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PAPO TÁTICO: Por que Neymar pode ser a peça que faltava ao elenco galáctico do Paris Saint-Germain

Duzentos e vinte e dois milhões de euros (ou mais de oitocentos e dez milhões de reais). A transação mais cara da história do futebol. Neymar já fez história ao aceitar a proposta do Paris Saint-Germain para se juntar ao elenco já milionário (e cada vez mais galáctico). A expectativa pela estreia do novo camisa dez é enorme. Espera-se muito de Neymar. Assim como Neymar também espera muito do PSG. Não apenas dinheiro e fama, mas espera ter junto de si um time que o coloque no posto de melhor jogador do mundo. Para tanto, precisará comandar o time francês na conquista da tão sonhada e almejada Liga dos Campeões da UEFA. E isso tudo sem perder o foco na Seleção Brasileira e na Copa do Mundo de 2018. E o novo camisa dez do PSG pode ser a peça que faltava para Unai Emery finalmente formar uma equipe forte para a briga dos principais títulos da temporada. Não só pelo nome e pelo dinheiro envolvido, mas pela qualidade com a bola no pé.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: C. Gavelle / PSG / Fotos Públicas

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Neymar já deixou claro que quer ser protagonista e que não quer ficar na sombra de nenhum outro jogador. Ao mesmo tempo em que cresceu taticamente com Luís Enrique no Barcelona e Tite na Seleção Brasileira, o novo camisa dez do PSG mostrou que tem qualidade para armar o time atrás dos atacantes (vide a campanha na conquista do ouro olímpico em 2016). Uma das primeiras opções (e talvez a mais óbvia) talvez seja a manutenção do 4-2-3-1 preferido de Unai Emery, com a mesma movimentação ofensiva e velocidade que implementou no Sevilla e nos primeiros jogos no PSG. Difícil não imaginar Neymar jogando mais solto, buscando a tabela com Cavani e recebendo o passe qualificado de Draxler, Matuidi e Verratti no meio-campo e com Di María fazendo um trabalho tático importante no meio-campo. Do mesmo modo que é difícil não imaginar o clube parisiense jogando com mais brasileiros no time titular. A troca de posições no quarteto ofensivo deve ser a tônica de uma equipe mais sólida e mais envolvente no ataque com a chegada de Neymar.

Neymar pode jogar atrás do atacante de referência no 4-2-3-1 (esquema preferido de Unai Emery) com liberdade para aparecer em todo o campo e sem muitas obrigações defensivas. Verratti e Matuidi cuidariam da saída de bola com Draxler e Di María pelos lados.

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Mas existem outras opções táticas. Neymar já provou na própria Seleção Brasileira que também tem qualidade e inteligência para jogar como “falso nove” no comando do ataque. Diante disso, também é possível imaginar o camisa 10 jogando na frente num 4-1-4-1 com mais força defensiva e mais voltado para o contra-ataque. Daniel Alves (um dos grandes amigos de Neymar) poderia ate aparecer jogando mais por dentro, chamando a marcação adversária e buscando o passe em profundidade. Mesmo com Cavani e Draxler sacrificados para que o reforço de 222 milhões de euros possa fazer o que sabe no ataque. É realmente uma formação cautelosa e mais voltada para jogos complicados (como os confrontos na casa dos adversários no Campeonato Francês e na própria Liga dos Campeões). Mas a força está no conjunto e na intensidade. Foi com uma formação semelhante que o Paris Saint-Germain aplicou quatro a zero no Barcelona durante a última edição da Champions League. E nem preciso lembrar que Neymar estava em campo pelo time catalão.

Outra opção para Unai Emery é utilizar Neymar como “falso nove” num 4-1-4-1 com Rabiot, Verratti e Matuidi fazendo a trinca de volantes e Cavani (Jesé ou Lucas Moura) voltando pelos lados junto com Draxler. Boa alternativa para jogos mais complicados.

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É bom lembrar que Neymar também pode ser utilizado no lado esquerdo de uma linha de três meias, fechando o seu setor e partindo com a bola dominada para a tabela ou para o chute a gol. Exatamente do mesmo modo que surgiu no Santos. Já citamos a disciplina tática e o senso de equipe adquiridos com Tite e Luís Enrique e o próprio técnico Unai Emery pode entender que o PSG não deve jogar em sua função, e sim que ele deve se encaixar dentro de um sistema já estabelecido. Com o elenco milionário e qualificado que o treinador espanhol tem à sua disposição, não é difícil pensar em formações mais variadas, como Daniel Alves jogando no meio-campo e alinhado com Ben Afra e Neymar, por exemplo. Ou Jesé Rodríguez (ou ainda Lucas Moura) ocupando o lado direito e se juntando ao camisa dez e a Draxler. Ou Di María mais recuado formando uma trinca de volantes com Verratti e Matuidi. Ou Rabiot. Ou Thiago Motta. Como se pode perceber, as opções de Unai Emery são fartas e variadas. Resta saber é se o Paris Saint-Germain vaii finalmente entrar no seleto grupo de gigantes do futebol europeu ou se isso ainda vai demorar mais algum tempo para acontecer.

Neymar também pode utilizar a disciplina tática que ganhou com Tite e Luís Enrique e jogar aberto pela esquerda, mas com liberdade para encostar no ataque. O elenco milionário do PSG permite que Unai Emery possa usar as mais variadas formações.

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A tendência é que Neymar assuma o mesmo papel que o sueco Ibrahimovic assumiu no PSG há alguns anos atrás: o de dono do time. É verdade que o brasileiro terá prestígio e uma certa influência em algumas decisões do treinador Unai Emery. Por outro lado, será ainda mais complicado administrar a pressão por bons resultados com todos os holofotes apontando para o camisa dez. Neymar não tem mais a sombra de Messi perto de si e terá o protagonismo que tanto desejou, embora saiba que será ainda mais cobrado do que nos tempos de Barcelona e de Santos. Como será o relacionamento com a imprensa francesa nos resultados ruins? A obsessão por ser o melhor do mundo também pode ser outro problema a ser superado e administrado. É, de fato, um desafio e tanto para um jogador que sabe o potencial que tem e que quer escrever seu nome na história do futebol de qualquer maneira, seja vencendo a Copa do Mundo ou conquistando a Bola de Ouro.

O alvo não é o Campeonato Francês ou a Copa da França. Neymar veio ao PSG porque os donos do clube querem conquistar a tão sonhada Liga dos Campeões da UEFA. Dificilmente torcida, dirigentes e imprensa vão aceitar menos do que o título. E tudo isso às vésperas do Mundial da Rússia. Taticamente, Neymar se encaixa como uma luva em qualquer time do planeta. O grande desafio é assumir o papel de protagonista e bater de frente com Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Com os dois na casa dos trinta anos, o camisa dez do PSG pode ter o caminho mais liberado para ser o melhor do mundo. Mas só o tempo dirá se Neymar acertou ao trocar o Barcelona pelo futebol francês. Quem viver, verá.