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Série B: presidente do Paysandu sofre ameaça de morte com arma apontada e renuncia cargo

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Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Atualmente como repórter colaborador no site Torcedores.com.

Crédito: Crédito da foto: Fernando Torres/Paysandu

O presidente do Paysandu, Sérgio Serra, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (6) após ter uma arma apontada na cabeça no último domingo (2), quando passeava em família em um parque de Belém-PA. Dois torcedores o ameaçaram de morte caso o clube for rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro.

Crédito da foto: Reprodução/Facebook

De acordo com a irmã, Cristina Serra, que é jornalista da TV Globo, o episódio abalou a família e a única opção que restou ao agora ex-dirigente foi deixar a presidência do Papão. Ela ainda revelou, em uma postagem no Facebook, o que foi dito a Sérgio no momento da ameaça: “Eu já sei onde tu moras. Se o Paysandu descer pra Série C, eu acabo contigo, com a tua mulher e com esse teu filho maluco”.

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A mulher do ex-mandatário também se chama Cristina e o filho é Gustavo, de 14 anos, que tem autismo.

Sérgio Serra ficou apenas seis meses no cargo e, durante esse tempo, so sue gestão, o Paysandu ganhou o Campeonato Paraense, foi vice-campeão da Copa Verde e chegou nas oitavas de final da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Santos. Porém, na Série B o momento é outro. Após chegar a liderar nas rodadas iniciais, está há oito jogos sem vencer e flerta com a zona de rebaixamento.

Veja abaixo o relato de Cristina Serra na íntegra:

“Meu irmão, Sérgio Serra, acaba de renunciar à presidência do Paysandu Sport Clube (time de futebol do Pará), depois de um episódio traumático que nos abalou a todos. No domingo à noite, ele passeava numa Praça em Belém com a esposa, Cristina (sim, minha xará), e o filho mais velho, Gustavo, de 14 anos, quando dois homens numa moto se aproximaram. Um deles, com o rosto encoberto pela camisa, encostou o revólver no rosto do meu irmão e disse o seguinte: “Eu já sei onde tu moras. Se o Paysandu descer pra série C, eu acabo contigo, com a tua mulher e com esse teu filho maluco”. Detalhe, Gustavo, meu sobrinho, é um adorável adolescente autista, um tesouro que temos em nossa família. Abaladíssimo, meu irmão tomou a única decisão possível numa situação como essa, a renúncia.

Como muitas outras coisas no Brasil, o futebol (com poucas exceções), pra mim, há tempos virou coisa de bandido. Já está a tal ponto contaminado que não há o que reformar, recuperar, restaurar, tamanha a putrefação. E dou ênfase: tal como outras tantas coisas no Brasil. Quando meu irmão informou à família que iria se candidatar à presidência do clube, todos lamentamos. Eu, particularmente, achava um desperdício o Sérgio dedicar o seu talento, sua competência, sua inteligência e seu altruísmo a isso. Mas meu irmão é um idealista, tem um coração de ouro, acredita poder fazer a diferença com seus valores, seu trabalho e sua dedicação. Sou testemunha do quanto trabalhou nestes seis meses, sacrificando o tempo precioso em que poderia estar com a família e sua vida profissional, para se dedicar ao clube que é sua paixão desde a infância. Infelizmente, vejo este caso, que me toca tão de perto, como uma metáfora do Brasil de hoje, em que bandidos nos ameaçam, nos amedrontam, nos tiram a crença de que podemos contribuir para a construção de algo melhor, nos tiram a esperança em dias melhores. Pobre Paysandu, pobre Brasil.”