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PAPO TÁTICO: Disciplina tática, raça e apoio da torcida, os trunfos do Paraná Clube rumo ao acesso

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Momento chave da partida na Vila Capanema. O Vila Nova se fechava num 4-1-4-1 e via o Paraná Clube abrir o placar com Felipe Alves completando cruzamento de Cristovam numa das primeiras do camsia 18 participações no jogo. Crédito da foto: Tactical Pad

É bom deixar de lado os clubes mais badalados do momento no futebol brasileiro e observar outras competições e outras equipes de vez em quando. Sempre podemos encontrar coisas boas e propostas de jogo interessantes pelo país a fora. Esse é o caso do Paraná Clube. A vitória sobre o Vila Nova nesta terça-feira, na Vila Capanema, pode não ter sido um primor de exibição nos aspectos técnico e tático, mas fez com que a equipe paranista subisse para a segunda posição na tabela do Campeonato Brasileiro da Série B com 56 pontos, seis abaixo do líder Internacional. Além disso, foi possível notar alguns aspectos interessantes do trabalho de Matheus Costa, auxiliar alçado ao cargo de técnico depois da confusa demissão de Lisca Doido no início do mês de setembro. Disciplina tática, velocidade, uma boa dose de paciência e o apoio da sua fanática torcida são alguns dos trunfos do Paraná Clube rumo a um acesso que parece cada vez mais próximo.

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É bem verdade que os comandados de Matheus Costa não fizeram um bom jogo. Aliás, o Vila Nova de Hemerson Maria criou as melhores chances da primeira etapa apesar da tensão dentro de campo pelo peso da partida. Vale aqui destacar a boa movimentação do quarteto ofensivo formado por Matheus Anderson, Alan Mineiro, Alípio e Lourency (que jogava quase como um “falso nove”) e o bom trabalho dos volantes PH e Geovane na saída de bola no 4-2-3-1 proposto pelo treinador do Tigre. Do lado do Paraná, o desenho tático era o mesmo, mas sem a mesma intensidade que o adversário e sem muita movimentação no setor ofensivo. A defesa de Luís Carlos em finalização de Gabriel Dias, o chute de Alan Mineiro (bem defendido pelo goleiro Richard com direito a pose para foto) e o arremate de Alípio que acabou acertando a trave direita do goleiro paranista acabaram sendo os únicos lances de real perigo nos primeiros quarenta e cinco minutos.

Apesar do apoio de mais de dez mil torcedores no Estádio Durival Britto, o Paraná Clube viu o Vila Nova começar melhor o jogo nos primeiros quarenta e cinco minutos. Matheus Anderson, Alan Mineiro, Lourency e Alípio infernizaram a vida de Maidana e Brock. 

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O “dedo” de Matheus Costa foi percebido logo depois do intervalo com o Paraná avançando as suas linhas e fazendo aquilo que o Vila Nova fez na primeira etapa: forçar o erro na saída de bola e para encaixar o passe certo, mas sempre com disciplina tática e compactando as linhas. Mesmo com a melhora da equipe azul e vermelha, o Tigre se segurava e apostava nos contra-ataques. Mas foi a partir das entradas de Giovanny e Felipe Alves nos lugares de Vítor Feijão e Alemão que a equipe paranista melhorou sua produção ofensiva e começou a encurralar a equipe de Hemerson Maria que ainda ensaiou um 4-1-4-1 com o volante Fagner na naga de Matheus Anderson. Aos trinta minutos, em bela jogada do bom lateral Cristovam, a bola desviou na cabeça de Bruno Padro e sobrou para Felipe Alves que não perdoou e marcou o único gol do jogo. Ao Vila Nova restou tentar o empate na base do “abafa”, mas sem nenhum sucesso.

Após o gol de Felipe Alves, Hemerson Maria mandou a sua equipe ao ataque na base do “abafa”, mas encontrou um Paraná bem postado na defesa e pouco criou. Destaque para as atuações seguras de Brock e Maidana no comando da zaga tricolor.

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Talvez o que tenha ocorrido com o Vila Nova tenha sido a popular “síndrome do medroso”, que afirma que afirma com toda a propriedade que “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. Por mais que a substituição tenha feito sentido para Hemerson Maria (que pode ter pensado em congestionar o meio-campo e aproveitar os contra-ataques), a leitura não foi a mais correta e fez com que o Tigre permitisse que seu adversário tivesse o espaço necessário para criar as jogadas de ataque. Impossível não notar também que o único gol do jogo saiu dos pés do lateral Cristovam justo num dos únicos vacilos da defesa alvirrubra na partida (Gastón acompanhou o lateral paranista de longe e Wallyson demorou para aparecer no setor). Coisas do velho e rude esporte bretão, você pode pensar. Mas tudo com uma razão bem lógica para quem tem os olhos atentos aos aspectos táticos de um jogo de futebol.

O sonho do acesso à Primeira Divisão continua bem vivo. O Paraná Clube segue na briga e agora abriu cinco pontos para o quinto colocado (o próprio Vila Nova) e vê o trabalho de Matheus Costa dar resultados depois de um momento bastante conturbado no clube. Nomes como o zagueiro Iago Maidana, o goleiro Richard, o lateral Cristovam, os volantes Vinícius Kiss e Gabriel Dias e os meias Renatinho e João Pedro formam a espinha dorsal de uma equipe que pode não ser brilhante, mas que mostrou entender bem o que é jogar uma Série B e vem se superando a cada jogo diante da sua fanática torcida, essa sim, o grande destaque do Paraná. Afinal, o time não é o melhor mandante da competição por mera obra do acaso. A elite do Brasileirão é logo ali. É só acreditar.