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Mudanças alimentares, recordes e ex-Inter: entenda como o Barcelona desafia o Grêmio

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Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

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Foto: Barcelona

Guillermo Almada jamais havia trabalhado fora do seu país de origem, o Uruguai, onde dirigiu os modestos Tacuarembó e River Plate, e quando resolveu se aventurar longe de casa decidiu que levaria junto e cumpriria à risca sua metodologia de trabalho. Foi a partir do dia 7 de junho de 2015, então, que o técnico assumiu o Barcelona, do Equador, e não foi muito depois disso que “el profe” detectou a primeira mudança a ser tomada.

Antes de recomendar alguma contratação, redesenhar o esquema de jogo ou alterar o cronograma de treinamentos, Almada mudou drasticamente algo que, ao menos em tese, não recebe a atenção devida quando o assunto é futebol. O uruguaio foi para a cozinha do clube e ali designou a primeira grande reformulação: os jogadores do Barcelona, com ele, teriam de ser inseridos dentro de um planejamento alimentar sério, cumprido também em casa sob orientação de nutricionistas contratados.

“Recomendei, de imediato, a contratação de um nutricionista, e começamos um planejamento individual e coletivo, que envolveu também as famílias, para guiar um pouco melhor a alimentação em casa”, explicou o comandante à Agência Efe, no início de outubro. “Obviamente, não foi fácil para os jogadores, de qualquer ponto de vista. Tentamos não impor nada a eles. Tratamos, sim, de convencê-los, para que entendessem que as melhorias seriam na parte individual e coletiva”, completou.

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Guillermo Almada comanda o Barcelona-EQU desde junho de 2015 – Foto: Getty Images

Ele admite, no entanto, que precisou convencer até mesmo os dirigentes sobre a importância da alimentação regrada no futebol. A necessidade de explicação e defesa dessa metodologia aos superiores tinha razão evidente, uma vez que ela traria um custo a mais dentro de um time com orçamento tradicionalmente reduzido.

“O orçamento estava sendo aumentado de forma significativa. Fomos complementando a alimentação nas concentrações, nos treinos. Quando treinamos de manhã, os jogadores tomam café da manhã juntos. Essas coisas nos ajudam a tê-los sob controle e saber que estão bem”, acrescentou Almada, na mesma entrevista. Individualmente, a comissão técnica e os fisiologistas do clube puderam estabelecer a quantidade de suplementos necessária aos atletas, o que logo deflagrou melhora nas medições de gordura corporal e volume muscular.

Resgate histórico na Libertadores e pesadelo do brasileiros

Apesar de ser o clube mais popular do Equador e ter um certo prestígio histórico dentro da Libertadores – foram 24 participações e dois vices, 1990 para o Olímpia e 1998 para o Vasco, o Barcelona vivia “uma crise de resultados e uma crise institucional” antes da chegada de Guillermo Almada, em palavras utilizadas pelo próprio treinador em entrevista concedida com exclusividade ao Torcedores.com.

“Nós, quando chegamos no Barcelona, encontramos um time com crise de resultados, uma crise econômica e até institucional. Nos restou trabalhar. Trabalhar e catapultar novamente a força do clube”, resumiu à reportagem do Torcedores.

Os novos conceitos trazidos por Almada, que mexiam na parte técnica, tática e até na convivência e nos hábitos dos jogadores, não demoraram a dar resultados. Em um ano inesquecível, o Barcelona venceu o Campeonato Equatoriano de 2016 quebrando recordes importantes para a história do clube e encerrando um jejum de quatro anos. Juntando as duas etapas da liga, o Amarillo somou 98 pontos, número jamais atingido por outra equipe anteriormente. E o principal derrotado dessa campanha arrasadora foi o Emelec, que não apenas perdeu o título como uma série de marcas que detinha: recorde de pontos ganhos, gols a favor e número de vitórias, por exemplo, passaram a ser da equipe dirigida pelo uruguaio.

“Chegamos há dois anos e meio no clube. Quando te dão um respaldo no trabalho e tempo, os jogadores passam a conhecer a nossa ideia de futebol. Eles sabem o que queremos e estão aceitando a proposta. Faz tempo que temos um estilo, e isso ajuda. Ano passado vencemos a liga local quebrando muitos recordes no Equador… recorde de vitórias, de gols a favor, mais vitórias seguidas, enfim, uma quantidade importante de marcas para o clube. Este ano, por outro lado, estamos priorizando a Libertadores. Tivemos grandes enfrentamentos e esse é o futebol, devemos acreditar no que fazemos. Se há um caminho que nos deu sucesso na liga local no ano passado, tratamos de tentar fazer o mesmo na Copa”, destaca, na projeção da semifinal contra o Grêmio.

Engana-se quem pensa que o Barcelona é o típico time sul-americano que marca, se defende e se fecha para depois sair no contra-ataque. Desde o início da Libertadores o time de Almada tem mostrado um perfil ofensivo, que joga e deixa jogar, sem abrir mão de dois pontas móveis e um jogador centralizado. O astro é o atacante Jonatan Álvez, remanescente do histórico 2016. Camisa “9” de mobilidade e movimentação, ele foi o grande carrasco de Palmeiras e Santos com três gols marcados e responsabilidade direta nas vitórias equatorianas nas oitavas e quartas de final, respectivamente.

Ariel
Ariel não foi bem no Inter – Foto: Divulgação/Internacional

Como alento para os gremistas, Álvez não joga na quarta-feira. Expulso na Vila Belmiro diante do Santos por uma cotovelada em Alison, ele cumpre suspensão automática e só retorna no dia 1° de novembro, na Arena, no jogo de volta pelas quartas de final. Outro desfalque para Almada é o volante brasileiro Gabriel Marques – este por um período ainda maior. A Conmebol estabeleceu três jogos de gancho para o brasileiro em decorrência da confusão com o santista Bruno Henrique.

A ausência de Álvez deverá abrir espaço para um ex-colorado desafiar o Grêmio. Ariel Nahuelpán, centroavante de ofício, é o mais cotado para atuar desde o início na próxima quarta-feira. Entre os torcedores do Inter, nada de saudades. Ele fez parte – e com más atuações – da trágica campanha que resultou no inédito rebaixamento colorado em 2016. Ariel fez um gol pelo Inter em 12 jogos. Pelo Barcelona, os números são mais animadores. Na primeira passagem, em 2013, o canhoto marcou 13 vezes em 23 partidas.

“Vamos buscar o protagonismo nessa semifinal. Queremos fazer o que viemos fazendo até aqui. Ter o controle da partida, da bola, saber administrar. E, claro, saber desfrutar do bom momento que tivermos na partida. Sem dúvida nenhuma teremos que fazer transições, contragolpear. Respeitamos o Grêmio, é uma das maiores instituições do mundo, mas confiamos plenamente no que podemos fazer”.

Raio-X do Barcelona na Libertadores de 2017:

  • 2° colocado no Grupo 1, com 10 pontos – Botafogo, 1°, com 10; Estudiantes, 3°, com 9; Atlético Nacional, 4°, com 6.
  • 11 gols marcados e 10 gols sofridos.
  • 5 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.
  • Principal artilheiro: Jonatan Álvez, 5 gols.
  • Time-base: Banguera; Pedro Velasco, Aimar, Arreaga e Beder Caicedo; Gabriel Marques, Matías Oyola e Damián Díaz; Esterilla, Marcos Caicedo e Jonatan Álvez (Ariel).

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