Opinião: Afinal de contas, quem é melhor; Palmeiras ou Corinthians, analisando cada jogador, por posição?

O reflexo do clássico ainda respinga nos clubes, ora de forma destruidora em um e extremamente motivadora no outro. O ‘Derby’ se mostra a cada partida, como um divisor de águas, especialmente, em cada competição e muitas vezes, definindo a diferença entre ambas, taticamente, tecnicamente. Como o futebol é inconstante, deve ser levar em questão, o atual ano de cada equipe, e seus respectivos jogadores. Dessa forma, quem é melhor que quem, dividindo atletas por posição, analisando o desempenho tático e técnico e o seu atual momento.

Goleiros: Prass e Cássio

É notório o desenvolvimento e desempenho de Cássio. As convocações feitas pelo técnico da seleção Tite corroboram o atual momento do arqueiro alvinegro. Com a melhor defesa, Cássio tem sido um dos pilares do Timão, ao lado de Pablo e Balbuena. Para o lado alviverde, Prass, como a toda equipe palmeirense, não vem mantendo um bom nível de rendimento, mesmo tendo uma atuação de gala no clássico. Prass vem tendo uma performance irregular com inconstância e as queixas costumeiras de torcedores e comentaristas, o seu posicionamento e forma de jogar, muitas vezes questionada.

Laterais direito: Mayke e Fagner

Ambos tiveram bons e maus momentos no ano. O jogador alvinegro leva vantagem, pelas boas atuações no paulista, especialmente, no primeiro turno. Com a queda de rendimento da equipe mosqueteira, teve como consequência, uma queda acentuada de rendimento. Mayke ainda não diz a que veio no Palmeiras. O ex lateral cruzeirense atua na posição mais questionada pela torcida e colhe os frutos da falta de planejamento de Alexandre Mattos e cia. A insegurança, os erros de passe culminam com a atual conjuntura defensiva do Palmeiras.

Zagueiros: Mina e Pablo.

O defensor palmeirense é tido, como um dos pilares da equipe, mas vive o contraste do ano trágico que se tornou para a equipe alviverde. Como futebol é momento, a proposta da matéria deve ser justa e coerente, pelo o ano e atuação de cada jogador e equipe. Pablo, por sua vez, mesmo com a lesão que o manteve fora por algumas partidas, é a boa surpresa para a equipe de Carille. Suas atuações ao lado de Balbuena chegaram a ser citadas, e até pauta para suposto, zagueiro da seleção brasileira. Com a valorização no mercado, Pablo pode até entrar numa lista de jogador negociável para a próxima temporada, uma vez que o clube que detém os seus direitos, o Bordeaux da França quer uma boa quantia.

Zagueiros: Edu Dracena e Balbuena

Na mesma sintonia do companheiro colombiano Mina, Edu Dracena, tido como um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro vem com uma atuação muito abaixo da média. Mal posicionado, lento e com um problema, extremamente comum, a questão da idade. O zagueiro de 38 anos com boa técnica está muito longe do desempenho de alto impacto, nos tempos de Santos e Cruzeiro. Do lado corintiano, Balbuena é o general do Timão, capitão, líder e fazedor de gols, o defensor paraguaio é a segurança, estabilidade, que se define pela temporada, como fundamental. Ao lado de Pablo, fazem a dupla mais segura do Brasil, estando entre as mais eficientes no certame nacional.

Lateral esquerdo: Guilherme Arana e Egídio

Talvez as posições mais assimétricas no embate entre as equipes. Enquanto, Arana ‘voa’, se mantém em altíssimo nível e mesmo na sua queda de rendimento, ainda conseguiu obter um nível de regularidade. O lateral esquerdo corintiano está concorrendo pela bola prata, como melhor jogador da posição. Clubes da Europa e posteriormente, a seleção brasileira entra no alvo do jovem lateral. Egídio é hoje a incógnita que assola a equipe do Palmeiras, especialmente no aspecto tático, o jogador que está na berlinda há algum tempo por parte da torcida, a cada dia se vê numa encruzilhada, duelando com o diabo, sobre como fugir do calvário palestrino.

Volantes: Bruno Henrique e Gabriel

Curiosamente, ambos jogaram pelos rivais nas temporadas anteriores e tiveram resultados bem similares. Bruno Henrique, no Corinthians, na temporada anterior era conhecido como roubador de bolas. Com a sua saída, a equipe caiu de rendimento, justamente, no setor de meio campo, sofrendo com isso vários gols e se tornando uma equipe instável. O ano passou e o futebol de solidez foi embora intrinsecamente. Em sua volta para o Brasil, Bruno Henrique viveu a ‘bipolaridade tática, técnica’ do Palmeiras. Sua efetividade de marcação e boas chegadas foram se sucumbindo e a sua potencialidade em chutes de meia e longa distância também perderam sua eficácia. Gabriel se mantém desde os Áureos tempos do Palmeiras, como equilibrado e forte na marcação. A impressão ruim causada por trocar um rival foi aceita de forma tranquila e a fiel recebeu de mãos abertas a chegada do volante. A adaptação veio de forma rápida e ao contrário de Brumo Henrique que se sucumbiu juntamente com o Palmeiras. O resultado foi bastante positivo em tão pouco tempo e se manteve com a mesma virtude, polivalência e o ‘cara’ da equipe de Carille

Meio Campo: Tchê Tchê e Maycon

Dois jogadores de potencial que diferem em sua forma de jogar. Tchê Tchê como característica, bom definidor, tem bom chute de meia e longa distância. Não é tão técnico, mas tem a velocidade e as chegadas rápidas, como diferencial. Maycon é mais técnico, atua na criação, melhor passador, joga de forma mais cadenciada. Ambos fizeram uma temporada, apenas regular, o meio campista alvinegro ainda obteve melhores resultados e trouxe consistência para o meio campo, fato esse que passou longe para o lado alviverde.

Meio campo: Moisés e Rodriguinho

Dois jogadores que brindam suas equipes com muito talento e capacidade. Com habilidade e diferentes aptidões, virtudes, se completam. Moisés, o famoso camisa 10, jogador de toque de bola, inteligência e ótimo definidor. Rodriguinho é aquele atleta que flutua como um furacão, uma hora está na direita, outra na esquerda. Sua capacidade de driblar, se infiltrar e finalizar faz de sua habilidade, como única. Moisés, com boa parte da temporada, lesionado, esteve apenas no segundo turno e mesmo apesar do talento, não conseguiu mudar o patamar da equipe. Rodriguinho, ao contrário, e mantendo um primor físico pôde contribuir de forma efetiva, atuando em quase todas as partidas no Timão, sendo destaque em muitas delas.

Atacantes; Dudu e Romero

Se a análise fosse feita no ano passado, Dudu seria unânime, imponente. Mas, como se trata da atual temporada, Romero, o ‘queridinho da fiel’, não é atoa, o jogador mais aclamado pela torcida. O paraguaio atua como polivalente, na composição do sistema defensivo, sob com os laterais, faz um ‘inferno’ na ponta, não tão driblador, mas com bom passe, velocidade, incomoda e muito as equipes adversárias. Dudu é a imagem atual do Palmeiras, verde, verde, só que de raiva, desequilíbrio. O jogador que é inconstante, famoso pelos chiliques com a arbitragem está muito longe do jogador do ano passado que sabia aliar controle, qualidade, inteligência. A braçadeira de capitão de outrora fazia um bem enorme. Hoje tenta se reerguer para colocar o Palmeiras novamente nos trilhos.

Atacantes: Borja e Jô

O duelo mais aguardado e mais constrangedor se é o que o podemos dizer. Borja, atacante colombiano, com pompa de titulo continental, tido por boa parte da imprensa, como melhor atacante da América se tornou a piada de mal gosto, como diz o ditado, o ‘abacaxi’. Suas atuações abaixo da média e ainda a não adaptação ao Brasil fizeram com que o atacante ficasse cada vez mais inseguro. A falta de oportunidade do ex-mandatário palmeirense, o técnico Cuca, que deixou o atleta no banco em boa parte do ano, ajudou para esse momento tão ruim. Já Jô vinha com a desconfiança que só foi mudando com o decorrer da temporada. As boas atuações, muito acima da média, o faro de gol, especialmente, nos clássicos contra os rivais paulistas reacendeu o talento do atacante que defendeu a seleção na última copa. Com o status de um dos maiores goleadores do ‘Brasileirão’, Jô ainda sonha com a volta à seleção.

Atacantes: Keno e Clayson

O duelo dos maiores dribladores de suas respectivas equipes. Keno e Clayson são as figuras que representam a ‘molecagem’ do futebol, habilidosos, podem a qualquer momento mudar o panorama de uma partida. Ambos vivem histórias bastante distintas. Enquanto Clayson era o coringa destemido, que entrava nas partidas e mudar não só o script., mas o resultado como um todo da equipe. O até então ‘Coringa’ é hoje, um atacante com vigor, velocidade e senso coletivo, sabe exatamente a hora de driblar e aonde. Jadson com atuações medianas foi perdendo o seu espaço e o jovem atacante não perdeu a chance, agarrou com unhas e dentes. Keno com apelido sugestivo, ‘Kenaldinho’, fazendo alusão ao Ronaldinho, pela técnica e poder de improviso acabou virando uma sombra ‘dantesca’ do que foi o verdadeiro Ronaldinho.

Perdido como toda equipe alviverde, atuou de forma imprecisa, mal posicionado e até o drible, como trunfo, acabou se tornando uma mera ‘enceradeira estragada’.
Com todos os ingredientes que apimentam as equipes, um fator é diferencial: Corinthians com cofres vazios tentou de forma emergente manter bases mais simples e uma aposta que deu muito certo, a permanência o técnico Fábio Carille. Já o Palmeiras vive o hiato de um planejamento conciso, com boas ideias e o uso do dinheiro, com inteligência e capacidade, sem as demasias. O clube alviverde, ao meu ver, quer retornar o período Parmalat, gastar milhões, montar verdadeiros esquadrões; Só esqueceram de uma coisa: os tempos são outros. O futebol nivelado e competência se faz muito mais com boas ideias, do que literalmente ‘jogar dinheiro fora’, acreditando ser a única resposta para os títulos e os bons resultados.