Futebol

Opinião: Para não ser rebaixado, São Paulo precisa urgentemente parar de sofrer gols

Publicado às

Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução: Site Oficial São Paulo

Dorival Júnior assumiu o São Paulo na décima terceira rodada do Brasileirão e o que se viu até aqui foi uma equipe que não consegue sair da desconfortável zona de rebaixamento, além de se mostrar ainda mais vulnerável defensivamente, mesmo após períodos de treinamentos que pouco existiam até a chegada do novo comandante.

Afundado na zona do rebaixamento em um momento delicado da competição, Dorival insiste em colocar em campo uma equipe essencialmente técnica, mesmo que a proposta seja de contra-ataque. Porém mais do que o ataque funcionar, o que o São Paulo precisa urgentemente é parar de sofrer gols. Abaixo alguns dados trarão que os placares repletos de gols de algumas partidas da “era Dorival” maquiam um fraco desempenho da equipe como um todo. Nesta contabilidade, estou excluindo a partida contra o Santos, dirigida pelo interino Pintado.

Durante o período em que Ceni comandou a equipe, o São Paulo fez onze partidas no Campeonato Brasileiro, com três vitórias, dois empates e seis derrotas. Dorival, por sua vez, somou um ponto a mais em suas 10 primeiras partidas, conquistando três vitórias, três empates e quatro derrotas. Desempenho melhor? Não diria isso.

Das onze partidas dirigidas pelo ex-goleiro, apenas quatro delas foram contra equipes que hoje estão na parte de baixo da tabela, com triunfos contra Avaí e Vitória e derrotas para Ponte Preta e Atlético Mineiro. Nestes confrontos, a equipe foi vazada apenas três vezes e teve um aproveitamento de 50% dos pontos. Já Dorival, teve oportunidades melhores. Até aqui, das 10 partidas, seis foram contra equipes da metade para baixo na classificação, com apenas uma vitória (Vasco da Gama), dois empates (Atlético GO, Avaí) e três derrotas (Chapecoense, Coritiba e Bahia). Um aproveitamento de 27%, além de ver sua defesa sofrer espantosos 9 tentos, média de 1,3 gol por jogo.

Bom, podemos pensar “então contra as melhores equipes do torneio, Dorival tem um aproveitamento melhor, correto?”. Bem, esta afirmação tem o seu lado verdadeiro. Ceni obteve apenas um triunfo, contra o Palmeiras, nas seis oportunidades que teve. Já Dorival, saiu vencedor duas vezes, contra Cruzeiro e Botafogo. Porém, é preciso analisar com calma o contexto dessas partidas para não sermos enganados pelos números. Em ambos os jogos, ocorreram peculiaridades que normalmente não são facilmente repetidas. Contra o Fogão, o São Paulo virou um placar adverso de 3×1 para 4×3 em pouco mais de dez minutos. Virada também ocorrida contra o Cruzeiro, mais pela força da torcida que deu um espetáculo a parte nas arquibancadas do Morumbi do que necessariamente pela organização em campo.

Além disso, Dorival teve um reforço de peso com a chegada de Hernanes, que em seis partidas com a camisa tricolor já marcou seis vezes. Contra o Cruzeiro, por exemplo, Hernanes teve uma apresentação decisiva, com dois gols e uma assistência. Aliás, curiosamente, foram três gols oriundos de bolas paradas (dois de pênalti e um em cobrança de escanteio.) e este fator também ajuda a “tapar o sol com a peneira”. Antes da partida contra o Palmeiras, o São Paulo ficou quatro jogos sem marcar um gol sequer em jogadas trabalhadas. Foram três gols de pênalti (Bahia, Cruzeiro e Avaí), um em cobrança de falta (Cruzeiro) e dois em cobranças de escanteio (Coritiba e Cruzeiro). Mais um motivo para não acreditar tanto assim no desempenho ofensivo.

Voltando para o caos defensivo. Em números gerais, nas primeiras onze rodadas, o São Paulo sofreu onze gols. Média de 1 gol por jogo. Nas últimas dez rodadas, a equipe já levou 19 tentos. Uma média de 1,9 gols por partida! Se mantivesse a primeira média de gols, hoje seria a sexta melhor defesa. Hoje, é a quarta pior.

Para mudar isso, Dorival precisa mudar alguns de seus conceitos. No Santos, por exemplo, o treinador se esforçava ao máximo para colocar os mais talentosos em campo juntos, o que é de fato um mérito a ser aplaudido. Porém, isso demanda tempo de trabalho, entrosamento e, principalmente, confiança. Três fatores que ultimamente passam a quilômetros de distância do Morumbi. Apesar de nobre, escalar Petros, Jucilei, Hernanes, Cueva, Marcos Guilherme e Pratto juntos causa um enorme desequilíbrio estrutural na equipe, tanto pelo conflito entre estilo de jogo necessário para o momento e a característica do elenco, quanto pela falta de entrega ou compreensão de alguns jogadores do elenco. Desde o início do ano, o São Paulo tem um problema crônico na marcação da cabeça de área, zona à frente da zaga. A falta de pegada nessa região à frente da área pode ser notada pelos números. No último choque-rei, mesmo com menos posse de bola e com uma estratégia nítida de contra-ataque, a equipe teve risíveis 13 desarmes, contra 23 do rival. Esta falta de combatividade pode ser resumida na quantidade absurda de gols sofridos de fora da área. A lembrar: Cazares (São Paulo 1 x 2 Atlético MG); Wendel (São Paulo 1 x 1 Fluminense); Niltinho (São Paulo 2 x 2 Atlético GO); Lucas Marques (Chapecoense 2 x 0 São Paulo); Marcos Vinícius (Botafogo 3 x 4 São Paulo); Willian e Keno (Palmeiras 4 x 2 São Paulo). Sete gols apenas no Brasileirão, sem gols de Tche Tche e Rodriguinho, por exemplo, durante o campeonato Paulista. Colocar Militão à frente da zaga foi uma boa tentativa, descartada de forma prematura por Dorival. Mesmo errando muitos passes, o que pode ser colocado na conta do nervosismo, com o jovem atleta em campo, o São Paulo apresentou uma consistência defensiva maior.

Outro problema que o treinador terá que enfrentar é a falta de entrega de Cueva em campo. Poderia até manter o Peruano na meia, centralizado, sem grandes funções defensivas. Porém, Hernanes chegou e dominou o setor. Colocá-lo aberto pela esquerda só vale a pena se a entrega técnica compensar. Além de não estar sendo decisivo ofensivamente, Cueva demonstra uma falta de empenho defensivo que não condiz com a atual situação do clube na tabela. Portanto não há motivos hoje para tê-lo entre os titulares. No clássico com o Palmeiras, as investidas alviverdes pelos extremos eram sempre condicionadas ao lado em que o peruano estava. Quando fechava o lado esquerdo defensivo, o Palmeiras atacava pela direita. Quando mudava para a direita, o adversário passava a atacar pelo lado esquerdo. Foi assim, inclusive, que chegou ao seu primeiro gol. Apesar da perda técnica, será mais válido para a equipe ter um jogador de velocidade, que dá profundidade ao time e auxilia na recomposição.

Mudar é preciso. Para isso é preciso antes de mais nada, colocar na cabeça o campeonato que o São Paulo disputa hoje. A sequência contra equipes da parte de baixo da tabela se repetirá agora no segundo turno. Porém é preciso ter uma pontuação minimamente decente e mais estabilidade defensiva para que essas partidas não sejam a pá de cal de uma campanha de time rebaixado. Pois, time que sofre poucos gols não cai para a segunda divisão. Time com média de quase dois gols por partida, cai.

LEIA MAIS:
SÃO PAULO TEM APROVEITAMENTO PIOR QUE INTERNACIONAL DE 2016, NA 22ª RODADA
HERNANES ANALISA TABELA E PROJETA QUANTOS PONTOS SÃO PAULO DEVE FAZER PARA EVITAR O REBAIXAMENTO
JUCILEI ELOGIA TORCIDA DO SÃO PAULO APESAR DE MAU MOMENTO DA EQUIPE