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“A pressão me estimula”: o que há por trás de Rafael Nadal, uma das maiores lendas do tênis

Traje totalmente preto e a clássica faixa no cabelo. Esse foi o visual de Rafael Nadal na conquista do tricampeonato do US Open, o 16º título de Grand Slam da carreira. O estilo selvagem, característica que atraiu uma legião de fãs no mundo inteiro, não poderia se ausentar na vitória do espanhol sobre o sul-africano Kevin Anderson na final da competição, realizada neste domingo (10).

Gabriela Maruyama
Jornalista, assessora de imprensa e pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Multimídias. Amante dos esportes desde sempre e apaixonada por futebol inglês. Contato: gamaruyama@gmail.com

Crédito: Divulgação/Site oficial US Open

Por trás de uma das maiores lendas do tênis, porém, existe uma versão que muitos desconhecem, o Rafael, ser humano comum com medos e anseios, que não consegue dormir com a luz apagada por pânico do escuro, que chorou no vestiário por meia hora em 2007 depois de perder a segunda final em Wimbledon para Federer, que valoriza a família acima de tudo e namora a mesma mulher desde 2005, que nunca deixou Manacor, sua terra natal, e que é viciado em azeitonas a ponto de comer um vidro inteiro (e continuar assim mesmo após passar mal).

A história de Nadal é relatada na biografia “Rafa: minha história”, escrita em parceria com o jornalista britânico John Carlin. No livro, o maiorquino desmistifica o glamour da fama: ele conta que Manacor é seu lugar favorito no mundo porque os moradores o tratam como igual e, se por acaso começasse a se sentir superior, todos, inclusive os parentes, o lembrariam de sua origem.

Além disso, revela os sacrifícios que precisou fazer por causa da severidade do tio e instrutor, Toni Nadal, que sempre o tratou como um adulto profissional até na infância e nunca aliviou nos treinamentos. Apesar do choque que o leitor tem com a frieza de Toni com uma criança, o atleta deixa claro que ele faz parte da criação de Rafa Nadal, o tenista, especialmente em relação ao psicológico blindado.

“A pressão me estimula” e “Se você realmente quiser alguma coisa, nenhum sacrifício será grande demais” são frases do esportista que atestam a influência de Toni em toda a selvageria que o público vê nas quadras – mesmo com as críticas da imprensa e de muitas pessoas sobre a forma como o tio lidou com o pequeno Nadal.

Um exemplo da força mental de Rafa é o primeiro título do Open da Austrália, em 2009, quando ficou desgastado fisicamente após disputar a semifinal mais longa da história na época com Fernando Verdasco. O espanhol relata na biografia que tinha Titín, seu fisioterapeuta, e Joan Forcades, o preparador físico, para ajudá-lo a fazer o sangue circular para a final contra Federer, mas que mesmo assim ele sequer conseguia andar. No fim, um conselho de Toni Nadal também acabou mostrando que o físico e o mental caminham lado a lado.

“Não diga que não consegue. Quem cava suficientemente fundo pode encontrar a motivação necessária para qualquer coisa. Na guerra, as pessoas fazem coisas que parecem impossíveis. Imagine se houvesse um sujeito sentado atrás de você no estádio com uma arma apontada na sua direção dizendo que, se você não corresse, e continuasse correndo, ele atiraria. Aposto que você correria (…) Você pode perder porque seu rival jogou melhor, mas não pode perder porque não deu o melhor de si. Seria um crime. Mas você não vai fazer isso, eu sei. Porque você sempre dá o melhor de si mesmo” – Toni Nadal

Naquela ocasião, Rafael Nadal seguiu as palavras do tio, superou o corpo inativo, venceu Federer por três sets a dois, e se tornou o primeiro espanhol a ganhar um Open da Austrália.

Crédito da foto: USTA/Darren Carroll

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