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Carrossel Caipira: 25 anos do lendário time do Mogi Mirim

Hoje mergulhado em uma crise financeira sem precedentes, o Mogi Mirim era motivo de orgulho para o futebol do interior paulistas há pouco tempo atrás. Há vinte e cinco anos, surgiu a equipe que encantou São Paulo: o Carrossel Caipira.

Willian Ferreira
Colaborador do Torcedores.com e contador de histórias do esporte.

Crédito: Reprodução

Com o péssimo resultado no Paulistão de 1991 (último colocado no Grupo Verde, que reunia os melhores no campeonato do ano anterior), o presidente Wilson Fernandes de Barros radicalizou: reuniu um grupo apenas com jovens jogadores. Alguns das categorias de base do próprio Mogi Mirim, outros contratados de clubes de menor expressão.

Para comandar a garotada, o escolhido foi outro novato: Oswaldo Alvarez, o popular Vadão. Antes preparador físico, ele foi convencido pela diretoria a assumir o comando técnico do Mogi Mirim.

Antes do começo do Paulistão, chamou a atenção o esquema tático utilizado por Alvarez: o 3-5-2. Mal visto após o fracasso do Brasil na Copa de 1990, Vadão não ligou para as críticas. Com o grupo que tinha em mãos, implantou um sistema de jogo com muita velocidade e que nenhum atleta guardava posição.

Os três zagueiros, os alas em linha com os meias e os dois atacantes ainda chocavam muitos. A inspiração era o Carrossel Holandês, que imortalizou o Futebol Total da Holanda na Copa de 1974. A equipe, capitaneada por Rivaldo, Válber e Leto, porém, dava espetáculo a cada partida

Campanhas de destaque

No primeiro semestre de 1992 (naquele ano, o estadual foi no segundo semestre), o Mogi Mirim jogou a Copa 90 Anos de Futebol, organizada pela Federação Paulista com as melhores equipes do interior. Perderdo apenas uma das onze partidas (e vencendo nove), o Sapão foi campeão em cima do Grêmio Sãocarlense.

O Mogi Mirim foi o líder do Grupo B do Paulistão, garantindo uma vaga nos quadrangulares semifinais. O último lugar na fase não desanimou o Sapão. Pelo contrário: foi o começo de uma fase gloriosa.

Vítima de um regulamento confuso, o Mogi Mirim não se classificou para a segunda fase do Paulistão em 1993. Teve o mesmo número de pontos do Guarani (quinto) e do Rio Branco (sexto), onze gols de saldo a mais que o Bugre e foi o time que menos perdeu no Paulistão, empatado com o líder Corinthians. O segundo semestre, porém, foi vitorioso.

O Carrossel Caipira disputou o Torneio João Havelange, tido como um pequeno Rio-São Paulo. Nas semifinais, um empate e uma vitória contra o Corinthians. Na final, uma derrota e uma vitória por 4×0 sobre o Vasco da Gama, com o doído vice-campeonato nos pênaltis. A reputação do Sapão, porém, não parava de crescer.

Havia ainda o Torneio Ricardo Teixeira, disputado entre equipes do Rio de Janeiro e de São Paulo que dava uma vaga na Série B de 1994. Com apenas uma derrota e vencendo o Bangu nas duas partidas finais, o Sapão ficou com a taça.

Time-base

A equipe também tinha grande rotatividade, com alguns poucos nomes titulares absolutos. Relembre os nomes do Carrossel Caipira:

Mauri (Vitor); Polaco (Admílson), Ildo (Marcão) e Luís Carlos; Capone (Ronaldo), Fernando (Luiz Simplício), Lélis (Sandro), Chiquinho (Givanildo) e Válber; Leto e Rivaldo

Outras campanhas

Rebaixado no Paulistão em 1994, o Mogi Mirim voltou à Série A1 logo no ano seguinte – e com o título da A2.

As glórias só voltaram na virada do milênio. Em 2001, o Sapão foi vice-campeão da Série C e subiu para a segunda divisão nacional. O Mogi Mirim caiu novamente em 2004.

Depois de anos na metade de baixo da tabela nos campeonatos em que disputava, o Mogi Mirim voltou forte no início da década de 2010. Em 2012, foi até as quartas-de-final do Paulista e só foi superado pelo Santos de Neymar. Mesmo assim, venceu o Troféu do Interior. Também conquistou o acesso à Série C ao só parar para o CRAC, nas semifinais.

Em 2013, também só foi brecado no Paulistão pelo Santos de Neymar, mas nas semifinais. Na Série C, o Mogi Mirim bateu na trave: quinta colocação – uma antes do acesso.

No ano seguinte, os primeiros indícios de que algo estava errado surgiram. O Mogi Mirim por pouco não caiu para a A2 do Paulistão, escapando da degola na última rodada. Na Série C, porém, conseguiu o acesso: perdeu a semifinal para o Paysandu.

Para o Mogi Mirim, o desastre começou no segundo semestre de 2015, com o novo rebaixamento à Série C. Em 2016, caiu para a A2 do Paulistão novamente e por pouco não foi rebaixado também no campeonato nacional. Em 2017, foi para a A3 estadual e amarga uma crise econômica sem precedentes.

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