Estados Unidos perdem para lanterninha, dão vexame histórico e não vão à Copa de Putin

A última rodada das Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo da Rússia-2018 teve emoções dignas de um filme de ação de Hollywood – só que sem final feliz para os americanos. A briga pelas vagas da América do Norte e Central foi decidida nos últimos minutos, e o mais improvável dos desfechos acabou acontecendo. Graças a uma inesperada combinação de resultados, a seleção dos Estados Unidos acabou escorregando na tabela de classificação e não beliscou nem sequer uma lugar na repescagem.

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Crédito: Derrota para Trinidad e Tobago tirou os EUA da Copa - Foto: US Soccer/Twitter oficial

Antes da rodada, a chance de classificação dos americanos ao Mundial do ano que vem era estimada em 83% – a mesma probabilidade calculada pelo jornal The New York Times para a vitória de Hillary Clinton na eleição de 2016. Só que, assim como na corrida para a Casa Branca, deu zebra: todos os três placares necessários para que os EUA ficassem de fora aconteceram na noite de terça-feira (11).

Com isso, a seleção do país mais rico e poderoso do mundo não vai participar do evento esportivo mais importante do planeta. É a primeira vez desde a Copa do México-1986 que os americanos não estarão no torneio. Péssima notícia para a Fifa e para a organização do torneio na Rússia, já que os EUA registraram os melhores números nos quesitos audiência televisiva e venda de ingressos para torcedores visitantes nas Copas da África do Sul-2010 e Brasil-2014.

Uma zebraça em Trinidad
Com o líder México garantido com muita folga e a Costa Rica festejando a classificação obtida na noite de sábado, as Eliminatórias da Concacaf ainda tinham em aberto uma vaga direta e outra para a repescagem intercontinental. Os EUA estavam em terceiro lugar na tabela e podiam avançar com um simples empate diante da fraquíssima seleção de Trinidad e Tobago, a lanterninha da fase final, já sem nenhuma chance de ir à Copa, e que havia perdido oito de seus nove jogos.

Os americanos decidiriam a vaga fora de casa, mas o estádio estava quase vazio – ou seja, não haveria pressão sobre os visitantes. Nas projeções das casas de apostas esportivas, o favoritismo americano era total: de acordo com o site Oddsshark.com, a vitória do time do técnico Bruce Arena pagaria R$ 1,27 a cada R$ 1,00 investido, enquanto o empate devolveria R$ 5,08/R$ 1,00. Melhor para quem foi ousado na hora de fazer seu palpite e acreditou num desastre para os americanos em Trinidad.

Com uma defesa caótica e um ataque pouco inspirado, os americanos acabaram sendo superados por 2×1 – e quem colocou suas fichas na zebra conseguiu um retorno de nada menos de R$ 10,95/R$ 1,00, também de acordo com o Oddsshark.com. Os gols de Trinidad foram de González (contra) e Jones, no primeiro tempo. A promessa Pulisic, do Borussia Dortmund, descontou no segundo tempo, mas isso não era o bastante para os EUA.

Gol ilegal e México “muy amigo”
Mesmo perdendo sua partida, a seleção americana ia se garantindo pelo menos na repescagem até o finzinho da rodada. Isso porque o Panamá, que precisava vencer de qualquer forma, ia empatando em casa com a Costa Rica, 1×1 (com direito a gol irregular dos panamenhos, num lance em que a bola não cruzou a linha da meta). Aos 43 do segundo tempo, um tento de Torres deu a vitória ao time mandante e colocou o Panamá pela primeira vez numa Copa do Mundo. Com a Costa Rica já garantida, o Panamá era o favorito a vencer, devolvendo R$ 1,74/R$ 1,00 (o empate retornava R$ 3,43; a vitória costarriquenha, R$ 4,80/R$ 1,00).

A última esperança dos americanos era a seleção do México, sua arquirrival, que enfrentava Honduras fora de casa. Assim como o Panamá, os hondurenhos só teriam chance de classificação em caso de vitória – resultado que, conforme o Oddsshark.com, devolveria R$ 2,38/R$ 1,00. Empate (R$ 3,09/R$ 1,00) ou uma vitória do México (R$ 3,01/R$ 1,00) colocava os EUA no caminho para a Rússia.

Apesar da acirrada rivalidade com os EUA, o México do técnico Juan Carlos Osório chegou a ficar duas vezes à frente no placar. Fez 1×0 (gol de Peralta, carrasco do Brasil na Olimpíada de Londres-2012) e depois 2×1 (com Carlos Vela). Mas Honduras virou, e precisava manter o 3×2 para eliminar os americanos.

Ironia do destino: com as partidas no Panamá e em Trinidad já encerradas, restava aos americanos torcer para uma ajudinha dos vizinhos mexicanos nos minutos finais em Honduras. E os mexicanos, como era de se imaginar, exibiram uma preguiça digna de quem estava fazendo a siesta nessa reta final de partida – não seriam eles que dariam essa colher de chá aos EUA… Melhor para Honduras, que agora decide uma vaga na Copa com a Austrália, em um dos dois playoffs entre diferentes confederações da Fifa, no mês que vem.

Confira os jogos da repescagem intercontinental das Eliminatórias:

6/11 – Estádio Olímpico Metropolitano, San Pedro Sula – Honduras x Austrália
6/11 – Westpac Stadium, Wellington – Nova Zelândia x Peru
14/11 – ANZ Stadium, Sydney – Austrália x Honduras
14/11 – Estádio Nacional, Lima – Peru x Nova Zelândia

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