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“Não era o que a torcida esperava”, diz Pottker fora da briga pela artilharia

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Colaborador do Torcedores

Crédito: William Pottker é o artilheiro do Internacional na Série B - Ricardo Duarte-Internacional

Mesmo atuando pelos lados do campo, o artilheiro do Internacional na Série B do Brasileiro é William Pottker, com oito gols. Atuando em posição diferente da que jogava na Ponte Preta, onde foi o goleador do Brasileirão 2016 e do Campeonato Paulista, o atacante consegue, mesmo assim, ser decisivo dentro de campo.

Sem balançar as redes desde a 24ª rodada, Pottker está no top cinco do Inter quando o assunto é cruzamentos certos, faltas recebidas, finalizações certas, assistências, dribles e pênalti recebido. Em entrevista ao Torcedores.com ele explicou porque não briga pela artilharia da divisão de acesso para o torneio nacional.

“É muito em função da posição que eu jogo. Hoje ajudo mais na parte tática. Na Ponte Preta tinha mais liberdade para ficar na frente e hoje tenho que voltar mais para ajudar a equipe. É claro que a gente sempre quer marcar gols, mas por essas circunstâncias não vamos disputar a artilharia sempre. Por ser atacante e gostar de fazer gols sinto falta de marcar, mas o importante é ajudar o coletivo, e quando isso acontece me sinto bem também. Sinto falta de marcar e brigar pela artilharia, estou ajudando a equipe de outra forma, o que também me deixa feliz”, disse Pottker.

Durante a entrevista William Pottker contou ainda que não tem preferência por posição, falou sobre a ansiedade pela conquista do acesso e comentou sobre seu futuro no Internacional.

Até por estar mais perto do gol, você prefere jogar centralizado?

É muito relativo. Quando você joga centralizado você fica mais próximo do gol, você está ali para fazer o gol, o que hoje o Damião faz muito bem. Quando você joga pelas beiradas tem que auxiliar na marcação e ajudar o lateral a marcar o time adversário. Essa recomposição é importante quando se joga pelos lados e eu tenho feito isso na equipe do Inter. Na Ponte, quando eu disputava a artilharia, jogava mais centralizado e caindo um pouco pelas pontas, fazendo movimentação em diagonal em relação ao gol, mais ou menos o que os atacantes hoje que não são de referência fazem. Então quanto à preferência não tenho. É claro que vai decorrer muito da partida, quando o time joga com a linha muito alta e pressionando o nosso time nós precisamos ter um jogador de velocidade e pelas minhas características eu faço isso bem. Então posso jogar centralizado, mas quando joga um time mais recuado e não tem espaço para fazer movimentação, não ajudaria muito a equipe, porque precisa mais de um centroavante que segure mais os zagueiros e eu não sou esse tipo de cara. O mais importante é jogar e se sentir bem onde você joga e eu me sinto muito bem jogando pelas beiradas no Inter. Tenho oito gols, participei de muitos gols sofrendo pênaltis e dando assistências. Não era o que a torcida esperava, mas era o que eu esperava. Queria chegar, jogar bem, dar assistências e ajudar a equipe.

Quando você chegou no Inter o clima era bem diferente do que você viveu na Ponte. Como foi essa mudança de ambiente?

Realmente fiz um bom ano de 2016 pela Ponte onde atingimos a melhor campanha de todos os tempos dos pontos corridos e logo em seguida fomos vice-campeões do Paulista. Assim, a Ponte e eu vivíamos um bom ano e quando cheguei no Inter senti um pouco a diferença no clima que estava pesado, não no clube, mas sim pelas cobranças da torcida. É claro que a gente sente um pouco, mas são desafios, e nós somos movidos a desafios. Eu quis entrar de corpo inteiro nesse desafio que foi disputar a Série B pelo Inter que sabíamos que não seria fácil. Procurei ter tranquilidade e não me expor muito e trabalhar para colher os frutos.

E porque disputar uma Série B se você vinha de um ótimo momento pessoal?

É uma coisa simples de entender. Eu tinha um acordo com o Corinthians que, não oficializou, e quando resolvemos que eu não iria para lá o Inter foi o primeiro clube a me propor um contrato, antes mesmo de terminar o Paulistão. Isso foi no começo do Estadual e mesmo sabendo que eu iria jogar o campeonato inteiro pela Ponte eles se propuseram a fazer um bom contrato comigo. Eu acreditei na ideia deles e não me arrependo de ter assinado com o Inter. Hoje vivemos um bom momento e continuam as especulações a meu respeito, se fico ou vou embora, e vejo que meu trabalho tem sido valorizado. Se eu ficar estarei feliz, porque vou disputar uma Série A por um grande cube brasileiro. Os objetivos da equipe são títulos e fico feliz de estar em um clube que vai disputar títulos, isso valoriza a carreira e pra mim é gratificante representar o Inter.

Chegaram propostas para você sair do Internacional?

Não de sair, mas fazendo bons jogos as especulações aparecem, apenas especulações. Eu já li algumas coisas de fora do país e até de clubes do Brasil, mas confesso que a minha cabeça não está voltada para isso, até porque quando aconteceu aquele fato com o Corinthians eu pedi para que não me passasse nada se não fosse oficial. Estou tranquilo. Vejo essas notícias na imprensa, mas pelo o bom trabalho que a gente vem fazendo em conjunto, acaba destacando o individual.

Você já jogou no Braga/PT, pensa em voltar para fora do país?

Eu vivi lá e vi o quando é bom morar e jogar na Europa. É um sonho voltar pra lá e disputar uma Liga dos Campões ou da UEFA. É um sonho, mas que realmente não penso agora. Penso no Inter em subir, ser campeão e ficar marcado no clube e futuramente, com um bom desempenho, as coisas vão acontecer.

Vocês estão próximos de conquistar o acesso. Como estão lidando com a ansiedade?

A ansiedade está grande por parte do torcedor e da imprensa. Sabemos que falta pouco, mas ainda não conquistamos o nosso objetivo principal que é o acesso. A gente tem que saber lidar com o que vem de fora, pois querendo ou não a ansiedade te faz cometer erros e a gente não pode cometer erros sucessivamente se não vamos acabar gerando uma desconfiança e isso deixa o acesso mais longe. Continuamos com o mesmo espírito de somar a cada rodada e conseguir o acesso e depois o título.