Série D: conheça polêmicas que envolvem as diretorias dos clubes que conseguiram o acesso

A Série D ainda não acabou, mas os quatro clubes que sobem de divisão já são conhecidos. Atlético Acreano, Operário de Ponta Grossa, Juazeirense e Globo jogarão a Série C em 2018. As agremiações têm algo em comum: polêmicas que envolvem seus presidentes.

Willian Ferreira
Colaborador do Torcedores.com e contador de histórias do esporte.

Crédito: Diego Breno/Futebolpotiguar.com.br

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O Torcedores.com lista abaixo alguns casos polêmicos que envolvem cada uma das quatro equipes que subiram da Série D em 2017 para a Série C em 2018:

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Operário

O presidente do Fantasma é Laurival Pontarollo, dono de uma empresa de feijão. Ele assumiu o comando do clube entre 2012 e 2013, e ganhou o impulso do grupo “Amigos do Operário”. Quarenta empresários de pequeno e médio porte de Ponta Grossa contribuem com o clube, tal qual os cerca de 2.200 sócios do clube.

Campeão paranaense em 2015, a campanha foi marcada por um episódio infeliz de Laurival. Em jogo contra o Paraná Clube, válido pela primeira fase do torneio, ele foi suspenso por quinze dias pelo TJD-PR. O presidente do semifinalista da Série D chutou a porta do vestiário dos árbitros e falou “Abre a porta, seus filhos da put*”.

Teve mais. No túnel de acesso, Laurival foi em direção ao árbitro e gritou “Vocês são todos vagabundos. Palhaçada. Vou te quebrar de pau, seu filho da put*. Vou arrebentar a sua cara”.

Mesmo campeão em 2015, o Operário foi rebaixado para a Série Prata do Campeonato Paranaense em 2016. Em 2017, ficou oito pontos atrás do União de Francisco Beltrão e não voltou para a primeira divisão estadual. Assim, o Fantasma sobe da Série D para a Série C em 2018, mas não jogará a Série Ouro do Paraná em 2018.

Atlético Acreano

Quarto maior campeão do Campeonato Acreano, o Atlético é o atual bicampeão do torneio estadual. O presidente do Galo Carijó é Edson Izidorio, ex-jogador da própria equipe. Ele é o comandante do clube desde 2008 – período bem maior que a maioria dos mandatos institucionais hoje em dia, e bem antes do acesso na Série D.

Na campanha de 2017, o técnico que colocou o clube do Acre na Série D é Alvaro Miguéis. Ele também era o treinador do Galo Carijó em 2012, quando foi demitido após agredir o goleiro Máximo, também atleticano, na quarta divisão nacional. Na época, Edson Izidorio comentou:

“Foi uma discussão normal de grupo, mas agressão a gente não admite. O trabalho dele como treinador é muito bom. Achei melhor optar pela demissão para evitar um problema maior”.

Cinco anos depois, a desavença por conta da agressão parece ter sumido.

Juazeirense

A equipe conseguiu o acesso na Série D ao eliminar o tradicional América de Natal. O clube é presidido por Roberto Carlos Leal, deputado estadual na Bahia pelo PDT.

O Juazeirense é um clube muito novo, fundado em 2006. Ele foi fundado justamente por Roberto Carlos Leal, logo após ele perder a eleição para presidência do outro clube da cidade, o Juazeiro. O curioso é que Leal também ajundou a fundar o clube rival, em 1995.

Não para por aí. De acordo com o próprio perfil do deputado no site da Assembleia Legislativa da Bahia, ele pode se considerar um dirigente de futebol profissional. Em 1992, ele também foi presidente do Veneza Futebol Clube.

Roberto Carlos Leal foi alvo de uma operação da Polícia Federal, em 2012. Batizada de Operação Detalhes (em virtude do nome do deputado), a PF apurou a denúncia de que Leal mantinha oito funcionários fantasmas em seu gabinete na Assembleia Legislativa. Também de acordo com a entidade federal, os assessores recebiam entre R$ 3 mil e R$ 8 mil e transferiam essas quantias para contas do filho, da esposa e do próprio Roberto Carlos.

Globo

Outro clube muito novo, fundado apenas em 2012. O nome foi escolhido em homenagem ao grupo de comunicação formado por Roberto Marinho, inspiração para o empresário potiguar Marconi Barretto. As cores do Globo também são frutos de homenagens: para a Alemanha.

O sucesso do clube é anterior ao acesso na Série D. Vice-campeão duas vezes do Campeonato Potiguar, a Águia jogou a Copa do Nordeste uma vez e a Copa do Brasil em duas.

Os bons resultados ajudaram Marconi Barretto, dono da MPB Empreendimentos, a ser eleito prefeito de Ceará-Mirim em 2016, pelo PSDB. Não sem polêmica. As pesquisas indicavam vitória de Júlio César (PSD), mas o então prefeito e candidato á reeleição, Renato Martins (PR), pediu para que seus eleitores votassem em Marconi enquanto ele mesmo disputava o pleito, de acordo com a imprensa local – o que configura fraude eleitoral.

Em 2015, Marconi Barretto foi investigado por conta do suposto uso de casas do programa “Minha Casa Minha Vida” para contratar atletas. Todos os imóveis, aliás, foram construídas pela própria MPB Empreendimentos. De acordo com Marconi, em entrevista ao site da ESPN, nove jogadores foram agraciados com casas – quanto a equipe começava a disputar a Série D e aparecer nacionalmente.

Por fim, em 2017, o juiz Ítalo Medeiros de Azevedo colocou na súmula um episódio polêmico. Ao entrar no vestiário da arbitragem antes do jogo entre Globo e ABC, pelo Campeonato Potiguar, ele se deparou com a frase que ilustra essa reportagem.