Extra-campo

Opinião: o descaso do Futebol Feminino no chamado País do Futebol

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução: Site CBF/ Foto: Fernanda Coimbra/CBF

Sabe aquele assunto que você tem a sensação de que está batendo na mesma tecla sempre? Então, é o que sinto quando penso, falo ou escrevo sobre o futebol feminino, principalmente no Brasil é incrível como ele é tratado no chamado “País do Futebol”, com desrespeito, descaso e arrisco dizer como piada por muitos que estão em cargos importantes relacionado a essa modalidade.Chega a ser irritante ver notícias onde parece que estão mais preocupados com o tamanho do shorts e com o estado do cabelo das meninas, sendo que o mais importante e o que deveria ser visto está longe disso. Falta atenção, um olhar de confiança e apoio.

É inaceitável ver atletas passando mal em competições e simplesmente não ter um médico para atendê-la, é direito e dever da Federação disponibilizar atendimento médico para prestar os primeiros socorros até uma possível saída para um hospital. É desumano como tratam essas meninas. Ou só jogador de futebol masculino que pode ter um atendimento digno? Não, só que esse caso infelizmente não chamou atenção, porque não foi com um jogador badalado não é mesmo? O futebol feminino precisa da mesma atenção e cuidado.

A equipe Corinthians/Audax está disputando a Libertadores e está na final, em 5 dias 3 decisões seguidas: terça-feira (17), disputou a vaga para a semifinal contra o Santa Fé e venceu, quinta (19), disputou a vaga para a final contra o Cerro Porteño e já no sábado (21) disputou a final em cima do Colo Colo, onde se consagrou campeã nos pênaltis, repito: 3 decisões em 5 dias.

É ridículo atletas terem que vestir o uniforme de jogo em um estacionamento, porque supostamente não tem vestiários para as mesmas. Gente, é uma questão simples de direitos. Essas meninas tem o direito de serem tratadas como profissionais, assim como os homens são. Sei que muito jogador, quando novo, passava “uns par de perrengues” para jogar bola, vemos isso em diversas histórias, mas quando têm a chance de vestir a camisa de um time grande, a realidade muda, encontram oportunidades e estruturas, e quando firma de vez no time principal é dali para a melhor, méritos dele, ou em alguns casos dos empresários, porque tem cada jogador que não sei como conseguem virar profissional, mas isso fica para outro texto.

Lutamos fora de campo por uma reviravolta no mundo do Futebol Feminino e que essas meninas colham frutos da sua entrega e trabalho, e que a mulher seja cada vez mais respeitada em tudo. Que uma profissional, como a Emily Lima não seja penalizada por buscar mais e mais o direito da mulher no futebol e uma melhora nas condições do futebol feminino no Brasil. Que uma atleta como Cristiane não tenha que vir a público em um vídeo emocionada dizer que não tem mais forças para lutar, após 17 anos de entrega, já era para ter mudado, esse desabafo pode ser visto no vídeo abaixo. Valorizar o futebol feminino não vai desvalorizar o masculino, pelo contrário, um vai enaltecer mais o outro, basta parar com esse preconceito bobo.

Veja o vídeo:

Eu quero comprar camisas com o nome de jogadoras que defendem meu time de coração, eu quero ir no estádio do meu time e ver um jogo do futebol feminino, isso não vai estragar a grama não senhores, isso vai aos poucos colocando cada vez mais essa modalidade na mídia, e aos poucos vamos mudando essa realidade tão injusta.

A Conmebol, junto com a CBF e Fifa, exige que os clubes brasileiros tenham futebol feminino disputando campeonatos nacionais, senão não poderão disputar a Copa Libertadores, isso já era pedido, mas a partir de 2019 essa exigência terá que ser cumprida pelos clubes, ou ficarão de fora dessa competição. Só que uma coisa tem que ser dita, não vale nada ter um time qualquer no papel, apenas para o masculino competir, tem que ter um time para dá atenção e recursos apropriados, e cada um ter o seu próprio departamento e o mesmo empenho.

Esta semana a CBF anunciou que criou um comitê, após 29 anos da 1ª convocação da Seleção Brasileira de Futebol Feminino (1988), onde objetiva um pensamento maior no desenvolvimento dessa categoria do esporte no Brasil, essa proposta entre outras foram levadas ao Presidente Marco Polo Del Nero, essa reunião ocorreu após diversos acontecimentos ocorridos na Seleção Brasileira, como a demissão da treinadora Emily, citada acima, contra a vontade das jogadoras brasileiras e a nítida insatisfação de atletas diante a situação do futebol feminino. Nesse comitê também entrou em discussão o desejo de mais mulheres atrás de cargos importantes.

Parece pouco, mas já é um grande passo em busca de mais igualdade não só no futebol, pois isso irá refletir em uma sociedade como um todo, onde o machismo ainda tem vez. Nós como telespectadores temos que lutar junto com essas meninas. Para que elas possam ter uma vida profissional dentro do futebol digna, não digna de um homem, mas digna de um ser humano, Isso é igualdade. Isso é ser de verdade o País do Futebol.

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