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‘Rival’ de Jeiza, Poliana Botelho fala sobre estreia no UFC e mão pesada de Paolla Oliveira

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Colaborador do Torcedores

Poliana Botelho foi a adversária de Paolla Oliveira no último capítulo da novela A Força do Querer

Crédito: Foto: Reprodução/Instagram oficial de Poliana Botelho

No dia 7 de outubro, quase um ano e meio depois de ter assinado contrato com o UFC, a mineira Poliana Botelho venceu a americana Pearl González em sua estreia na organização. Depois de ficar dois anos parada por conta de uma lesão, a lutadora voltou a entrar no octógono mais famoso do mundo 13 dias depois. A adversária da vez foi Jeiza Rocha.

Poliana participou da gravação da novela ‘A Força do Querer’ e foi a adversária da personagem de Paolla Oliveira, que fez sua estreia fictícia no UFC no último capítulo da novela.

“Acho que eu bati mais na Paolla do que na Pearl [risos]. A Pearl não deixou ter trocação. Mas a Paolla tem uma mão pesada. Ela acertou umas mãozadas em mim, que realmente a mão dela é bem pesada [risos]”, brincou a muriaeense, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, se referindo à sua luta no UFC 216. Naquela ocasião, Pearl González conectou apenas 27 golpes na brasileira em três rounds.

Em maio de 2016, a então campeã do peso-mosca do XFC assinou com o UFC. A mineira chegou a ter luta marcada contra a canadense Valerie Letourneau para dezembro do ano passado. Porém, duas lesões na mão acabaram adiando sua estreia na organização. Durante o tempo que ficou parada, Poliana ainda conviveu com dois dramas familiares: a lutadora perdeu um primo e um sobrinho. Depois de subir ao octógono dançando e sorridente, a atleta saiu feliz pela vitória, apesar da luta amarrada.

“Não foi a luta que eu esperava, mas foi o resultado que eu desejava. Foi pra isso que eu treinei. Então, eu fiquei muito feliz. Acho que o resultado é que importa, você sair de lá com o braço levantado”, comemorou a lutadora.

Depois da estreia no UFC e da aparição na novela, a vida da muriaeense de 28 anos começou a dar uma mudada. Tietada em sua cidade natal, ela mal chegou de férias e já vai ao UFC São Paulo para participar de compromissos do UFC. Além disso, a lutadora ainda teve que se segurar para não dar spoiler sobre o final da novela.

“Nossa, foi díficil. Todo mundo perguntando: ‘E aí, me conta! Você ganhou ou você perdeu?’. Eu falava: ‘Tem que assistir, você tem que assistir o final'”, revelou Poliana.

Confira abaixo a entrevista exclusiva de Poliana Botelho ao Torcedores.com

Sua estreia no UFC foi uma luta bem amarrada. Você disse que queria chegar no UFC com o pé na porta. Como você avalia seu desempenho na luta?

“Eu também esperava uma luta em que eu conseguisse ser mais agressiva, que eu conseguisse impor mais meu jogo. Infelizmente não deu. Mas da maneira que deu, eu ainda consegui mostrar agressividade. Não foi a luta que eu esperava, mas foi o resultado que eu desejava. Foi pra isso que eu treinei. Então, eu fiquei muito feliz. Acho que o resultado é que importa, você sair de lá com o braço levantado. Por ser uma estreia, por estar dois anos parada, acho que foi uma luta boa. Se ela tivesse aceitado a trocação comigo, acho que seria um espetáculo”

Além de ser estreia, você também passou por momentos difíceis quando esteve parada. Isso foi uma pressão a mais dentro do octógono?

“Eu achei que eu estava bem tranquila. Eu estava conversando com o Rafa [Rafael Bertho, seu técnico] que eu estava ficando nervosa, de tão tranquila que eu estava. Eu falei assim: ‘está acontecendo alguma coisa, que eu estou muito tranquila’. Mas eu acho que esse tempo parada me fez crescer e amadurecer muito na minha vida profissional e na pessoal. Acredito que eu não tenha feito cobrança. Cheguei lá com felicidade. Queria só mostrar meu trabalho de dois anos parada. Parada de luta, mas não de treino. Eu só queria mostrar meu trabalho da melhor maneira”

Essa foi sua estreia no peso-palha. Você pretende continuar nessa categoria?

“Foi minha estreia no palha e vou me manter nessa categoria. Nunca me senti tão bem. Nunca me senti tão forte. Nos últimos dias, eu estava batendo manopla super forte. Nunca bati [o peso] tão bem, acho que eu bati mais fácil até que eu batia 57 kg. Eu não sofri praticamente nada”

NR: Poliana Botelho foi campeã do peso-mosca do XFC. A categoria não existia no UFC quando a brasileira assinou com a organização. Em agosto, teve início o reality show The Ultimate Fighter 26, cuja vencedora será a primeira campeã do peso-mosca do Ultimate.

Você inclusive está mais forte e mais seca do que quando você lutava no mosca…

“É, eu estava né? [risos] Acaba que tem que baixar muito peso, a definição acaba sobressaindo. Eu vou me manter com 58 kg, pra perder só uns seis, sete quilinhos para os 52 kg. Vou me manter com o peso baixo para ficar mais fácil e mais profissional”

Já tem planos para voltar a lutar?

“Eu estava querendo ou final de fevereiro ou início de março. Eu acredito que essa seja a data ideal pra voltar o peso, os treinamentos e tudo. Voltei de Minas esse final de semana. Voltei a treinar hoje [terça-feira], mas já vou para o UFC São Paulo, então essa semana é uma semana morta. Começo na verdade na semana que vem”

Tem alguma adversária em mente?

“Já falei da Paige VanZant. Cheguei até a pedir ela, mas é uma pessoa que eu não tenho nada contra, não tem rixa nenhuma. Eu e ela faríamos uma grande luta. Eu acho que o jogo casaria muito bem e a gente faria um belo espetáculo para o mundo todo. Eu tenho vontade de lutar contra ela, mas se o UFC colocar qualquer outra pessoa, eu vou estar bem preparada e pronta para qualquer uma ali dentro”

Depois de estrear no UFC e de participar da novela, já está começando a ser reconhecida pelo público nas ruas?

“Na minha cidade foi muito. Todo mundo parava, queria tirar foto, queria uma coisa ou outra. Foi muito bacana. É gratificante saber que seu trabalho está dando certo. Não só pela luta contra a Jeiza, mas também pela minha luta. A minha cidade [Muriaé] parou. Aqui [no Rio de Janeiro], algumas pessoas também já chegaram a falar comigo. É bacana, é um novo mundo. É super interessante, mas eu fico feliz só de ver que meu trabalho está sendo bem feito, mas não é uma coisa que sobe à cabeça nem nada”

E quem tem a mão mais pesada: a Pearl Gonzalez ou a Paolla Oliveira?

“[risos] Acho que eu bati mais na Paolla do que na Pearl [risos]. A Pearl não deixou ter trocação. Mas a Paolla tem uma mão pesada. Ela acertou umas mãozadas em mim, que realmente a mão dela é bem pesada [risos]”

Durante as gravações teve algum soco ou algum golpe que entrou de verdade?

“Acaba que entra. Por mais que a gente já tivesse montado o que fazer ou não, quando você joga o soco, tem que ser uma coisa mais real, justamente para não ficar uma coisa de ficção. Entraram umas mãozadas dela em mim, eu tenho certeza que entraram algumas coisas minhas nela, mas eu me segurei ao máximo. Ela poderia bater em mim, mas eu não poderia de forma alguma acertá-la, até para não machucar. Mas o que acertou de lá para cá é tranquilo. O ruim era se tivesse acertado daqui para lá [risos]”

Você não achou que o Mário Yamasaki demorou muito para terminar a luta? Ela estava no chão levando golpes sem se defender…

“Acho que demorou porque ela relembrou as coisas. Mas foi bem demorada aquela cena, pra ficar bem real. Ficou bacana, né?”

Como está o MMA da Paolla?

“A gente fez alguns treinos. A gente treinava até na casa dela. Ela tem um tatame lá bacana. Ela está treinando direitinho. Ela falou que já vinha treinando e ela entende um pouquinho de chão. Teve uma situação na luta, numa hora que ela tinha que pegar e realmente tava pegando. Eu falei: ‘meu Deus’ [risos]. E ela troca direitinho. No final, ela realmente fez aquele chute na minha cabeça. Não foi nada de inventado. Todo mundo pergunta se foi montagem. Não, ela chutou minha cabeça mesmo, só que eu defendi, porém caindo. Ela está com a parte de trocação e do chão um pouquinho afiadas mesmo. Acho que dá para ela fazer uma luta aí [risos]”

Paolla Oliveira dá uma guilhotina em Poliana Botelho nas gravações de ‘A Força do Querer’ (Foto: Reprodução/Globo Play)

Você é noveleira?

“Na verdade eu sempre fui. Mas agora depois que eu vim para o Rio, comecei a treinar, minha vida é muito corrida. Quando eu chego em casa, ou eu chego muito tarde e já acabou, ou eu estou morta. Então, não dá tempo por eu estar cansada ou justamente por estar no treino. Eu falo que quando vim pro Rio, eu vim para me dedicar muito mesmo. Eu não consigo ter um outro foco. Final de semana eu tenho um pouco mais de tranquilidade, vejo uma televisão, vou a um cinema. Mas dia de semana, é foco total no treinamento. Eu acompanhei algumas lutas dela da novela. Acompanhei algumas partes, que às vezes eu via pelo celular. Mas não deu muito para acompanhar mesmo a novela. Eu também estava em camp, então foi bem complicado”

O que significa para você ter uma novela, que bateu recordes de audiência dos últimos cinco anos, mostrando o MMA feminino para todo o Brasil em horário nobre?

“A gente vê como é o crescimento do MMA. Eu acredito que não só o feminino, mas também o masculino, mostra um pouquinho do nosso trabalho ali dentro. O pessoal às vezes fala que é só violência, ou que é só o masculino. Então é bom mostrar que as mulheres vêm dominando o mundo em todas as áreas. Eu acho que muita gente não entende, não sabe. Acho que tinha até que mostrar a questão da perda de peso, essas coisas, que eu acho que são umas partes bem interessantes e que, às vezes, as pessoas não entendem. Algumas pessoas só chegam lá e veem o show, que é só você entrar no octógono e lutar. E essas partes de perda de peso e tal, são muito importantes também. Acho que agora, passando igual passou na novela, muita gente vai continuar acompanhando e vai ficar vendo nossa realidade, que isso é um esporte”

Como foi o convite e como foi para você participar da novela?

“O convite veio através do UFC. Eu meio que não acreditei. Eu fui lá treinar com a Paolla, eu fiquei meio assim… Aí ia rolar só no final da novela, no último capítulo. Eu falei: ‘gente, mas nunca vai passar?’. E todo mundo me perguntava se ia passar, quando ia passar. Eu falava que era no último capítulo, mas ficava me perguntando: ‘será que esse trem vai passar?’ [risos]. Mas acabou que fez esse sucesso, todo mundo falou muito bem, foi muito bem feito. Realmente a Globo arrasou e esse capítulo ficou muito real”

Você teve muita dificuldade em não dar spoiler sobre o final da novela?

“Nossa, foi díficil. Todo mundo perguntando: ‘E aí, me conta! Você ganhou ou você perdeu?’. Eu falava: ‘Tem que assistir, você tem que assistir o final’. Até teve uma amiga minha que pediu para mandar um vídeo para passar depois do Fantástico [no programa especial UFC Combate, que foi ao ar no último domingo]. A Ana Hissa [apresentadora, repórter e produtora dos canais Globo] me pediu: ‘Poli, me manda um vídeo falando mais ou menos e no final você coloca se ganhou ou perdeu’. Eu falei: ‘Tá bom, eu vou fazer dois vídeos para você’. Aí eu fiz um ganhando e um perdendo [risos]. Mas eu deixei quieto, não falei para ninguém. Minha mãe assistiu do meu lado no sofá. Aí, antes de acabar a luta, eu falei: ‘Mãe, eu perdi, tá?’. Mas foi só na hora mesmo, ninguém sabia”

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