Mônica espera voltar ao Brasil e pede direitos iguais entre modalidades no país

Mônica Hickmann
Foto: Getty Images

O futebol feminino no Brasil ainda está distante de se igualar ao masculino, mas a modalidade vem em evolução. Com um Campeonato Brasileiro sendo disputado em duas divisões e cada vez mais clubes participando dos Estaduais, a expectativa para o futuro é animadora.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, a experiente zagueira Mônica Hickmann, novo reforço do Atlético de Madrid, da Espanha, avaliou o futebol feminino disputado em solos brasileiros e revelou em qual clube ainda pretende jogar.

Para uma maior e correta evolução, é necessário que exista um maior apoio dos torcedores, clubes e investidores, assim como uma maior abertura na mídia. Além disso, se faz necessários profissionais especializados no assunto trabalhando na área.

“A modalidade está em uma evolução constante e espero que continue assim. Eu acredito que, para que essa evolução tenha um crescimento ainda maior, 50% depende da parte de mídia, apoio, estrutura, bons e capacitados profissionais educando desde a base e de bons profissionais no comando de grandes equipes. Já os outros 50% dependem de atletas mais disciplinadas consigo mesmas, entendendo que, para sermos tratadas como profissionais, precisamos primeiro agir como tal. Nosso problema é cultural, a mulher vem brigando há anos pelo mesmo lugar que o homem na sociedade.”

Para Mônica, que acumula passagens pelo SV Neulengbach, da Áustria, onde atuou por sete anos, Ferroviária, Flamengo, Orlando Pride e Seleção Brasileira, vencendo muitos títulos, entre eles o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, a luta do futebol feminino no Brasil deve ser por direitos iguais.

“Não vejo mais o preconceito como barreira. O que vejo hoje é uma incerteza de apostar no novo (futebol feminino). Não podemos comparar e achar que vamos ter, um dia, a mesma grandeza que o futebol masculino tem no mundo. Mas podemos, sim, querer direitos iguais de prática do esporte e talvez, um dia, ver escolinhas ou campings cheios de meninas como vejo nos Estados Unidos. E também o orgulho das pessoas quando sabem que uma mulher é atleta profissional de futebol.”

De contrato assinado com o Atlético de Madrid até março de 2018, Mônica Hickmann revelou que gostaria de retornar ao futebol brasileiro. Natural do Rio Grande do Sul, a zagueira pensa em defender o Internacional, que está na disputa do Gauchão e busca uma vaga na Série A2 do Campeonato Brasileiro.

“Eu gostaria muito de poder retornar ao Brasil e, principalmente, ter a oportunidade de jogar nos clubes gaúchos. Como o Internacional, de Porto Alegre, que foi onde comecei. Mas, para isso, a organização das ligas teria que melhorar. Sei que estamos evoluindo e a cada ano conquistando um novo degrau. Temos agora brasileirão Séries A1 e A2, o Brasileiro Sub-20 e Estaduais com cada vez mais equipes, mas ainda não é o suficiente para que eu consiga voltar”, completou.

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Estudante do 8º semestre de jornalismo e amante dos esportes, principalmente o bom e velho futebol. Setorista de Atlético-MG e Futebol Feminino.