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PAPO TÁTICO: Lentidão e falta de criatividade, os grandes problemas da Seleção Brasileira contra a Inglaterra

Caros amigos, concordo plenamente que um amistoso internacional serve para se observar jogadores, analisar diferentes situações de jogo e testar jogadores e esquemas táticos. O resultado (esta “entidade” dita o ritmo das contratações e avaliações de times de futebol no mundo todo) acaba sempre ficando em ficando em segundo plano. Ainda mais quando os números mostram que o trabalho vem sendo realizado de maneira séria e eficiente. Por outro lado, eles também servem para alertar os mais otimistas de que as coisas podem não estar saindo como o planejado. O empate sem gols da Seleção Brasileira contra a Inglaterra mostrou que Tite precisa pensar bem sobre a sua proposta de jogo. A tal “equipe ideal” foi lenta nas transições e acabou se perdendo diante da famosa linha de cinco defensores (coisa que eu e você vamos ver com frequência na próxima Copa do Mundo) além de mostrar alguns problemas na recomposição e na leitura das jogadas de ataque. Não será surpresa nenhuma se Tite repensar muita coisa em 2018, incluindo o posicionamento da equipe e até mesmo troca de jogadores. Principalmente no meio-campo. A conferir.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Disposição das duas equipes ao final da partida. A Seleção Brasileira melhorou com as entradas de Fernandinho, Roberto Firmino e Willian, mas seguiu esbarrando na boa marcação inglesa e na insistência em conduzir a bola diante de uma linha de cinco defensores.

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A Seleção Brasileira entrou em campo armada naquele 4-1-4-1 que eu e você nos acostumamos a ver nos últimos meses. Só que as coisas não funcionavam como o planejado. Neymar carregava demais a bola, Renato Augusto não conseguia dar sequência às jogadas, Philippe Coutinho seguia sem muita inspiração e Gabriel Jesus tentava (sem sucesso) fazer o papel de pivô no setor ofensivo. Tudo por conta do 5-3-2 de Gareth Southgate, que bloqueava os lados do campo, negava espaços ao ataque brasileiro e evidenciava uma das grandes dificuldades que o Brasil terá na Copa do Mundo: furar retrancas. O escrete canarinho só levava perigo real ao gol de Hart quando Paulinho aproveitava a movimentação dos jogadores de frente e infiltrava e chegava como “elemento surpresa”. Com tanta gente no meio-campo, a criação ficou a cargo de Marcelo e Daniel Alves que, por sua vez, pouco acrescentaram.

Disposição das duas equipes no início do jogo. Mesmo com sete desfalques, o time comandado por Gareth Southgate negou espaços aos comandados de Tite e ainda levou perigo com Rashford. As dificuldades da Seleção Brasileira eram claras e evidentes.

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Falando especificamente da linha de cinco defensores, preparem-se para ver essa formação com frequência no Mundial da Rússia. Esse desenho tático (popularizado por Antonio Conte no Chelsea campeão inglês de 2016/17) se mostrou bastante eficiente para lidar com equipes que gostam de carregar a bola e criar jogadas pelos lados do campo. Para se vencer tal esquema, no entanto, é preciso mais velocidade e movimentação para se quebrar e bagunçar as linhas defensivas. Só que a Seleção Brasileira acabou pecando conduziu demais a bola e infiltrou pouco. Principalmente Neymar, Philippe Coutinho e Renato Augusto. Não por teimosia ou por falta de qualidade com a bola nos pés, mas por ser essa a característica desses jogadores. Era preciso infiltrar mais, se movimentar entre as linhas e quebrar esse sistema com muito mais velocidade do que os comandados de Tite utilizaram no jogo de Wembley. Mesmo sendo um amistoso, é algo que merece atenção do treinador brasileiro. Ainda mais com a Copa do Mundo cada vez mais próxima.

A famosa linha de cinco defensores que travou o Brasil no amistoso desta quarta-feira em Wembley. A tendência é que esse esquema tático seja utilizado por muitas seleções na Copa do Mundo da Rússia. Crédito da foto: Reprodução / TV Globo.

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O empate sem gols contra o English Team ainda trouxe à tona um outro problema da Seleção Brasileira. Já é conhecido por todos que Tite quer que Neymar assuma um papel semelhante ao de Cristiano Ronaldo no Real Madrid comandado por Carlo Ancelotti, saindo da esquerda para o centro para decidir as jogadas num 4-3-3 que se transforma num 4-4-2 sem a bola com Renato Augusto fechando o lado esquerdo. A grande questão está em dois pontos: na falta de combatividade do camisa dez e na lentidão da recomposiçao das linhas defensivas. No primeiro tempo, Rashford aproveitou um cochilo do meio-campo brasileiro e arriscou de fora da área para a defesa segura de Alisson. Mas notem bem no frame abaixo. Casemiro deixou sua posição para conter o camisa onze e Renato Augusto abandonou sua posição abrindo um buraco na esquerda. Caso o atacante do Manchester United tivesse levantado a cabeça e visto que Loftus-Cheek chegava pelo outro lado, a Seleção poderia ter tido problemas sérios. Mais um ponto que merece a atenção de Tite.

A recomposição defensiva da Seleção Brasileira apresentou alguns problemas no empate contra a Inglaterra. Falta mais coordenação nas linhas defensivas e disciplina tática em alguns momentos. Principalmente no setor ofensivo. Crédito da foto: Reprodução / TV Globo.

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A Seleção Brasileira melhorou um pouco com as entradas de Willian, Fernandinho e Roberto Firmino nos lugares de Philippe Coutinho, Renato Augusto e Gabriel Jesus. Com o camisa 19 mais à direita, Neymar pôde guardar posição e atrair a marcação para seu lado. As chances de gol apareceram com mais movimentação e melhor leitura de jogo com as substituições promovidas por Tite, mas nada que realmente mudasse o panorama da partida. Mesmo assim, o Brasil não esteve numa noite lá muito feliz e mostrou que precisa melhorar em alguns pontos se quiser fazer realmente bonito na Rússia. Sim, um amistoso serve para testar, observar e analisar. É o momento certo de errar. Mas o tal “onze ideal” de Tite não foi bem num jogo que acabou sendo bastante morno para a história de um Brasil X Inglaterra. Mesmo com os desfalques do adversário e com todo o potencial que eu e você sabemos que Neymar e companhia possuem.

Disposição das duas equipes ao final da partida. A Seleção Brasileira melhorou com as entradas de Fernandinho, Roberto Firmino e Willian, mas seguiu esbarrando na boa marcação inglesa e na insistência em conduzir a bola diante de uma linha de cinco defensores.

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Um ponto positivo foi o comportamento da defesa apesar das já citadas falhas (esporádicas) na recomposição. Casemiro e Miranda estiveram muito bem e quase não cederam espaços a Vardy e Rashford. Marcelo foi bem na lateral e ainda se juntou a Daniel Alves na criação de algumas jogadas. O que preocupa este que vos escreve é a insistência de Tite em alguns jogadores e a ausência de alternativas no elenco. Difícil não pensar no equívoco de Dunga em 2010, quando ele tinha um bom onze incial, mas acabou sucumbindo diante da Holanda quando precisou mexer no time titular. Falta a Tite uma opção que mexa com toda a estrutura, algo que surpreenda o adversário e faça a Seleção Brasileira adotar diferentes estilos de jogo. E numa Copa do Mundo (um torneio com apenas sete jogos) é preciso ter um bom repertório.

Uma alternativa pode ser a entrada de Willian no lugar de Renato Augusto com Philippe Coutinho jogando por dentro no 4-1-4-1 usual de Tite. Ou Neymar jogando como “falso nove” num 4-2-3-1 mais ortodoxo. Ou ainda mantendo o camisa dez atrás de Gabriel Jesus e outro atacante mais veloz (Firmino?) e se movimentando entre as linhas do adversário. Ou até pensar em novos nomes principalmente para o meio-campo da Seleção Brasileira. São alternativas para Tite pensar durante o período de férias e voltar com força total em 2018. Afinal, a Copa do Mundo não perdoa falta de imaginação.