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PAPO TÁTICO: Como Alberto Valentim recolocou o Palmerias na briga pelo título brasileiro

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Cesar Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

É claro que ainda é muito cedo para se falar em “sucesso”. Mas os números não mentem. Desde que assumiu o comando técnico do Palmeiras, Alberto Valentim conquistou três vitórias em três partidas disputadas no Campeonato Brasileiro. Foram oito gols marcados, apenas dois sofridos e uma nova maneira de se pensar o jogo. Ao invés das perseguições individuais e da intensidade beirando o extremo nos tempos de Cuca, um estilo mais cadenciado com linhas mais compactadas e ocupação mais inteligente dos espaços. O Palmeiras de Alberto Valentim mostrou todas essas qualidades na bela vitória por três a um sobre o Grêmio em Porto Alegre e, de quebra, ainda viu a diferença para o líder Corinthians cair para seis pontos. Mesmo com um jogo a mais do que o rival, a esperança de título brasileiro se reacendeu com a chegada de Alberto Valentim.

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O primeiro tempo da partida na Arena do Grêmio não teve lá muitas emoções. As duas equipes jogavam no já bastante conhecido 4-2-3-1 com forte marcação no meio-campo e buscando acelerar o jogo pelos lados. No caso do Grêmio (visivelmente com a cabeça na Libertadores da América), era mais comum ver Léo Moura, Kaio e Everton sendo mais acionados do que Marcelo Oliveira (que jogou um pouco mais contido), Michel e Arroyo. Do lado do Palmeiras, o time compactava as suas linhas e utilizava a boa movimentação de Borja, Keno e Dudu para confundir a defesa gremista. As melhores chances saíram dos pés dos jogadores mais habilidosos das duas equipes. Everton infernizava Egídio e Juninho e chegou a ter boa oportunidade de abrir o placar, mas falhou na frente de Fernando Prass. E Keno ainda obrigou Paulo Victor a trabalhar no final de um primeiro tempo de muito estudo entre as duas equipes e pouca ação.

Mesmo com o Grêmio avançando a marcação, o Palmeiras foi consistente e deu poucas chances ao adversário. Destaque para a boa movimentação de Borja, Dudu e Keno no ataque alviverde e para o bom trabalho de Tchê Tchê na organização da saída de bola.

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A segunda etapa começou com Dudu abrindo o placar em chute que desviou em Marcelo Oliveira (que já estava deslocado para a zaga) e com o Grêmio se perdendo na partida. Tanto que os outros dois gols do Palmeiras não demoraram a sair, já que o adversário se lançava ao ataque de maneira desordenada e desguarnecia a defesa, permitindo que o ataque alviverde fizesse o que bem entendesse na intermediária gremista. Nenhuma das duas equipes mudou o desenho tático, mas os comandados de Alberto Valentim sobravam dentro de campo. Sem exageros de nenhuma parte. Moisés marcou o segundo aos nove minutos e Dudu ampliou aos dezessete. O volante Michel ainda diminuiu aos trinta e três minutos, mas o jogo ficou nisso. Enquanto Renato Gaúcho apostava em Dionathã e Beto da Silva nos lugares de Luan e Arroyo e virava o foco para o jogo contra o Barcelona de Guayaquil pela Libertadores da América, Alberto Valentim mandou Raphael Veiga, Thiago Santos e Deyverson para o jogo e sacou Moisés, Bruno Henrique e Borja e recolocava o Palmeiras na briga pelo título.

O gol de Dudu logo aos três minutos do segundo tempo desarrumou completamente o Grêmio já muito mexido por Renato Gaúcho no intervalo da partida em Porto Alegre. Com a vantagem, os comandados de Alberto Valentim só administraram o resultado.

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O técnico Renato Gaúcho agora volta as suas atenções para as semifinais da Copa Libertadores da América. O time reserva até que mostrou qualidade no primeiro tempo com boas atuações de Everton, Michel e Luan, mas se perdeu depois do primeiro gol do Palmeiras. Mesmo com o retorno de jogadores como Ramiro, Fernandinho, Arthur, Pedro Geromel e outros, fica o alerta para o jogo complicado diante do Barcelona de Guayaquil no Equador. Marcar gols na casa do adversário será fundamental para as pretensões do Tricolor Gaúcho na competição, a última esperança de título na temporada já que o Brasileirão ficou pra trás com mais essa derrota. Com nove pontos de desvantagem, me arrisco a dizer que o Grêmio está cem por cento focado na Libertadores. Só resta saber como vai ficar a situação do técnico Renato Gaúcho em caso de derrota. A conferir as cenas dos próximos capítulos.

Na segunda posição e a apenas seis pontos do Corinthians (que entra em campo nesta segunda-feira), o Palmeiras voltou a sonhar com o título brasileiro. Depois de um ano conturbado, com três trocas no comando técnico, o time parece ter se encontrado com Alberto Valentim e as suas propostas de jogo mais ligadas ao futebol moderno e, o principal, às características dos jogadores que têm à sua disposição. Bruno Henrique e Tchê Tchê comandaram o meio-campo, Moisés distribuiu bem o jogo e Keno e Dudu infernizaram a defesa gremista. E isso sem falar que nomes como Guerra, Jean, Yerry Mina, Zé Roberto e Felipe Melo ainda podem se muito úteis. Se tiver tempo e paz para trabalhar, Valentim pode não se transformar no treinador dos sonhos da torcida, mas pode dar aquilo que faltava ao Palmeiras: um bom trabalho tático.