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Cristiano Ronaldo: a história do garoto pobre que virou mito

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Redator e Pós Graduado em Jornalismo Esportivo. Ama Futebol e o Esporte. Redator Pleno do Torcedores.com Para um pouco mais de mim, pode me escrever: Brunocom26@gmail.com

Crédito: Reprodução: Twitter oficial Cristiano Ronaldo/ @Cristiano

CR7 acaba de ganhar seu quinto prêmio de melhor jogador do mundo. O que muita gente não sabe, pode parecer surpresa. Cristiano Ronaldo, o garoto que virou mito, queria ser um jogador de futebol desde pequeno. Mas você conhece a história do pequeno Ronaldo franzino, que se alimentava mal e era apelidado de ”bebê chorão” porque não gostava de perder?

Cristiano Ronaldo nasceu às 10h20 no dia 5 de fevereiro de 1985 em Funchal, Ilha da Madeira, Portugal. Filho de uma cozinheira, dona Dolores e um jardineiro, seu Dinis, que também era roupeiro no minúsculo clube local, o Andorinha. A história de Ronaldo é parecida com outras tantas de superação. Teve uma infância difícil como outros garotos no futebol. Quase não tinha brinquedos, apenas uma bola de futebol e alguns carrinhos. Vivia numa casa de madeira e teto de zinco, muito simples, onde era preciso tapar os buracos para que a chuva não entrasse. A sua vida foi ligada cedo ao futebol, muito em parte por seu pai o colocar no pequeno Andorinha.

Cristiano, o ”bebê chorão”, como o chamavam no seu primeiro time amador, era birrento e não gostava de perder. Seus pais já eram odiados na vizinhança em Funchal por deixar o garoto chutar bolas nas paredes e muitas vezes quebrar os vidros das casas. Cristiano ”era apenas como as outras crianças. Mas ele tinha algo diferente. Quando as outras estavam estudando, ele estava jogando bola. Uma vez, ele tentou driblar e, obviamente, ele copiou dos outros jogadores. Ele fez muito isso.”, disse Fernão Barros Sousa, seu padrinho. É bem verdade que não foi bom aluno. Vivia na rua e voltava tarde para casa.

Após passagem pelo Nacional da Madeira, o time local, mais uma etapa difícil, em que até dirigentes comentaram sobre sua precária saúde e físico franzino (chegaram a lhe dar sopa e sanduíches antes do craque poder ir para casa), Sousa apresentou Ronaldo a um dos sócios do Sporting, João Marques de Freitas. Ele se lembra de bem de CR7: ”ele foi no sábado e três dias depois Aurelio (olheiro do clube) me disse que o menino era muito bom. Até os profissionais verificaram as habilidades do menino”. O Sporting o aceitou e Ronaldo teve de se mudar para Lisboa. A mãe relembra que até roupas novas teve de conseguir, porque precisava causar uma boa impressão no clube. Não podia dar a impressão de vir de uma origem tão humilde.

Mas a mudança de ares nunca foi fácil. Tudo foi feito por conta própria, com o escasso dinheiro da família. Para piorar, ia mal na escola e era alvo de piada pelo sotaque madeirense. Morava em um dormitório com mais três atletas. Sua prateleira estava sempre vazia. De valor, só as fotos da mãe e dos irmãos, tudo isso aos 12 anos de idade.

A maior humilhação de sua vida veio mais tarde, teve de começar a levar o lixo para a porta do estádio num carrinho de mão, que os jogadores do clube tinham batizado de ironia Ferrari. Numa dessas viagens que Ronaldo fazia sempre de cara amarrada, foi achincalhado diversas vezes. Diziam “Lá vai o Ronaldo conduzir o seu carro”, numa referência à pobreza da família do jogador. Ele teria respondido: “Podes gozar o que quiseres, mas um dia vou ter o meu próprio Ferrari a sério, vais ver.” Hoje conta com mais de 20 carros em sua garagem.

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Seu padrinho lembra que, ”no segundo ano, ele retornou para Madeira. O Sporting o enviou porque não queriam um jogador infeliz. Naquele tempo, precisei intervir e dizer que ele precisaria ir para Lisboa e jogar pelo Sporting, porque ele era o futuro da família. E foi o que aconteceu”. Ronaldo voltou de vez e nunca mais olhou para trás. Basta dizer que Cristiano Ronaldo passou por depressão com saudades da família, vivia com 30 euros ou cerca de R$120 reais dados pela mãe, até começar a receber salário como jogador. A solidão e falta de amigos, somada a disciplina do clube fizeram de CR7 o que ele é hoje.

Ronaldo se tornou obcecado com sua carreira e em provar que era o melhor. Usava dias livres para malhar quando não havia mais ninguém na academia. Passou a concentrar-se a ganhar músculos e mudar sua alimentação. Ficava mais tempo no campo quando acabavam os treinos normais.

O craque foi se desenvolvendo, mas o sofrimento sempre foi recorrente em sua carreira. Descobriu que seu pai era alcoólatra e o irmão viciado em drogas, pagou a desintoxicação do irmão com o pouco dinheiro que havia juntado quando recebeu seus primeiros salários, porém não conseguiu ajudar o pai, que faleceu em 6 de setembro de 2005. Cristiano Ronaldo estava com a Seleção Portuguesa e quem lhe deu a notícia foi Felipão, técnico de Portugal na época. Após chorar abraçado ao treinador brasileiro, pediu para ser titular no jogo seguinte. Eram as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha.

Esta é a história que provavelmente muita gente não sabe, de um garoto eleito 5 vezes o melhor jogador de futebol do mundo pela Fifa. Com enredos dramáticos, mas que terminaram num conto de fadas. Como o próprio Cristiano Ronaldo enfatizou, na premiação da Fifa, agora em 2017, ”talento sem trabalho não é nada”.

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