Thiago Maia relembra conquista olímpica e diz que Neymar era o que mais merecia a medalha

A medalha de ouro conquistada pelo futebol brasileiro nas Olimpíadas do Rio do Janeiro, há um ano, foi muito comemorada por todos os brasileiros. Após 64 anos de espera, a conquista serviu para recuperar o amor de uma pátria por seu esporte preferido e também para deixar marcada uma geração de atletas.

Caroline Teberga
Colaborador do Torcedores

Crédito: Thiago Maia-foto Rafael Ribeiro-CBF

Entre esses poucos privilegiados que levaram a medalha pra casa está o volante Thiago Maia, que na época defendia as cores do Santos. Hoje no Lille, da França, o jogador tem várias recordações da conquista, entre elas, revela que fugiu do hotel para não precisar pintar o cabelo, assim como fez alguns dos companheiros do volante, como Neymar e Luan.

“Os meninos falaram que se ganhassem todo mundo teria que pintar o cabelo de amarelo, de branco. Quando cheguei ao hotel, peguei logo minhas coisas, me despedi de todo mundo, entrei no carro e fui logo pra Santos, para não precisar pintar o cabelo. Meu cabelo já é ruim e pintar de branco ou amarelo iria ficar feio demais. Foi uma brincadeira sadia. Todo mundo teria que pintar o cabelo, inclusive o Micale. Alguns conseguiram fugir, mas outros os meninos pegaram e fizeram pintar. Eu fugi!”, lembra Thiago Maia.

Em conversa com o Torcedores.com, o atleta lembrou as críticas que a seleção recebeu no começo dos jogos e destacou a importância do técnico Rogério Micale e de Neymar na caminhada pelo ouro.

 

Quais foram os momentos que mais te marcaram?

Vários momentos me marcaram, como os dois primeiros jogos que eu joguei. Era estreia, em casa, de uma Olimpíada. Pra mim isso foi muito especial. Mas a final foi diferente, contra uma grande equipe que foi a seleção da Alemanha. Tínhamos vivido um pesadelo no passado que foi o 7 a 1 e então tinha muita pressão nessa final. Fui muito feliz por conquistar essa medalha e por ter ajudado a equipe a chegar nessa conquista.

Existia um sentimento de revanche pelos 7 a 1 da Copa do Mundo?

Não existia um sentimento de revanche, mas existia uma responsabilidade muito grande. Sabíamos que se a gente perdesse esse título seriamos muito atacados. Ainda mais que tinham muitos jovens no grupo, começando a carreira, se perdessem poderiam entrar em depressão, parar de jogar bola. O Neymar, o Micale, o Renato sempre tentavam tirar a pressão da gente, dizendo pra jogar tranquilo e não ligar para a torcida e para a imprensa. Entrar em campo como se fosse o último jogo. Então conversamos muito sobre isso.

Foi uma pressão diferente de tudo o que você tinha vivido?

No Santos existia pressão, era uma responsabilidade grande vestir a camisa de um clube daquele tamanho e daquele peso, pela história, pela torcida. Na Seleção os dois primeiros jogos foram difíceis e eu com pouca idade vivi tudo aquilo, uma pressão que não tinha vivido até então. A gente estava empatando e a seleção feminina ganhando, isso aumentava a pressão. Foi algo fora do normal.

O que aconteceu que depois a seleção se encontrou em campo e os gols começaram a sair?

A adaptação do time no decorrer do campeonato, um foi se acostumando com o outro. Sabíamos que seria difícil no começo. É igual quando um garoto sobe da base para o profissional, até ele se adaptar ao time, aos novos jogadores, demora um pouco e nas Olimpíadas foi assim. Sabíamos que nós tínhamos jogadores que poderiam decidir a qualquer hora, como o Gabriel Jesus, o Neymar, Gabigol, Luan e Renato Augusto. Então quando a bola começasse a entrar, iríamos começar a conquistar os jogos.

E sobre o trabalho do Micale?

Eu tenho certeza que o Micale viu muitos jogos meus antes de me convocar. Muita gente poderia estar no meu lugar e só 18 foram e o meu nome estava nesta lista sendo um dos mais novos. Ele conversou muito comigo e me passou total confiança, nunca jogou a responsabilidade nas minhas costas, ele sempre passava que deveria jogar a minha bola, sem peso. E eu fui bem nos jogos em que joguei. Só tenho que agradecer ele pela oportunidade que me deu.

Como foram os momentos que antecederam a partida da final?

Confesso que eu até dormi bem, mas quando acordei começou o nervosismo. Muita gente no hotel, no caminho com ônibus gritando e falando que ia dar certo. E chegando no Maracanã, ver o estádio lotado, e todo mundo gritando nosso nome. Na hora do hino nacional todo mundo cantando com a gente, então bateu mais nervosismo. Depois que apitou o final do jogo só foi comemorar.

E quando o jogo foi da final foi para os pênaltis? O que passava na sua cabeça?

Eu estava nervoso, imagina quem estava jogando. Por questão de minutos eu iria entrar na partida, mas alguém se machucou e trocou a substituição. Acabei não entrando. Mas as penalidades é um momento de muito nervosismo. O cara que mais merecia essa medalha, por todas as críticas, pela responsabilidade ser toda dele, foi mais uma vez o nosso maestro, bateu o último pênalti. Dos jogadores que estavam lá, o que mais merecia, por ter sido atacado pela imprensa e pela torcida, foi o Neymar. Ele merecia mais do que todo mundo.

E na sua carreira? O que mudou nesse último ano?

Na minha carreira muitas coisas mudaram. A responsabilidade aumentou por ser campeão olímpico. O futebol ainda não tinha a medalha de ouro, ainda mais conquistada no Brasil. Essa experiência que eu peguei foi importante. Fico muito feliz por essa oportunidade. Sei que nunca vou viver algo parecido, a não ser a Copa do Mundo. Estou trabalhando firme e espero chegar lá também e viver isso novamente.