Futebol

Carrascos da Copa de 50 e ex-botafoguense estavam na primeira eliminação da Itália

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Redação do Torcedores.com

Crédito: Foto: Reprodução/Facebook FIFA World Cup

Por Fábio Piperno (@piperno)

A primeira eliminação da Itália de uma Copa do Mundo teve como personagens os dois carrascos do Maracanazo, um ex-atacante do Botafogo e um campeão mundial de 1938. No dia 15 de janeiro de 1958, a Irlanda do Norte tirou da Itália a chance de disputar a Copa da Suécia ao vencer por 2×1 o confronto decisivo. A Azzurra jogava pelo empate. Entre os italianos o jogo passou para a história como O Desastre de Belfast.

As duas seleções disputavam a vaga pelo grupo 8 das eliminatórias europeias, que ainda contava com Portugal. Com duas vitórias e uma derrota, a Itália chegou em vantagem ao jogo realizado no estádio Windson Park. O técnico da Azzurra era o ex-zagueiro Alfredo Foni, campeão do mundo 20 anos antes.

Famoso pelos esquemas defensivos que implantava nos times que dirigia, o comandante italiano surpreendeu na escalação naquele dia. Foni mandou a campo uma equipe com o armador Schiaffino, o meia Mantuori e um trio de ataque formado por Gighia, Piratelli e pelo brasileiro Dino da Costa. Na decisão da Copa do Mundo de 1950, Gighia e Schiaffino marcaram os gols do Uruguai contra o Brasil.

Naquela época, os jogadores podiam atuar em partidas oficiais por mais de uma seleção. E a Itália tinha tradição em recrutar oriundi, como fizera com grande êxito em 1934. Naquela Copa, a Azzurra contou com os argentinos Orsi, Monti, Guaita, Demaria e com o brasileiro Anfilogino Guarisi, o Filó.

A ousadia de Foni não funcionou em Belfast. Enfraquecida na defesa, em menos de 30 minutos a Itália já perdia por 2×0, gols de Jimmy Mcllroy e Wilber Cush. O outro sul-americano da Azzurra era o brasileiro Dino da Costa, revelado pelo Botafogo no início da década.

Na época, o atacante defendia a Roma, o primeiro dos times em que atuou no país. No segundo tempo, ele foi o autor do gol de honra da Itália, naquela que foi a única vez em que vestiu a célebre camisa azul da seleção, então bicampeã mundial em 1934-38. Com a vitória, a Irlanda do Norte disputou a Copa.

No mundial, os norte-irlandeses avançaram até as quartas-de-final, quando foi eliminado pela França de Fontaine, até hoje o maior artilheiro da história das Copas. Na Itália, o vexame custou a demissão do técnico Foni e uma grande reformulação da seleção. O brasileiro não voltou a ser convocado.

O ex-botafoguense era um atacante com prestígio em alta na Itália. Na temporada 1956-57, Da Costa, como se tornou conhecido na Europa, marcou 22 gols e se tornou o primeiro brasileiro a ser o artilheiro de um campeonato italiano. O destaque no clube da capital despertou a atenção de outros clubes. Após meia década em Roma, Dino da Costa se transferiu para a Fiorentina. Em seguida, passou pela Atalanta, clube que defendeu antes de ser contratado pela Juventus de Turim.

No Brasil, Dino da Costa estreou aos 17 anos e integrou um trio de ataque que ainda contava com os jovens Garrincha e Luís Vinícius. O último também migrou para Itália onde fez sucesso. Jogou no Napoli, Bologna, Vicenza e Internazionale. Da Costa e Luis Vinicio, como este era chamado na Itália, despertaram a atenção dos clubes do país durante uma excursão que o Botafogo fez à Europa em 1955. Após o giro pelo continente, foram contratados por clubes italianos e nunca mais jogaram em equipes brasileiras.

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