Murer se preocupa com futuro do Brasil no salto com vara: “não chegaram ao alto nível”

Campeã mundial, pan-americana, recordista brasileira e sul-americana, Fabiana Murer é um dos maiores nomes do salto com vara. Agora aposentada, a ex-atleta comentou sobre o futuro da modalidade e mostrou-se um pouco preocupada.

Matheus Chaves Melo
Colaborador do Torcedores

Crédito: Crédito da foto: Wagner Carmo/CBAt

Neste ano, pela primeira vez em uma década o Brasil não teve um representante na prova do salto com vara no Mundial de Atletismo. O campeão olímpico Thiago Braz teve que ser cortado e o país ficou sem representantes na prova. Murer comentou sobre o episódio.

“Teve anos que o salto com vara teve cinco atletas e no penúltimo foram três e agora nenhum. O Thiago, que é um grande atleta, não pôde participar deste Mundial, ele tinha chance de disputar uma medalha. Não é fácil, vemos que a carreira do atleta é difícil, que tem as dificuldades, que existem lesões, que existem problemas que acontecem na temporada. Mas acho que é uma fase de renovação”, disse.

Sobre a modalidade feminina, Fabiana mostrou-se um pouco preocupada, pois segundo ela ainda não há atletas em alto nível.

“No feminino eu fiz um bom resultado, mas ainda não tem atletas que chegaram em um alto nível para poderem continuar levando o salto com vara feminino, mas no masculino a gente tem. E tem atletas novos, meninas novas, que estão treinando com o Elson Miranda, que foi o meu treinador, e são atletas que podem vingar e fazer bons resultados”, afirmou.

Sobre o Thiago Braz, campeão Olímpico em 2016, Fabiana exaltou o potencial dele. “Para o atleta é difícil esse dia a dia. Tem todo o treinamento, a preocupação com a recuperação. O Thiago foi muito bem na Olimpíada e ele é um atleta novo, começou bem o ano em pista coberta, mas em pista aberta a temporada não foi tão boa para ele, mas isso não significa que ele não vá conseguir bons resultados daqui para frente”.

Hoje aposentada, Murer acumula funções em comissões de esporte. Hoje ela trabalha como dirigente no clube B3 de Atletismo, que é onde ela competia. A ex-atleta também faz parte de algumas comissões. Comissão de atletas da Federação Internacional de Atletismo, do Comitê Olímpico e do Conselho Diretor na Confederação.

Formada em fisioterapia, Fabiana abriu um instituto, que é Instituto de Saúde, Prevenção, Ortopedia, Reabilitação e Treinamento. Lá ela trabalha na parte de prevenção em postura.

“Não larguei o esporte, ainda continuo envolvida. Quero continuar no esporte. A experiência que eu tive não pode se perder, ela tem que ser passada”, concluiu Murer.