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Opinião: Jô, o futebol está cheio de hipócritas. Não seja mais um

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O Corinthians voltou a vencer no Brasileirão, mas certamente, o maior derrotado da rodada é seu atacante Jô. Ele anotou, de forma irregular o tento da vitória corintiana contra o Vasco na Arena, em Itaquera.

A questão que muitos levantam neste momento é que se fosse outro jogador que tivesse feito o gol – do modo que foi anotado -, ele não seria tão contestado como Jo está neste momento. Porém, há que se recordar que neste mesmo 2017 ele protagonizou um lance no Campeonato Paulista ao lado do zagueiro do São Paulo, Rodrigo Caio, que sinalizou um tempo diferente em nosso futebol.

Na ocasião, aconteceu uma falta sobre o goleiro Denis que o atacante alvinegro recebeu um cartão amarelo que o tiraria do jogo da volta da semifinal contra o Tricolor. Porém, o defensor assumiu que foi ele o autor do pisão sobre o camisa 1 e o árbitro Luiz Flavio de Oliveira acabou por anular a punição.

Agora, passados seis meses daquele episódio, Jô faz um gol com o braço – irregular – e assume um discurso oposto ao que teve, quando elogiou o ‘fair play’ de Rodrigo Caio. O fato de não ter assumido que fez um gol ilegítimo mancha seu discurso e coloca duvidas sobre seu procedimento. Afinal, quando é a favor dele, tudo pode e quando é contra, se esquece? Lembra até aquela infame frase de um ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Rubens Rícupero, que numa preparação para uma entrevista para a TV Globo disse uma frase que acabou resultando em sua demissão: “O que é bom a gente divulga, o que é ruim, esconde”. Ou seja, quando foi a seu favor, como no gesto do defensor são paulino, ou mesmo do gol de ontem, tudo valeu, tudo é aceitável.

Contudo, se ele tivesse a hombridade de dizer ao árbitro que colocou o braço na bola, será que sua cotação junto a todos os torcedores não estaria melhor? Pelo menos passando um discurso coerente com o que ele defendeu tanto na expulsão equivocada de Gabriel contra o Palmeiras, quanto na revisão de posição de Luiz Flavio de Oliveira no caso Rodrigo Caio.

Acho que se há um nome que incomoda a todos ser chamado é de hipócrita e com todo o respeito que o atleta Jô me merece, ele foi exageradamente hipócrita neste caso. Já que ele se diz atualmente um homem de Deus, porque ele não conversa com o pastor de sua igreja sobre a atitude de ontem? Ou com um padre, monge budista, sheik muçulmano, pai de santo ou dirigente de centro espírita kardecista, ou até mesmo conversa com alguém que se diga agnóstico sobre o que ele fez ontem. Vou mais além, pergunte a uma criança que esteja começando a gostar de futebol sobre se sua atitude, de fazer o gol com o braço foi correta. Ela mesma dirá na hora que não, pois foi ensinado que futebol se joga com os pés e a cabeça e que só o goleiro usa as mãos.

Claro que o resultado da partida de ontem na Arena não retroagirá e será para sempre Corinthians 1 x 0 Vasco, só que se acabasse 0 x 0, com Jô confessando sua culpa, teria sim o valor de um golaço não apenas para ele, mas para o campeonato todo e até redimiria a arbitragem que a cada rodada é contestada com razão por muitos.

Desejando o fim da lei do “Faça o que digo, mas não faça o que faço”, em todos os setores da vida do nosso país, incluindo o futebol, te dou uma bela nota zero para você Jô.