Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Derrocada do Mogi Mirim começou após pentacampeão mundial assumir clube

A fase do Mogi Mirim atualmente nem de longe lembra os momentos de glória do “Carrossel Caipira”, que fez história nos anos 90. No último sábado, o clube chegou a  perder de WO para o Ypiranga, pela 14ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, porque os jogadores se recusaram a entrar em campo sem receber os salários atrasados. Apesar de atingir seu ápice só agora, a crise no clube do interior paulista começou há alguns anos.

Danielle Barbosa
Jornalista. Escrevendo para o Torcedores desde 2014.

Crédito: Rivaldo presidente e "Rivaldo" jogador, lado a lado, no Mogi Mirim. Foto: Divulgação

Foto: Marcelo Gotti / Mogi Mirim

Em entrevista recente ao Globoesporte.com, o presidente do Mogi, Luiz Henrique de Oliveira, disse que a má administração do clube começou com a chegada do pentacampeão mundial Rivaldo ao comando do clube. “Esse clube é inviável desde 2008. Quando o Rivaldo assumiu, já tinha um déficit de 1,7 milhão de reais. Eu consegui reduzir esse déficit, pelos últimos dois balanços. Mesmo assim, a gente não conseguiu ter os resultados que esperávamos. O Rivaldo pôde manter o clube, mas custou caríssimo: os CTs do clube, os 14 apartamentos. Eu não fiz isso, não tenho como fazer porque meus recursos são menores. Por mais que tente fazer isso, é acusado de má gestão, de ser ladrão. O clube precisa se reestruturar, ver o que pode fazer para conseguir liquidez e tentar uma sobrevida”, disse.

Rivaldo na presidência:

Rivaldo foi anunciado como presidente do Mogi Mirim em 2008, quando quitou as dívidas do clube com o ex-presidente Wilson de Barros (R$ 1,8 milhão). Na época, ele ainda atuava pelo  Bunyodkor, do Uzbequistão, e por isso, na ausência do jogador, quem comandava o clube era o então presidente do conselho, Hélcio Luiz Adorno.

O ex-jogador seguiu comandando o clube a distância, até 2011, quando retornou ao Brasil para defender a equipe no Paulistão, o que acabou não acontecendo porque foi convidado por Rogério Ceni para vestir a camisa do São Paulo.

Ao desembarcar na equipe do Morumbi, Rivaldo deixou a presidência para seu advogado, Wilson Bonetti, para evitar choque de interesses. Após vestir a camisa do São Paulo, o ex-atacante ainda atuou pelo  Kabuscorp, da Angola, e pelo São Caetano. E a situação segui assim até 2014, quando anunciou seu retorno definitivo ao clube do interior paulista como jogador e presidente.

Rivaldo posa ao lado do filho na Romênia, antes de atacante marcar golaço pela Europa League (Foto: Reporudução/Twitter oficial de Rivaldo)

Rivaldo posa ao lado do filho na Romênia (Foto: Reporudução/Twitter oficial de Rivaldo)

Nessa época, uma situação inusitada marcou a passagem de Rivaldo como presidente do clube. O ex-jogador resolveu colocar sua esposa, Eliza Kaminski Ferreira, como vice-presidente e dois de seus  filhos para ocuparem posições de destaque na composição da diretoria mogimiriana. A filha Thamirys assumiu o cargo de diretora de Finanças do clube, enquanto Rivaldo Junior,  na época com 19 anos e ainda jogador do clube, a condição de presidente do Conselho Deliberativo.

Em 2015, após colecionar uma série de polêmicas, Rivaldo renunciou ao posto de presidente do Sapo, deixando o clube nas mãos dos empresários Luiz Henrique Oliveira e Victor Manuel Simões. Sua esposa e filhos também deixaram os cargos que exerciam no clube.

Rivaldo deixou o clube com um título do interior (2012), uma classificação à semifinal do Campeonato Paulista (2013) e dois acessos que levaram o clube à Série B (2015). Na mesma temporada o Sapão foi rebaixado para a Série C do Brasileirão 2016.

Após o rebaixamento no Brasileiro, a equipe não conseguiu se recuperar mais. O Mogi Mirim foi rebaixado para serie A2 do Paulistão (2016) e lutou contra o rebaixamento para a Série D, quando chegou a perder pontos por escalar um jogador de maneira irregular.

Neste ano, o Sapão foi rebaixado para serie A2 do Paulistão e corre sérios riscos de rebaixamento para a Série D do Brasileirão – Ainda dá! Saiba o que o Mogi Mirim precisa para evitar a queda para a Série D.

Sócios do Mogi Mirim acusam Rivaldo de apropriação:

Foto: Reprodução / Facebook do Mogi Mirim

Em maio deste ano, os três sócios que atualmente presidem o clube,  acusaram Rivaldo de vender o patrimônio do Mogi Mirim e passar dois centros de treinamento para seu próprio nome durante o período em que geriu o clube, entre 2008 e 2015. Eles também também alegaram que o pentacampeão mundial recebeu, em conta particular, uma quantia milionária referente à uma parceria do Mogi Mirim com uma empresa do Uzbequistão.

Rivaldo firmou contrato com a Zeromax GMBH, dona do Bunyodkor, clube em que atuou entre 2008 e 2010, e a companhia se comprometeu a depositar mensalmente a quantia  equivalente a R$ 430 mil, nas contas do Mogi Mirim, porém, segundo reporta o jornal Folha de S. Paulo, os valores caíam diretamente na conta do pentacampeão mundial, que repassava o montante ao clube como empréstimo.

VEJA MAIS:
MOGI MIRIM CAMINHA PARA QUARTO REBAIXAMENTO SEGUIDO
POR DIGNIDADE, MOGI MIRIM PODE COLOCAR EM CAMPO JOGADORES DA BASE PARA TERMINAR A SÉRIE C
MOGI MIRIM CONTA COM APOIO FINANCEIRO DA FPF PARA TERMINAR A SÉRIE C; SAIBA O VALOR