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Destaque no interior de SP, Deola relembra Palmeiras e o “espelho” Marcos

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Aos 34 anos, o goleiro Deola foi um dos destaques do Taboão da Serra, time do interior de São Paulo, durante participação na Copa Paulista. No entanto, foi no Palmeiras que apareceu para o futebol e ele relembrou os tempos no alviverde e também definiu como uma ‘honra’ ter atuado ao lado do ídolo Marcos.

“Sou o que sou por conta do Marcos. Sem tirar o mérito de meus treinadores de goleiro, mas me espelhei muito no Marcos. Meus trejeitos são parecidos com os dele. Lógico que não quero me comparar, até porque as pessoas são incomparáveis, mas ele era meu espelho e ter tido esse tempo com ele me fez crescer no futebol”, disse em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Durante as temporadas 2010 e 2011, revezava no gol com Marcos, tinha atuações de destaque e o apoio do ídolo. No entanto, o ano seguinte foi difícil. Com a aposentadoria do camisa 12, Deola assumiu o posto de titular e, segundo ele, parte da imprensa o colocou como ‘culpado’ pela fase ruim do time.

“A mentira contada várias vezes se torna verdade, acreditei e tive algumas falhas, quando perdi a posição. Foi um momento de instabilidade, de perda de confiança, dois anos de trabalho que dois meses me tiraram. Todo ser humano passa por dificuldades e a gente tem que saber entender o que está acontecendo na vida daquela pessoa”, afirmou Deola.

Mesmo assim, para o goleiro, só há recordações boas do Palmeiras, clube que, segundo ele, o ‘abriu as portas’ no futebol. “Me doei ao máximo, fiz meu melhor. Muitas vezes, fui criticado, mas porque pensava na equipe, e tomava algumas atitudes que as pessoas não entendiam e interpretavam errado. Saí de lá realizado, com a certeza que cumpri meu papel”, completou.

Polêmica no Twitter

No final de agosto, Deola se envolveu em polêmica no Twitter, quando fez comentário a respeito de uma professora que tinha sido agredida por aluno dentro de escola em Santa Catarina. “Sou contra a agressão, porém essa mulher a 3 dias aplaudiu a menina que atacou ovo no Bolsonaro. Não foi agredida injustamente”, escreveu.

“Expressei minha opinião, continuo com ela. Naquele momento, o ponto de vista do Bolsonaro era meu ponto de vista. Lógico que não concordo 100% com o que ele fala, como também não concordo com as coisas do Lula. Tenho minhas convicções políticas. Não concordo com violência, de forma alguma, mas também não concordo com hipocrisia. Estavam usando a hipocrisia para defender algo”, afirmou.

“Vou continuar expressando minhas convicções políticas, não de forma tão aberta, mas para quem me conhece. Hoje, expressar política no Brasil significa ser de um lado ou de outroEstamos em um momento político muito dedicado, onde se criou dois lados e quem perde com isso é o povo, já que nenhum dos lados está servindo. A intolerância e a corrupção estão prevalecendo e a gente indo mais para o fundo do poço.

Veja outros trechos da entrevista com Deola:

*Desempenho no Taboão da Serra

“Foi uma passagem muito positiva. A equipe ainda tem pouco respeito de outros times, achavam que poderiam ganhar de nós a qualquer momento e isso nos ajudou muito a conquistar os resultados e a ter um bom desempenho. Foi importante para a visibilidade do Taboão, que com certeza vai começar a A-3 mais respeitado. Para mim, também foi muito importante exercer uma liderança, onde jogadores mais novos me viam e queriam saber o que precisavam para estar em um time grande. Uma ajuda para conduzir o elenco, principalmente os mais jovens, também no extra-campo, foi muito proveitoso. Pude mostrar meu potencial, que ainda posso jogar em alto nível”.

*Encerrar a carreira e planos para depois da aposentadoria

“Meu pensamento é jogar mais três ou quatro anos em alto nível. Após isso, talvez seja mais difícil por conta das dores, lesões e pela idade. Já estou me preparando para o pós-futebol. Hoje, trabalho com o Networking Marketing, em paralelo ao futebol e dá para conciliar, pois não me toma muito tempo. Produzo uma renda extra, para daqui três ou quatro anos essa renda ser maior ou proporcional ao que o futebol pode me pagar. Não fiquem estagnados em uma fonte de renda, porque do nada você pode perder o emprego e sua estabilidade, aí você pode ter pouco tempo para procurar algo para fazer e o que aparece não é aquilo que você quer fazer”.

*Passagem pelo Palmeiras

“Foi fantástica, só tenho a agradecer. Metade da minha vida foi lá dentro. Saí de casa com 15 anos, entrei aos 17 no Palmeiras e saí aos 32, se não me engano. Metade da minha vida passei no clube. Lá, eu comprei minha casa, conheci minha esposa, tive minha filha. Fiz minha estreia uma semana depois que minha filha nasceu. Tenho apenas recordações boas, fui campeão da Copa do Brasil. Tive muitas felicidades, me abriu as portas. Se sou conhecido hoje, devo ao clube. Infelizmente, estive em um momento ruim financeiramente do clube, onde não se podia contratar muitos jogadores, isso acabou dificultando o trabalho, mesmo a gente tendo muita dificuldade, sempre estávamos lutando por títulos. Me doei ao máximo, fiz meu melhor. Muitas vezes fui até criticado, mas porque estava pensando na equipe, então tomava algumas atitudes que as pessoas não entendiam e interpretavam de forma errada. Saí de lá realizado, com a certeza que cumpri meu papel”.

*Política e jogadores de futebol

“Somos formadores de opinião. Hoje em dia, se a opinião é contrária aos outros, você é criticado. As pessoas usam as redes sociais parar se mostrarem, serem vistos.  Elas querem sair do anonimato, poder conversar com pessoas que antes talvez não pudessem ter acesso. Expressei minha opinião, continuo com ela. Naquele momento, o ponto de vista do Bolsonaro era meu ponto de vista. Lógico que não concordo 100% com o que ele fala, como também não concordo com as coisas do Lula. Tenho minhas convicções políticas. Não acho que tem que ser um partido de direita ou de esquerda que tem que governar o país. Hoje, a gente vê pela Lava Jato o quanto de investigações acontecem, por enquanto algumas provadas, outras não, não sou eu quem vou julgar, tem um juiz altamente competente para isso, o qual tem meu respeito, que é o Sérgio Moro e, infelizmente, não compete só a ele esses julgamentos e a hora que vai para outro local, pode-se sim julgar de forma errada, até por amizade e não por prova. Não concordo com violência, de forma alguma, mas também não concordo com hipocrisia. Estavam usando a hipocrisia para defender algo. Fui criticado por pessoas que tem um posicionamento político totalmente esquerdista, não vi essas críticas como reais, como verídicas, foram inúmeros “haters” que não têm o que fazer que acabaram jogando mensagens, mas não tenho problema nenhum com isso. As críticas aceito, quando erro sou o primeiro a admitir. Vou continuar expressando minhas convicções políticas, não de forma tão aberta, mas para quem me conhece. Hoje, expressar política no Brasil significa ser de um lado ou de outro. Gosto de muitas coisas que o Bolsonaro fala e, nem por isso, sou extremista de direita. Tem algumas coisas, poucas, que o Lula fala, que eu concordo, nem por isso eu sou de esquerda. Estamos em um momento político muito dedicado, onde se criaram dois lados e quem perde com isso é o povo, já que nenhum dos lados está servindo. A intolerância e a corrupção estão prevalecendo e a gente indo mais para o fundo do poço”.

*Momento marcante da carreira

“Tive passagens no Palmeiras, Vitória, Fortaleza, e graças a Deus conquistei títulos nesses lugares. Difícil pontuar um momento marcante. O que fica mais guardado na memória foi quando minha filha nasceu, dia 25 de janeiro de 2009 e um pouco antes fiz minha estreia pelo Palmeiras. Eram nove anos de espera, treinando com profissionais e esse dia nunca chegava. Em 2009, chegou minha vez de estrear, foi contra a Ponte Preta, onde no primeiro lance tomei um gol e estava no gol da torcida do Palmeiras. Logo em seguida, fiz bela defesa e fui fazendo defesas ao longo do jogo, depois ainda conseguimos a virada. Isso ficou marcado, a torcida palmeirense começou a ter confiança em mim, antes nunca tinham me visto jogar”.

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