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Frase de Vampeta estimulou Flamengo se reerguer financeiramente

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Executivo de Futebol Paulo Pelaipe - Foto: Arquivo pessoal

Na próxima quinta-feira (07 de setembro) o Flamengo começa a busca pelo título da Copa do Brasil, diante do Cruzeiro.  A equipe do Rio de Janeiro não levanta esse caneco desde 2013, quando superou o Atlético/PR em um dos momentos financeiros mais difíceis de sua história.

Com uma folha salarial alta e devendo meses de salário, a diretoria que assumiu o time em 2013 iniciou várias mudanças que ajudaram o clube a voltar a ter credibilidade. Esse processo de reformulação está começando a gerar frutos agora, como revela o diretor executivo do Flamengo, entre 2012 e 2014, Paulo Pelaipe.

“O Flamengo estava em uma situação muito difícil. O time na época tinha problemas com os profissionais porque tinha em média de três, quatro e até cinco meses de atraso no pagamento de luvas e contratos de imagem dos jogadores. Quando a nova diretoria assumiu queria reverter essa imagem que o clube tinha, então colocaram metas e a folha salarial foi reduzida a 30% do que se gastava em 2012, tivemos que nos adequar. Tínhamos muitas deficiências como no centro de treinamento, nos campos, para fazer pré-temporada. Foi um começo de trabalho muito difícil”, contou.

Durante a entrevista para o Torcedores.com, Paulo Pelaipe revelou ainda que uma frase dita por Vampeta foi um dos principais incentivos para o clube voltar a dar a volta por cima. Durante uma entrevista ele soltou: “Eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”, se referindo à diretoria Rubro-Negra.

“Ao longo desses anos melhorou muito as condições de trabalho e o clube voltou a ter credibilidade. A diretoria que assumiu em 2013 prometeu que iria pagar os salários em dia, para isso tivemos que diminuir os custos. Contratamos jogadores de menos expressão naquele momento. Desde então o Flamengo começou a honrar seus compromissos. O que estava devendo das gestões passadas parcelou e começou a pagar e então recuperou o prestígio. Aquela frase célebre do Vampeta foi uma marca muito dolorosa para o clube”.

E como foi a montagem do time durante esse começo da recuperação financeira?

Abrimos mão do Ibson que era um jogador criado dentro do Flamengo, pois tinha um salário fora da nossa realidade. Devolvemos o Vagner Love para o CSKA, porque ele também tinha salários atrasados. Foi uma negociação dura, difícil, mas com a ajuda do atleta e do empresário conseguimos a devolução. Abrimos mão também do Alex Silva e fizemos acordo com o Liedson.

Fizemos um time novo. Buscamos jogadores no interior de São Paulo. Trouxemos o Samir, do Audax, e em troca demos o Camacho, que não seria aproveitado no clube. Compramos do Mogi Mirim o Hernane Brocador que foi muito contestado no começo, pois iria substituir o ídolo Vagner Love, mas ele deu a resposta fazendo 38 gols na temporada. Aproveitamos meninos da base. Contratamos jogadores com passe livre como o Wallace, André Santos, Chicão. Essa reformulação foi o embrião para 2014.

Hoje o Flamengo colhe frutos do planejamento que começou em 2013?

Evidentemente que o trabalho que começou naquela época tem continuidade hoje. O Flamengo tem um diretor financeiro de qualidade que é o Paulo Dutra. A consolidação dessa gestão administrativa e financeira será consolidada em títulos.

E na categoria de base. Teve mudanças também?

O Flamengo já tinha o CT, mas o departamento de futebol era um contêiner e a estrutura da base não existia. A base treinava só uma vez por dia porque não conseguia dar alimentação para os jogadores. Com envolvimento de vários funcionários começamos a fazer as reformas necessárias. Tinha funcionário do clube que tirava dinheiro do bolso para colocar na base. Reformamos o alojamento e construímos um refeitório.