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PAPO TÁTICO: O bom teste da Seleção Brasileira diante de uma Colômbia aguerrida e bem organizada

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Lucas Figueiredo / CBF

Você há de convir, caro torcedor, que o jogo diante da Colômbia valia apenas para Tite dar ainda mais corpo à Seleção Brasileira e testar mais alguns jogadores. Afinal, a primeira colocação nas Eliminatórias da América do Sul já estava garantida e a vaga na Copa do Mundo da Rússia já estava assegurada há algum tempo. Diante do relaxamento natural com a situação bem mais calma do que nos tempos de Dunga, o escrete canarinho encarou um bom teste nesta terça-feira contra os comandados de José Pekerman, que precisavam da vitória para ficar ainda mais próximos do passaporte para a Rússia. Muito calor, muita umidade e um jogo pra lá de disputado no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla. O empate acabou sendo um resultado justo diante de tudo que brasileiros e colombianos produziram na terra da Shakira.

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Além das mudanças “obrigatórias” no time (Thiago Silva e Filipe Luís nos lugares de Miranda e Marcelo), Tite manteve Willian à direita do seu 4-1-4-1 costumeiro e ainda mandou Fernandinho e Roberto Firmino para o jogo, deixando Casemiro e Gabriel Jesus no banco. Do outro lado, o técnico José Pekerman apostava num 4-2-3-1 com James Rodríguez centralizado e muita velocidade com Cardona e Cuadrado. As linhas avançadas do time colombiano (embora o time não implementasse um marcação por pressão na equipe brasileira) prejudicava e muito a saída de bola dos comandados de Tite. Apesar das dificuldades, Willian se entendia bem com Daniel Alves e Paulinho pela direita e Neymar puxava a marcação pelo outro lado. Foi do camisa dez a belíssima assistência para o camisa dezenove marcar um gol mais belo ainda. Destaque para a “invasão” do cachorrinho antes de Willian abrir o placar em Barranquilla.

Tite manteve o 4-1-4-1, escalou Fernandinho e Roberto Firmino e ainda viu a sua equipe abrir o placar num golaço marcado por Willian. Do outro lado, a Colômbia de José Pekerman avançava as suas linhas e criava bastante com James Rodríguez centralizado e buscando o jogo.

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A Colômbia reequilibrou o jogo quando José Pekerman mandou Yimmi Chara para o jogo logo após o intervalo e orientou seus jogadores a utilizarem mais os lados do campo. Mas quem fez a diferença foi mesmo James Rodríguez. O jogador do Bayern de Munique se livrou da marcação pela direita e serviu o bom lateral Arias. Este cruzou na cabeça de Falcao García, que se antecipou a Marquinhos e empatou a partida em bela cabeçada. Pekerman sentiu o bom momento e mandou Téo Gutiérrez no lugar de Cardona, rearrumando a sua equipe num 4-4-2 ainda mais ofensivo (lembrando por vezes um 4-2-4) que deixou espaços na defesa. No lado brasileiro, Tite repetiu a estratégia do jogo contra o Equador, com Philippe Coutinho na vaga de Renato Augusto e a mudança do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. No entanto, apesar das boas chances criadas por Neymar, Willian e Gabriel Jesus nos contra-ataques, o placar se manteve inalterado até o apito final do venezuelano Jesús Valenzuela.

José Pekerman mexeu bem no time após o intervalo e a Colômbia empatou a partida em bela cabeçada de Falcao García. Já do lado brasileiro, Tite repetiu a mudança do jogo contra o Equador com a entrada de Philippe Coutinho no lugar de Renato Augusto, rearrumando o time no 4-2-3-1. Apesar da disposição das duas equipes, nada de mudança no placar.

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Tite perde os cem por cento de aproveitamento nas Eliminatórias da Copa do Mundo num momento em que o resultado nem importava tanto assim, já que o Brasil já está garantido no Mundial da Rússia. Valeu pelas entradas de Fernandinho e Roberto Firmino que, se não mantiveram o nível de Gabriel Jesus e Casemiro, não comprometeram o estilo de jogo do escrete canarinho. Valeu também por ver que Neymar mostra um certo amadurecimento jogando na Seleção. Mesmo prendendo a bola em alguns momentos, o camisa dez não se deixou atingir pelas provocações dos adversários e ainda tentou aproveitar os espaços deixados à sua frente quando a Colômbia se lançou ao ataque para tentar a virada. O time tem um corpo, tem um estilo próprio e um padrão fácil de ser identificado. No entanto, ainda vejo a necessidade de confrontos contra equipes mais fortes como Alemanha, França, Itália, Inglaterra e outras seleções do primeiro escalão.

Mesmo com os últimos resultados, é meio complicado encontrar algum atrativo para os dois últimos jogos do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo. A Bolívia já está eliminada e o Chile está por um fio. Talvez esse seja o momento para Tite dar chances a jogadores como Luan, Pedro Geromel (ambos do Grêmio), Rodriguinho (do Corinthians), Vanderlei (goleiro do Santos) e outros nomes que podem ser muito úteis nessa caminhada rumo ao hexa. Tudo, é claro, mantendo o padrão e a estratégia que vem dando muito certo e encontrando alternativas para diferentes situações de jogo. O importante é aproveitar as partidas para corrigir o que está errado e chegar na Rússia com a mesma força e concentração das Eliminatórias.