai ter de me trazer, não quero nem saber”, brinca a torcedora.

Muito tímida, porém com sorriso no rosto, Sarah não parava de olhar o estádio. Girava tanto nos próprios calcanhares e quase chegou a cair. “Você me paga se não me trouxer aqui novamente, Marcelo”, intimava a noiva que, apesar da derrota, não titubeou ao sentenciar que, conhecer o Allianz Parque, mesmo de uma forma atípica como essa, era “um dos dias mais felizes da minha vida”.

Foto e Vídeos: Rogério Lagos / Torcedores.com