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Times esquecidos: a história perdida do Operário MS

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução: Facebook Oficial Operário Futebol Clube - MS

Hoje é normal pequenos clubes brasileiros virarem notícia. É o caso do Brasiliense, Inter de Limeira, Bragantino, Juventude, Criciúma, São Caetano. Mas todos esquecem do Operário/MS o primeiro a fazer barulho.

Quando o assunto é zebra, muito se lembra da Inter de Limeira que estreou no Paulistão de 1979 e foi campeã em 1986 em pleno Morumbi contra o Palmeiras. Além disso, ainda temos casos como o Botafogo de Ribeirão Preto e São José, que foram vices paulistas; Bragantino e São Caetano que já venceram o Paulistão; o Guarani ganhou um Brasileiro, o Criciúma, Paulista de Jundiaí, Santo André e o Juventude, já venceram a Copa do Brasil; o Ceara e o Brasiliense foram vices da Copa do Brasil; na década de 1960 a extinta Taça Brasil (anexada hoje ao campeonato brasileiro) obteve o Fortaleza vice em 1960 e 1968 e o Náutico vice em 1967, o time argentino Estudiantes de La Plata é considerado pequeno, mas, já foi tetra campeão da Libertadores, vencendo também, seis campeonatos Argentinos.

Em Copas a Itália já foi eliminada pelas duas Coreias; a Croácia em 1998 foi à terceira colocada; a Grécia que disputou apenas três Copas do Mundo e estava disputando a sua segunda Eurocopa, foi campeã em 2004.

Mas quase todos esquecem do Operário/MS. Fundado em 28 de agosto de 1938 o time do Operário tem um distintivo que lembra o do Santos, tem como mascote um galo. Mas qual foi a grande façanha do Operário? Em 1977 o clube treinado pelo já falecido Castilho (ex-goleiro do Fluminense e da Seleção de 1954, suicidou-se em 1987), fez história no clube, foi técnico de 1977 a 1984 (com idas e vindas), o Operário já teve em seu currículo jogadores como o lendário goleiro Manga e o também arqueiro Joel Mendes, atacantes como Arturzinho (Fluminense, Vasco, Corinthians) o centroavante Lima (Grêmio, Corinthians, Santos, Náutico, Internacional) o zagueiro Ozires, ex Cruzeiro e o lateral Cocada, ex Vasco (irmão de Muller). A façanha do Operário começou no Campeonato Brasileiro de 1977 o modesto time vinha de pequenas vitorias e algumas derrotas. Na terceira fase que definiria os quatro finalistas, o time que só chamou a atenção quando venceu a Desportiva-ES por 5 x 0, mas para passar a semifinal teria que derrotar o Palmeiras do goleiro Leão, apesar do jogo ser em casa, o Palmeiras era o favorito, isso desde o começo da terceira fase, o time do Parque Antártica não via problema em se classificar, todos já esperavam uma semifinal entre Palmeiras e São Paulo, mas o Operário que era o atual campeão invicto Mato-Grossense (Mato Grosso não havia sido dividido ainda) não decepcionou e venceu por 2 x 0 a equipe palmeirense, proeza que um time do Centro Oeste só realizaria 19 anos depois, com o Goiás, aliás, em 1977 foi o ano das surpresas, no outro grupo o Londrina-PR, derrotaria o Vasco da Gama em pleno São Januário. O conto de fadas não demorou muito, o Operário foi derrotado pelo São Paulo no Morumbi por 3 x 0, foi um dos maiores públicos que o estádio já recebeu. Em Campo Grande, a equipe de MS venceu por 1x 0 e foi eliminado, a final foi entre São Paulo e Atlético-MG (que venceu o Londrina), o campeão foi o time paulista, onde venceu nos pênaltis em pleno Mineirão.

Em 1979 o Operário voltou a fazer barulho, começou perdendo para o Santa Cruz por 0 x 5 em casa, mas se reabilitou empatando com o poderoso Inter-RS no Beira- Rio em 2 x 2, passou para a segunda fase, oito grupos de oito times foram formados, o time se classificou junto com o São Bento de Sorocaba, deixando o Botafogo-RJ no caminho, chegou à terceira fase, mas dessa vez o Vasco da Gama não perdoou e aplicou 4 x 0, deixando o clube de Mato Grosso do Sul, fora da semifinal, que seria disputada entre Palmeiras, Vasco, Curitiba e Inter-RS, o time gaúcho acabaria campeão sobre a equipe carioca.

Em 1981, seria a última grande campanha do Operário, o time chegou as oitavas de final (o campeonato havia mudado agora havia oitavas e quartas e não mais terceira fase) venceu o Sport-PE por 3 x 1 em Campo Grande e empatou por 0 x 0 no Recife, porém nas quartas de final o adversário era o Grêmio, que venceria o Operário por 2 x 0 no Olímpico e por 0 x 1 em Mato Grosso do Sul. A equipe gaúcha depois eliminaria a Ponte Preta e seria campeão contra o São Paulo.

A última participação do Operário em Brasileiros, foi em 1986, eliminado na primeira fase, a equipe obteve outros resultados surpreendentes, como 2 x 2 com o Palmeiras em 1984 no Parque Antártica, mas também em desgraças como perder de 7 x 1 para Vasco em 1982. O maior freguês do Operário foi o Cruzeiro nos anos de 1980, onde perdeu duas vezes por 1 x 3 no Mineirão e um 5 x 1 em Campo Grande.

Hoje o Operário é apenas história, chegou a ficar dois anos sem disputar nada. No início dos anos 2000, pela Copa do Brasil perdeu em casa do Atlético Mineiro por 6 x 0. Hoje o único do Mato Grosso do Sul que apareceu no cenário, foi o Cene (time do Reverendo Moon) que chegou nesse século, a disputar a série C do Campeonato Brasileiro, pois, até o Comercial MS também sumiu do cenário, o Clássico “Comerario” chegou a ter 200 pessoas em 2001, inclusive a sede chegou a ser tirada. Depois de cinco anos, longe da primeira divisão do estado, o time volta a disputar e a sonhar com dias melhores.

Valeu Operário e Castilho, quem sabe um dia teremos de novo o Operário fazendo sucesso.

A equipe disputou um torneio na União Soviética em 1973 e, em 1982 na Correia do Sul, ambas às vezes voltarm campeã.

Títulos

  • Campeão do Mato Grosso: 1974/1976/1977/1978
  • Campeão do Mato Grosso do Sul: 1979/1980/1981/1983/1986/1988/1989/1991/1996/1997
  • Campeão Brasileiro da Terceira Divisão do Brasileiro em 1987

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