Opinião: Por que o ‘Derby’ paulista é o maior e mais importante clássico do estado?

Quando se fala em clássico brasileiro, especialmente, no estado de São Paulo, logo o que vem na cabeça de grande maioria de torcedores é o embate entre Corinthians e Palmeiras. O ‘Derby’ paulista como é conhecido completou 1 século e uma história que está muito além dos gramados.

Artur de Figueiredo
Jornalista/ Especialista em Comunicação- Com mais de 10 anos de experiência com atuações em diversas plataformas. Desde a graduação venho atuando, como colaborador de diversas mídias. Em 2008, comecei a escrever para o maior portal de Rock e Heavy Metal do país, o Whiplash.net. No mesmo período, me ingressei como apoiador da cena cultural, artística, em especial, de São Paulo e região metropolitana, estive na redação do Stay Heavy. Posteriormente, tive a oportunidade de escrever também como colaborador da maior revista segmentada de Heavy Metal e Classic Rock, a Roadie Crew. Já na área esportiva, como jornalista de esporte Olímpico, tive o privilégio de atuar diretamente nas reportagens, comentários, sendo setorista de Sada Cruzeiro, Sesi São Paulo e Pinheiros, com foco sempre no voleibol. Redator e repórter do site mineiro: Virtuai.com, além do Portal Torcedores.com. No rádio, atuei como comentarista da Metropolitana AM 1070 e Garota FM 87.5. Atualmente, sou colaborador da rádio Poliesportiva. Continuo de forma ativa, buscando conteúdo exclusivo de qualidade, para todos amantes do esporte, contribuindo com informação de relevância para as demais plataformas. Finalizando, atuei como Assessor de Imprensa do clube União Mogi Futebol Clube e colunista do jornal Gazeta Regional. Sempre em busca de novos desafios, aberto ao crescimento, ao desenvolvimento profissional, especialmente, o crescimento humano, em cada área almejada.

Entendam o porquê…

Ambos os clubes surgiram de uma dissidência de empregados italianos, que fundaram as equipes. Essa história foi desmentida pelos historiadores das respectivas equipes. Entretanto, vários pontos culminam que Corinthians e Palmeiras, apesar de serem tratados como inimigos mortais. Sempre foram muito mais que irmãos que amam se odiar, mas não vivem um sem outro. O Portal do Globo Esporte conseguiu através de registros corintianos que a ligação entre as equipes vem desde sua formação.

“Raphael Perrone, um dos operários responsáveis por fundar o Timão, em 1º de setembro de 1910, virou sócio e até diretor do Palestra Itália nos anos 30. Ou seja, mais de 15 anos depois da fundação do clube alviverde, criado em 26 de agosto de 1914. Seu irmão, Giuseppe Perrone, chegou até a presidir os palestrinos nos anos 20”, apura o Portal.

O Corinthians com o discurso mais popular, sempre buscou atingir diferentes grupos, colônias, sem se apegar a ideologias. Por essas e outras, não houve algum separatismo, intrínseco a esse contexto. Então era comum ter em seu grupo, diferentes torcedores, de agremiações diferentes. Já o Palmeiras vem com outra nomenclatura e conceitos definidos, um clube que representasse os imigrantes italianos. Era comum diretores serem sócios de outras equipes. A rivalidade era muito diferente do que se define hoje.

‘Palestra Itália”, como era conhecido, veio a se confirmar na década de 40, mais precisamente no ano de 1942, por conta da 2ª Guerra Mundial. a rivalidade foi crescendo ano após ano, mas sempre com o discurso respeitoso que permeia a relação entre os clubes.  É comum, em tempos de redes sociais, as famosas chacotas, ‘os memes. Mas, quando se pergunta para um palmeirense ou corintiano, de forma velada, ambos engrandecem uns aos outros. A prova que os clubes faziam uma parceria, até algo raro, se comparado a hoje, uma ‘irmandade’. Na ocasião, o time do Parque São Jorge cedeu ao rival alguns atletas. Em 1915, a equipe alviverde obteve alguns jogadores emprestados pelo o Corinthians, dentre eles: Fúlvio, Police, Bianco, Américo e Amílcar.

A rivalidade cresceu de forma acentuada na década de 60 e 70, o Palmeiras tinha um verdadeiro esquadrão, liderada pela trupe de Da Guia e cia, conquistaram vários títulos, entre eles: campeonato paulista, Taça Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedroza, entre outros. O Corinthians vivia o hiato de títulos, com o famoso jejum que perduraram 23 anos, conquistado apenas em 1977 sobre a Ponte Preta, na decisão do estadual, tida para muitos, como a mais importante da história do clube.

No meio desse jejum, havia o rival, como uma pedra no sapato. Com o gol de Leivinha em 74, ampliava ainda mais o calvário corintiano, que teve como consequência a saída do ‘príncipe do Parque’, o craque Rivelino, que acabou sendo expulso e transferido para a equipe do Fluminense. Os anos que se sucederam foram de total rivalidade, especialmente na década de 90. Os palmeirenses comemoraram a era de títulos, o bicampeonato nacional (93,94), respectivamente, vários estaduais, o mais emblemático de todos: a conquista de 96, que se firmou como o ataque de mais de 100 gols. A equipe que tinha vários jogadores de seleção, como: Rivaldo, Muller, Djalminha, Luisão, Mazinho, Flávio Conceição, Amaral, Evair, Edmundo, os goleiros Veloso, Sergio e posteriormente, o ídolo maior, o arqueiro Marcos, vieram pra fidelizar a paixão e as conquistas que vieram consequentemente, além de nomes importantes, como: Roque Júnior, Paulo Nunes e Oséas.

A década de 90 e o clássico ‘Nitroglicerínico

O título da Libertadores de 1999 encerrou a era vitoriosa com a parceira Parmalat. Após o momento de euforia, vieram às frustrações e a saída da investidora Master, foi efetivada. Dois descensos no novo século e uma equipe estagnada, presa totalmente ao passado. Em meio ao caos e as conquistas, o que se acirrou nesse período foi a rivalidade com o Corinthians. O timão havia perdido o título nacional para o rival em 94. No ano seguinte, o alvinegro deu o troco, na conquista do paulista, com o gol do Elivélton, o conhecido ‘gaguinho’. Em 1997, o Corinthians eliminou o Palmeiras nas semis do campeonato paulista.

O ponto mais visceral do clássico se deu em 99, quando ambos se encontraram, na decisão do paulista e na semifinal da Libertadores. Como o torneio Sul Americano aconteceu anteriormente, a classificação palestrina, se deu com o herói da época, o goleiro Marcos, grande destaque da classificação defendeu as cobranças de Dinei e Vampeta, colocando o alviverde na decisão e levando a equipe a primeira conquista continental. Após o momento ápice, haveria outra final, com o ‘hermano de outrora’. O Palmeiras foi ao gramado pintado da cabeça aos pés de verde, foi questionado pelo o rival que há algumas semanas havia sido eliminado pelo o mesmo. Através desse fato, surgiu um momento que definiria de forma explicita, o embate entre as equipes.

Leiam abaixo….

O Corinthians jogava por um empate, por ter vencido a primeira partida. O que muita gente não esperava na aquela altura da partida, eram as embaixadinhas de Edilson, após o gol de empate de Ricardinho. As famosas embaixadinhas do ‘capetinha’, não só acendeu, como literalmente, inflamou a todos que lá estavam. A pancadaria deflagrada mostrou para o mundo que a rivalidade entre Palmeiras e Corinthians estava num patamar muito acima do que a imprensa mundial imaginava. O título paulista conquistado pelo o alvinegro sempre é colocado como uma fagulha para um barril de pólvoras do que se tornou o ‘Dérby’.

Às 17 horas (05), mais uma vez, as equipes se encontram para uma ‘pré final’, com a vitória do Palmeiras, a distância pode cair para 2 pontos. Para o lado corintiano, uma vitória simples, praticamente, acaba com as pretensões do rival para o título nacional. Na noite do último sábado (04), o Santos venceu o Atlético mineiro e ficou a 3 pontos do líder Corinthians, colocando mais pressão nas equipes, em um clássico que é aguardado como uma verdadeira decisão, de forma literal.

Verdade seja dita, a rivalidade é a pimenta que celebra essa relação. A pimenta que arde, machuca, mas que cura, faz valer a pena e celebra o maior e mais importante clássico do estado. A emissora americana CNN em uma matéria especial citou o Dervy paulista, como o nono mais importante do planeta, o segundo das Américas e o único que se enquadra, como um dos maiores embates do futebol mundial.