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PAPO TÁTICO: Os três atos de mais uma vitória da Seleção Brasileira

A classificação para a Copa do Mundo de 2018 já estava mais do que garantida. O relaxamento nas últimas rodadas diante de adversários que ainda buscavam conquistar uma vaga para o Mundial da Rússia soava mais do que natural depois de tudo que a Seleção Brasileira passou com Dunga no início das Eliminatórias Sul-americanas. Mas não para Tite. O treinador do escrete canarinho mostrou que tem a equipe na mão e deu pouca importância para os resultados dos seus rivais no continente. Queria ver o Brasil jogando como se ele dependesse da vitória para se classificar. Acabou sobrando para o Chile. O atual campeão sul-americano esteve irreconhecível e parecia contar com o “ovo na cloaca da galinha”. Esqueceu de jogar bola e deu adeus à vaga no Mundial. Esses são os três atos de mais uma vitória brasileira. E que venha a Copa do Mundo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Lucas Figueiredo / CBF

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PRIMEIRO ATO: Enquanto Tite mantinha o seu 4-1-4-1 costumeiro (apenas com as entradas de Marquinhos e Ederson nos lugares de Thiago Silva e Alisson), o técnico Juan Antonio Pizzi armou um 4-2-3-1 mais vertical, com Fuenzalida, Valdivia e Sánchez atrás de Vargas. Vez por outra, Aránguiz se apresentava no ataque como um quarto meia. Mas nem a marcação alta fez com que o Brasil perdesse o controle do jogo (tirando uma cabeçada de Vargas bem defendida por Ederson aos dois minutos). Embora o esquema tático chileno fosse bom no papel, o time jogava muito abaixo do que se esperava dele na prática. Com isso, Neymar, Gabriel Jesus, Renato Augusto e Philippe Coutinho empilharam chances de abrir o placar. Por mais que os comandados de Juan Antonio Pizzi tentassem explorar a descida dos laterais brasileiros, o time parecia não consegui sair do lugar. Ou se dava por satisfeito com os resultados de momento.

Apesar do início movimentado, o desorganizado e espaçado Chile pouco ameaçou a meta de Ederson no primeiro tempo. Os comandados de Tite mantiveram a posse de bola e exploraram bem os espaços no meio-campo adversário. Só faltou o gol.

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SEGUNDO ATO: Juan Antonio Pizzi percebeu que seu time precisava melhorar a marcação na frente da zaga e sacou Aránguiz (mal demais no jogo) para a entrada de Pulgar. Só que o panorama continuou o mesmo: o Chile mal conseguia passar do meio-campo e o Brasil seguia pressionando como se ele precisasse do resultado para se classificar. Conforme o tempo ia passando, as faltas foram ficando mais duras. E mais violentas. Não foram poucas as vezes em que o árbitro equatoriano Roddy Zambrano Olmedo fingiu que não viu os jogadores perdendo as estribeiras. Mas o grande “turning point” da partida aconteceu aos nove minutos da segunda etapa. Daniel Alves cobrou falta de longe (e com muito efeito), o goleiro Claudio Bravo falhou e soltou a bola nos pés de Paulinho que não perdoou. O segundo gol viria dois minutos depois, com Philippe Coutinho encontrando Neymar e este deixando Gabriel Jesus livre para balançar as redes.

TERCEIRO ATO: Nem é preciso muito esforço para concluir que o Chile desmoronou com esses dois gols. Além disso, os resultados deixavam “La Roja” fora do Mundial. Juan Antonio Pizzi tentou o milagre na base do abafa mandando os atacantes Puch e Paredes nos lugares de Fuenzalida e Hernández. Mas o 4-2-4 insano só fez abrir ainda mais a retaguarda chilena e deixando os atacantes brasileiros bem à vontade para explorar os buracos no meio-campo. Ou nem tanto, porque o pau ainda cantava na Allianz Parque. Paulinho e Beausejour “trocaram gentilezas” e só não foram expulsos por conta da “camaradagem” da arbitragem. Neymar, que já havia levado o amarelo no final do primeiro tempo, saiu de campo para não cair na pilha dos adversários. Certo é que o tiro de misericórdia saiu no último minuto, com Willian lançando Gabriel Jesus completar para o gol abandonado por Claudio Bravo segundos antes.

Depois da falha de Claudio Bravo e do “apagão” no início do segundo tempo, Juan Antonio Pizzi mandou o Chile para o ataque num 4-2-4 que fez a alegria de Gabriel Jesus, Willian e companhia. Do lado brasileiro, Tite buscou fazer com que o time mantivesse a seriedade e foi premiado com mais uma vitória. Destaque para a boa atuação de todo o sistema defensivo.

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Por mais que a Seleção Brasileira tenha jogado bem e aproveitado as chances que teve, é difícil não falar da eliminação daquela que é considerada por muitos como a melhor geração da história do futebol chileno. Campeã da Copa América em 2015 com Jorge Sampaoli, campeã da Copa América Centenário já com Juan Antonio Pizzi, “La Roja” pode ter sido a grande decepção dessas Eliminatórias. Pelo menos assim o é para este que vos escreve. Ao mesmo tempo, é impossível não notar as diferenças de um ano para o outro, quando o comando técnico mudou. Não que isso tenha sido o motivo real do vexame chileno, embora os resultados falem por si só. Nas três últimas rodadas, os comandados de Juan Antonio Pizzi perderam para o Paraguai por três a zero (jogando DENTRO DE CASA), perderam para a Bolívia (na altitude de La Paz) e pariram dois filhos pela boca para vencer o Equador dentro de seus domínios. Fica difícil defender e de entender…

A Seleção Brasileira chega com força para a disputa da Copa do Mundo de 2018. Agora é preparar o time nos amistosos que antecedem o Mundial e esperar os sorteios das chaves. Tite conseguiu recuperar o moral do escrete canarinho e devolver a esperança a um grupo que sofreu muito com os 7 a 1 para a Alemanha e estava completamente desacreditado. Se o Brasil está na Copa, muito se deve a ele.