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Time de handebol faz protesto contra proibição do uso do shorts e fala em machismo

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Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com

Crédito: Reprodução/Facebook oficial

O time feminino de handebol de praia do Rio de Janeiro, CopaBeach/Cepraea, fez um protestos nas redes sociais pela proibição do uso do shorts por baixo do sunquini em uma partida do Campeonato Carioca da modalidade. O manifesto divulgado na página do Facebook do time falou em machismo. Até o momento da publicação da reportagem, o post de uma das atletas compartilhado na página do time tinha 2,6 mil interações, 1.090 compartilhamentos e 230 comentários.

“Contra o machismo no esporte. O time feminino de handebol de praia CopaBeach/Cepraea foi impedido de jogar no campeonato estadual com short por baixo do sunquini. Fomos ameaçadas de levar W.O caso não jogássemos somente de sunquini. Nosso amor pelo esporte não pode ser esmagado por regras machistas e desiguais. Nós repudiamos a obrigatoriedade do uso do sunquini. Cada equipe deve ter o direito de escolher. Sua equipe também concorda com este posicionamento? Nos avise para acrescentarmos ao documento”, dizia o teor do manifesto.

O fato ocorreu no último dia 27. Desde então, ainda não houve uma decisão definitiva sobre a obrigatoriedade do uso deste uniforme, que se trata de um biquini com o cós mais alto e laterais mais largas.

O Torcedores.com entrou em contato com a Federação de Handebol do Estado do Rio de Janeiro (FHERJ). O presidente da entidade, Emerson Callado, explicou que a proibição de trata de um cumprimento das regras do campeonato.

“Durante o aquecimento, nosso diretor de árbitros observou que essa equipe não estava com o uniforme adequado. Nós seguimos o padrão IHF (Federação Internacional de Handebol). Foi feita uma solicitação para evitar contratempos e atrasos. Chegou num momento da partida que a equipe estava com uniforme inadequado, então foi solicitado que elas trocassem para que não houvesse W.O. Houve protesto, elas trocaram uniforme e o jogo seguiu. Depois, houve aquela manifestação”.

Uma das líderes do protesto, a jogadora Gabriela Peixinho, do Cepraea, mostrou uma visão diferente sobre o assunto. “No primeiro turno, usamos esse short. Acabou de iniciar o segundo turno, e fomos proibidas de jogar com o short, porque estava tendo uma padronização e eles resolveram proibir”.

A diretora técnica do Cepraea, Camila Pena, explicou que diversas equipes no Rio de Janeiro e no país já manifestaram apoio. “No momento estamos preparando um documento para que sejam coletadas as assinaturas de apoio. Estamos procurando as assinaturas dos clubes em um primeiro momento. As assinaturas pessoais virão em seguida”.

Mas ambos os lados adotaram um discurso de conciliação. “Tem um grupo da federação, de dirigentes, que tem sensibilidade com a causa. Vai ser uma oportunidade de estabelecer esse diálogo. Esse pleito existe das atletas, mas nunca houve um movimento capaz de provocar essa ruptura pausa pra conversar sobre esse assunto”, disse Gabriela.

Uma mesa de debates está sendo organizada pela Federação Estadual para que exista uma discussão mais ampla sobre o tema. “Estou conversando com a Camila, ela está sendo meu elo com as meninas, porque a gente quer fazer uma mesa que tenha um mediador neutro, e que as meninas sejam protagonistas da mesa, que não tenham pessoas que gostem de palanque para se promover”, explicou Callado, que admitiu que o regulamento pode ser revisto para o campeonato de 2018, e a proibição dos shorts revogada.

“Pode estar em pauta a adequação do uniforme, mas elas sabendo que é de cunho regional. A competição de nível nacional e internacional segue com padrão IHF. Nós não vemos problema, porque de forma alguma interfere na questão técnica e tática de jogo. A Federação apoia a causa das meninas, reforçando nossa luta contra machismo, homofobia ou qualquer tipo de opressão”.

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