Sem intenção de voltar ao UFC, Roger Gracie vê pressão em dobro no Gracie Pro

Roger Gracie começa sua despedida do jiu-jitsu. Neste domingo, o recordista de títulos mundiais enfrenta Marcus Buchecha, que no último mês igualou os dez títulos mundiais de Roger, no Rio de Janeiro pelo Gracie Pro, evento idealizado por Kyra Gracie.

Redação Torcedores
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Crédito: Roger Gracie fará revanche contra Marcus Buchecha no Gracie Pro (Foto: Renato Senna/Torcedores.com)

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Roger e Buchecha se enfretaram em 2012 pelo Metamoris, em duelo com regras diferentes do habitual: não houve contagem de pontos, o confronto apenas seria finalizado se um atleta conseguisse finalizar o oponente. Como isso não aconteceu, a luta terminou empatada. No Gracie Pro, o duelo seguirá as regras da IBJJF. Aliás, lutar em um evento com seu sobrenome é uma pressão em dobro para Roger Gracie.

“É uma pressão dobrada! Gracie lutando num evento chamado Gracie Pro… Po***, haja coração (risos)”, brincou o decacampeão mundial de jiu-jitsu, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

O confronto contra Buchecha marca a volta de Roger Gracie ao Brasil. O atleta não luta no país desde 2006 e se mostra feliz de poder atuar em sua cidade natal novamente.

“Essa volta ao Brasil é espetacular. Estou super feliz de estar voltando ao Rio depois de 11 anos. Estou feliz de lutar não só Rio, mas de lutar no Brasil, nunca mais lutei no Brasil. E de lutar na minha cidade natal, com um evento desse tamanho é uma sensação super especial. Ainda mais chegando aqui e vendo essa atenção da mídia em relação ao jiu-jitsu. É uma coisa que você só vê no MMA e, às vezes, nem isso. Tem eventos de MMA que você não tem essa atenção toda. E ter isso num evento de jiu-jitsu é uma coisa fantástica para a gente”, comemora Roger.

Despedida dos tatames

Dedicado ao MMA, Roger Gracie não luta jiu-jitsu desde 2010. O atleta resolveu fazer uma luta de despedida neste ano, mas explicou que acabou se confundindo e marcou dois duelos para das o adeus aos tatames.

“Meu último campeonato de jiu-jitsu foi em 2010. De lá para cá, eu venho me dedicando bastante ao MMA. Eu não decidi parar de lutar jiu-jitsu em 2010. Todo ano eu falava para mim mesmo: ‘eu vou lutar o Mundial’. Mas aí caía uma luta perto, aí eu falava: ‘no outro ano eu vou’. Ficou ‘no outro ano eu vou, ‘no outro ano eu vou’, passaram-se sete anos. Depois desse tanto tempo, eu queria fazer uma luta de despedida, não queria simplesmente acordar um dia e não lutar jiu-jitsu nunca mais. Eu tinha vontade de lutar ainda, eu ainda sou jovem. O Buchecha está aí ganhando tudo, a gente empatou uns anos atrás, então tinha tudo a ver fazer essa luta com ele. Chegou o momento que, ou era agora, ou não era. Eu já estava visando isso, aumentei minha carga de treino de quimono e a Kyra me ligou, falou que ia organizar tudo contra o Buchecha e eu falei: ‘claro, vamos!’. E aí eu esqueci (risos). A Confederação me ligou, falou que ia ter o GP em agosto e perguntei se eu ia. ‘Então vamos!’. Eu ia fazer uma luta só, mas como não estava acontecendo nada, eu aceitei. Três semanas depois, a Kyra me ligou e perguntou: ‘posso anunciar a luta?’, e eu perguntei: ‘que luta, Kyra?’ (risos). Aí aceitei! Estou mais animado pra lutar aqui do que em Las Vegas”, revela Roger.

Comprometimento com o One FC

Entre 2010 e 2013, Roger Gracie lutou no Strikeforce. Com a incorporação do evento ao UFC, o carioca fez sua estreia no Ultimate em 2013, no UFC 162, que teve como luta principal a vitória chocante de Chris Weidman sobre Anderson Silva. Roger não conseguiu impor seu jogo e acabou dominado por Tim Kennedy, perdendo por decisão unânime para o americano. Após o duelo, o UFC decidiu não renovar o contrato do brasileiro, que seguiu para o One Fighting Championship. Hoje campeão dos médios da organização asiática, Roger não pretende voltar ao Ultimate.

“Eu tenho contrato com o One Championship. Eu tenho várias lutas para fazer com eles. Eu realmente vejo minha carreira encerrando com eles. Vou fazer 36 anos, não pretendo lutar até os 40. Acho que vou até 37, 38, mais ou menos assim. Eu me vejo com o One até o final da minha carreira”, afirma o campeão do peso médio do One FC.

Depois de fazer sua estreia no evento nas Filipinas e de conquistar seu cinturão em Singapura, Roger está próximo de voltar ao Brasil. E não só no Gracie Pro, mas também no One FC. O lutador revelou que a organização está próxima de acertar a realização de um evento no Brasil, em Manaus.

“Tem a chance enorme. Eles até me falaram que estão tentando fazer o evento em Manaus. De repente até o final desse, quem sabe? Estou com os dedos cruzados. Aqui no Brasil, até já comentaram comigo que tendo esse evento, eu vou lutar com certeza.Eu falei: ‘Excelente’!”, revela Roger Gracie.