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Como surgiu a história do “Esquema Crefisa” e porque ela não faz sentido

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Divulgação

O comentarista Chico Lang, da TV Gazeta, trouxe à tona uma antiga discussão envolvendo Palmeiras, a patrocinadora Crefisa e as polêmicas de arbitragem, após o Corinthians perder para o Botafogo na última segunda-feira (23) e ver a diferença de pontos para o Verdão na tabela de classificação do Brasileirão diminuir.

Em seu perfil no Instagram, o jornalista detono o suposto erro da arbitragem, que não teria marcado um pênalti em cima do atacante Jô, já nos acréscimos da partida. “Começou o esquema Crefisa. Pênalti em cima de Jô é arbitragem ignorou. Burrice ou incompetência? Maldade mesmo. Tem coisa por de trás disso. Estão armando para o Corinthians perder o campeonato. Canalhas”, disparou.

A bola cantada por Chico Lang revoltou do torcedores do Palmeiras, sendo que muitos chegaram a sugerir que Leila Pereira, dona da Crefisa, tomasse providências contra as insinuações do jornalista. Mas afinal, como começou toda essa história do “Esquema Crefisa”?

A Crefisa começou a patrocinar o Palmeiras em janeiro de 2015, com investimentos iniciais de cerca de R$ 23 milhões por ano, e até então, sem pretensões nenhuma de ajudar o clube com contratações – o que só começou a acontecer em julho, com a chegada de Lucas Barrios.

O que iniciou a história do esquema foi que na reta final daquela edição do Campeonato Paulista, diante de toda a repercussão que a parceria com o Palmeiras já estava rendendo, a financeira fechou um acordo de patrocínio com a Federação Paulista de Futebol para estampar sua marca no uniforme dos árbitros, o que causou muita polêmica e discussão sobre o assunto.

De acordo com o Regulamento de Organização de Arbitragem da Fifa, só é permitido a exibição de marcas nas camisas dos juízes, desde que não haja conflito de interesses. “Anúncios de patrocinadores nas camisas de árbitros serão permitidos somente se não criarem conflitos de interesses com nenhum dos times participantes. Caso isso aconteça, o árbitro não deve utilizar nenhum anúncio na camisa”, diz trecho do artigo 15 do regulamento.

O Palmeiras se manifestou através de um comunicado oficial repudiando as insinuações de favorecimento. “Qualquer ilação que se faça entre o negócio e um eventual favorecimento ao Palmeiras no campeonato é um desrespeito inaceitável ao nosso clube, aos nossos jogadores, à Federação Paulista de Futebol, à Crefisa, à FAM e aos torcedores.”

Foto: RODRIGO CORSI/FPF

A rodada de estreia do patrocínio foi na fase mata-mata, e na ocasião havia uma pressão muito grande sobre a arbitragem, principalmente, para o jogo do Palmeiras contra o Botafogo-SP, nas quartas de final. Apesar da vitória do Verdão por 1 a 0, o time saiu de campo reclamando de supostos erros do árbitro Marcelo Rogério.

O goleiro Fernando Prass culpou a pressão depositada sobre a arbitragem e chegou a cobrar responsabilidade de parte da imprensa. “Hoje foi complicado. Falaram tanto que a arbitragem iria beneficiar o Palmeiras. E aí, beneficiou? As pessoas tem que ter responsabilidade na hora de falar no microfone”, criticou.

Em entrevista recente ao Torcedores.com, o ex-árbitro Marcelo Rogério falou sobre o episódio. ““Para mim foi um dos jogos mais difíceis em termos de controle do jogo porque também não concordava em entrar com o logo da Crefisa. Primeiro porque estava fazendo propaganda sem ser remunerado e eu tinha certeza absoluta que teria problemas no jogo pelo fato de a Crefisa ser a patrocinadora de uma das equipes das quartas de final do Paulistão 2015, no caso o Palmeiras.”

“Relutei até o último minuto para não entrar com aquela camisa. Só que infelizmente não teve jeito. Tive que usá-la e não fui remunerado em nada, como não somos remunerados por nenhuma propaganda colocada na camisa e tive muitas dificuldades na partida”, completou.

Após a rodada das quartas de final, a FPF decidiu cancelar o patrocínio depois de uma recomendação da Fifa. O Palmeiras acabou chegando a grande final do Paulistão, mas perdeu o título para o Santos na disputa por pênaltis.

Depois de um tempo, quando o Palmeiras começou a crescer na Copa do Brasil, os rivais voltaram a levantar a questão do “Esquema Crefisa” após algumas decisões polêmicas da arbitragem a favor do clube em algumas partidas, como contra o Internacional, nas quartas, e o Fluminense, na semifinal. O histórico, no entanto, mostra que o clube também foi muito prejudicado durante a competição, que acabou conquistando após vencer o mesmo Santos nos pênaltis.

Nesses últimos anos, desde que a Crefisa começou a patrocinar e investir em contratações para o Palmeiras, o clube conquistou dois títulos nacionais (Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro), mas também um vice-campeonato e duas eliminações no Paulistão, duas eliminações na Copa do Brasil e outras duas na Libertadores, ou seja, se existisse – de fato – essa história de esquema com a patrocinadora, o Verdão teria conquistado absolutamente todos os títulos que disputou neste período.