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PAPO TÁTICO: Alguém anotou a placa do caminhão? Mais um show do Manchester City na Premier League

Caro amigo leitor do TORCEDORES.COM, não havia melhor maneira de começar essa análise do que perguntar se alguém anotou a placa do caminhão que passou no Etihad Stadium. Jogando um futebol ofensivo e eficiente (coisa cada vez mais rara nesses dias), o Manchester City deu uma surra de chinelo no Stoke City. A vitória por sete a dois só não alçou os Citzens para a liderança da Premier League com vinte e dois pontos como também mostrou a todos que Pep Guardiola finalmente está conseguindo implantar seus conceitos na equipe. O time ataca com força (são 29 gols marcados em oito partidas no Campeonato Inglês) mas não perde consistência defensiva (apenas quatro gols sofridos, marca inferior apenas ao rival United que só foi vazado duas vezes na competição). Vale destacar aqui as grandes atuações do belga Kevin De Bruyne (o camisa 17 participou ativamente de cinco dos sete gols dos Citzens) e do brasileiro Gabriel Jesus, que balançou as redes duas vezes.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Twitter / Premier League

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Já ciente de que a sua equipe sofreria diante do Manchester City, o técnico Mark Hughes apostou num 4-2-3-1 que variava para um 4-4-1-1 bem defensivo, com o suíço Shaqiri encostando no espanhol Jesé e com as linhas bem compactadas na frente da área. A ideia era aproveitar os espaços deixados pelo adversário e encaixar os contra-ataques. Só que os Citzens simplesmente não deixaram os Potter jogarem. A superioridade técnica e tática dos comandados de Pep Guardiola era tão grande que o placar já marcava três a zero aos vinte e seis minutos com gols de Gabriel Jesus, Sterling (esses com participação direta de De Bruyne) e David Silva. Ao Stoke restava se defender e evitar um vexame ainda maior. Tanto que o primeiro chute a gol da equipe vermelha e branca só saiu aos trinta e quatro minutos com o zagueiro Zouma mandando um pombo sem asa (e sem direção) da intermediária. Mas como o futebol adora pregar peças, os Potters diminuíram com em chute de Mame Biram Diouf que desviou no lateral Delph e enganou o goleiro Ederson, num momento em que o Manchester City tirava o pé já nos minutos finais do primeiro tempo.

O Manchester City usou e abusou dos passes curtos e das triangulações no primeiro tempo, bem ao estilo do técnico Pep Guardiola. O esforçado time do Stoke comandado por Mark Hughes só não levou a goleada história nos primeiros quarenta e cinco minutos por conta da grande atuação do goleiro Jack Butland e do gol de Mame Biram Diouf, o melhor dos Potters.

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O Stoke City voltou do intervalo com Afelay e Martins Indi nos lugares de Jesé e Wimmer respectivamente e com a equipe armada num 4-1-4-1 mais nítido, com o holandês da camisa 14 à esquerda e Shaqiri à direita. Mas o show dos Citzens continuou. Guardiola manteve as variações táticas que tanto gosta com seu 4-3-3 (ou 4-1-4-1 na preferência de alguns) tão à frente que o desenho tático da sua equipe lembrava um 2-3-5 (num caso de “reinversão da pirâmide já explicado por nós aqui e aqui). Em outros momentos, o time se organizava num 3-4-3 com os avanços do lateral Delph para o meio-campo. Fato é que nem o gol contra de Walker fez com que o time perdesse a vontade atacar. Gabriel Jesus (o segundo dele na partida), Fernandinho (num belo chute da entrada da área), Sané e Bernardo Silva balançaram as redes e deram números finais (e impressionantes) à partida. Guardiola ainda teve tempo para preservar alguns jogadores e dar ritmo atletas como Yaya Touré e Gundogan, já pensando no jogo contra o Napoli, pela Liga dos Campeões da UEFA. Mesmo com as mudanças, o Manchester City seguiu buscando o gol adversário e promovendo as variações já citadas anteriormente.

O show dos Citzens continuou no segundo tempo. Nem mesmo o gol contra de Walker e as substituições promovidas por Guardiola (já de olho na Liga dos Campeões) diminuíram o ímpeto ofensivo da equipe. E quem sofreu foi o Stoke City…

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Os números da partida ajudam a explicar o massacre no Etihad Stadium. Enquanto o Manchester City deu 20 chutes a gol (onze no alvo), o Stoke deu apenas dois. Foram 79,4% de posse de bola dos Citzens contra apenas 20,6 por cento dos Potters. E a posse da pelota também se reflete no número de passes: 894 contra 230. Além da goleada em casa (a terceira na Premier League), os comandados de Pep Guardiola ainda assumiram a liderança isolada da competição após o empate sem gols do rival United contra o Liverpool em Alfield Road. A cada jogo que passa, a impressão que fica é que o técnico dos Citzens parece cada vez mais adaptado ao futebol praticado na terra da Rainha e cada vez mais à vontade para implementar a sua filosofia de jogo. Nomes como Kevin De Bruyne (o melhor em campo disparado), Gabriel Jesus, David Silva, Delph, Fernandinho, Sané, Sterling, Bernardo Silva e Gundogan são apenas algumas das armas que Guardiola tem à sua disposição para levar o Manchester City aos tão sonhados títulos internacionais, grande sonho de consumo da torcida.

Num tempo em que nossos times têm dado preferência à marcação e ao jogo mais pragmático aqui no Brasil, tem dado gosto ver times como o Manchester City de Guardiola, o Real Madrid de Zidade, o Tottenham de Mauricio Pochettino e o Napoli de Maurizio Sarri. Equipes que conseguiram encontrar equilíbrio na defesa sem perder a vontade de fazer gols e dar espetáculo. Coisas que eram a nossa especialidade há alguns anos atrás…