Para acabar com o jejum: Inter deve se planejar para um título nacional em 2018

O Internacional é, no século 21, um dos clubes mais vencedores do mundo. São sete títulos internacionais conquistados num intervalo de cinco anos. Andou aprontando contra gigantes europeus. Derrotou o “dream team” do Barcelona de 2006, de Ronaldinho e Deco, na final do Mundial. Fez cair também a Inter de Milão e Milan, em torneios amistosos. Enfrentou o Barcelona outra vez e fez bonito ao segurar um empate contra o mágico Pep Guardiola. Os alemães do Bayern Leverkusen e do Sttutgart também viram do que é capaz esse clube brasileiro. Empilhou taças do campeonato gaúcho a ponto de enjoar. Conquistou uma soberania inquestionável no Rio Grande do Sul, e sempre entra como um dos favoritos nas competições em que disputa.

Andrey Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Presidente Marcelo Medeiros tem a missão de levar o inter a conquistar um título nacional. Foto: Ricardo Duarte

O clube acabou rebaixado, devido a anos de péssimas administrações, nenhum planejamento de futebol, afastamento do torcedor e arrogância. Mas são águas que estão prestes a se tornar passadas. Marcelo Medeiros e sua trupe sofreram, mas estão colocando o Beira-rio em ordem e o retorno à elite, ao que parece, é apenas questão de tempo. Enfim o Inter fez valer a enorme diferença estrutural, financeira e técnica em relação aos adversários na série B e começa a se sobressair. Mantendo o ritmo dos últimos seis jogos, o Inter deve subir com alguma tranquilidade e antecedência.

Considerando um cenário provável de retorno imediato, em 2018, o Inter precisa coroar essas duas décadas do século 21 com um título nacional. É o que falta para o clube nesse tempo. E, para um time com a camisa e com a relevância que o Inter tem no cenário nacional, não conquistar um título a nível de Brasil a tempo tempo é vergonhoso. Lá se vão quase 40 anos sem conquistar um campeonato brasileiro. Muitos falarão da polêmica de 2005. Não me apegarei a isso. É hora de superar e buscar uma nova conquista. Aquela ficou com o Corinthians.

Falando em título nacional, a Copa do Brasil precisa ser melhor aproveitada pelo Inter. O clube venceu a edição de 1992 e estacionou. É bem verdade que foi vice em 2009 e chegou às semifinais em 2016, mas em competição de mata-mata ficar e segundo, terceiro ou último é a mesma coisa. O que importa, no fim das contas, é ser o único sobrevivente.

A chance mais clara de acabar com o jejum foi no ano do centenário, 2009. O timaço que encantou o país sob o comando de Tite e com um ataque poderoso formado por D’Ale, Taison e Nilmar, parou no Corinthians, de Mano Menezes e Ronaldo, na final da Copa do Brasil. Após a perda da Copa, a direção desmontou o trio ofensivo vendendo Nilmar para o Villa Real, da Espanha, e acreditou que Alecsandro substituiria a altura. Não aconteceu, o Inter teve tropeços inaceitáveis no Beira-rio no brasileirão daquele ano e, na última rodada, viu o tetra escapar por entre os dedos para o Flamengo. Uma vitória a mais naquela competição e a taça ficaria em Porto Alegre. Uma vitória que, nenhum colorado duvida, Taison, D’Ale e Nilmar, juntos, teriam conseguido.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Conquistar um título nacional em 2018 ou, no máximo, em 2019, deve ser prioridade 1, 2 e 3 no Beira-rio. Se o Inter, caso confirme a tendência e retorne já no ano que vem à série A, não vencer o brasileiro, atingirá a vexatória marca de 40 anos sem ser o campeão do país. Dos campeões, apenas o Atlético-MG, vencedor da edição de 71, tem jejum maior. Bem verdade que a última conquista do Inter é algo que dificilmente se repetirá: ser campeão nacional invicto é coisa quase impossível de acontecer, e o time do Inter de 79 conseguiu esse feito. Mas não dá pra viver dessa lembrança. A torcida colorada precisa de uma nova alegria, uma nova recordação para o futuro.

Ser campeão brasileiro no ano que vem tem que estar numa placa no gabinete da presidência e no vestiário do clube como meta a ser batida custe o que custar. A direção já montou uma boa base de grupo pro ano que vem. Com alguns reforços pontuais para o time titular e mais alguns qualificados para compor um elenco grande e de alto nível darão condições ao Inter de brigar entre as cabeças na série A.

Alcançar essa conquista seria, inclusive, um fim de carreira do tamanho de D’Alessandro, que deve renovar com o Inter por um ano e se aposentar ao fim da temporada de 2018. O gringo, por tudo o que fez pelo clube e por tudo o que representa, merece terminar de tal forma. A torcida, que ergueu o Beira-rio e sustenta o clube, sempre lotando o estádio e mesmo no pior momento da história segue com seus mais de 100 mil sócios que fazem com que o Inter tenha condições financeiras de arcar um elenco de qualidade, mais do que ninguém, merece e precisa sair desse sufoco.

O inter já conquistou a América mais de uma vez. Já aprontou na Argentina, no Uruguai, Colômbia, México… já andou até pela terra do Tio Sam e pelo velho Continente fazendo suas proezas. É hora de aprontar no Brasil, de novo. Os vermelhos estão, há muito tempo, sem mostrar a força que possuem.