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PAPO TÁTICO: Organização, intensidade e boa pontaria, os trunfos do Vasco na virada sobre o Santos

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Nelson Costa / vasco.com.br

Certas atuações numa temporada merecem ser lembradas por muito tempo e utilizadas como modelo daquilo que se espera de um time de futebol. Organização, intensidade, ousadia e boa pontaria (sim, boa pontaria) são alguns dos requisitos necessários para se chegar a um triunfo. Principalmente na casa do adversário. Esse é o caso da virada do Vasco sobre o Santos nesta quarta-feira. O time comandado por Zé Ricardo surpreendeu muita gente e adotou uma postura ousada e agressiva dentro da Vila Belmiro (postura essa bem diferente da partida tenebrosa contra o Vitória no domingo passado) e conquistou um resultado importantíssimo na briga pelo G7. Valeu pelas boas atuações de Wellington, Paulinho, Gilberto, Henrique, Nenê e Evander. Aliás, o garoto da camisa 20 mudou completamente o jogo e iniciou a reação do Vasco com uma bomba de fora da área. Uma atuação para não se esquecer tão cedo e aprender bastante com ela.

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Vasco e Santos entraram em campo armados num 4-2-3-1 bem semelhante. Do lado cruzmaltino, Nenê era o principal organizador das jogadas no meio-campo e contava com Yago PIkachu e Paulinho jogando pelos lados e com a chegada de Wellington como “elemento surpresa”. Do lado santista, todas as bolas passavam por Lucas Lima, que ditava o ritmo da partida com Bruno Henrique e Arthur Gomes pelos lados e Renato e Alisson se revezando nas subidas ao ataque. Para a surpresa de muitos, o Vasco adotou uma postura mais agressiva, abusando das jogadas pelos lados do campo (principalmente com Paulinho e Gilberto pelo lado direito) e obrigando Wanderlei a mostrar porque é um dos melhores goleiros em atividade no país. O Peixe, no entanto, seguia jogando no “modo aleatório”, mas com mais controle de bola e atenção nos passes do que nos tempos de Levir Culpi e também ameaçou a meta vascaína. Apesar do jogo movimentado, o zero não saiu do placar no primeiro tempo.

Santos e Vasco entraram em campo armados de maneiras bem semelhantes. Mas o 4-2-3-1 de Zé Ricardo mais organizado do que o de Elano e o Trem Bala da Colina surpreendeu o Peixe no primeiro tempo com boas jogadas pela direita com Paulinho, Gilberto e Nenê.

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Cinco minutos depois da saída de Gabriel Felix (lesionado) para a entrada de Jordi, o Santos abriu o placar com Ricardo Oliveira aproveitando cochilo de Breno na cobertura. Essa foi a senha para Zé Ricardo fazer a substituição que mudaria os rumos da partida. O volante Jean deixou o campo para a entrada de Evander, meia-atacante de origem. O Peixe passou a ter enormes dificuldades para qualificar a saída de bola e começou a cozinhar o jogo, esperando aproveitar alguma chance nos contra-ataques. O Vasco, que não se desarrumou com o gol e seguia pressionando, chegou ao gol de empate com o já citado Evander acertando um belo chute de fora da área. Oito minutos depois foi a vez de Nenê balançar as redes em “cobrança de falta de manual” e decretar a virada. E isso tudo sem desfazer o 4-2-3-1 de Zé Ricardo e jogando com bastante intensidade nas tramas ofensivas. Elano tentou reoxigenar o Peixe com as entradas de Copete e Kayke, mas sem nenhum sucesso. Se o Santos seguia no “modo aleatório”, o Vasco foi mais organizado e mais competente.

Zé Ricardo mudou o jogo com a entrada de Evander no meio-campo e o Vasco virou o jogo com dois belos gols. Já o Santos não conseguiu segurar o adversário mesmo jogando num desorganizado 4-1-3-2 com Bruno Henrique e Kayke na frente.

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O resultado foi excelente para o Vasco, que segue na briga por uma vaga no G7. Já o Santos acabou perdendo a segunda posição para o Grêmio e viu a distância para o Corinthians aumentar para nove pontos. Aliás, fico aqui me perguntando o que se passa com o time do Peixe. O elenco não é ruim, a base tem revelado bons jogadores, mas parece que o time não engrena. E isso sem falar nas trapalhadas da diretoria santista que não consegue lidar com as exigências da torcida e organizar o clube. Quando não é a demissão do treinador é um atleta que pede rescisão contratual na Justiça. E isso sem falar no “modo aleatório” que tomou conta da equipe. É difícil enxergar um padrão tático apesar da nítida melhora depois da chegada de Elano. Mas ainda é preciso fazer mais do que simplesmente passar a bola para Lucas Lima e viver de lampejos individuais de Ricardo Oliveira e Bruno Henrique. O título ficou ainda mais difícil depois dessa derrota.

Com o resultado de hoje, Zé Ricardo mostrou que pode contribuir muito na briga pelo G7. Num momento em que vemos partidas e mais partidas com times pensando em não perder, o técnico cruzmaltino foi ousado e pediu a seus jogadores que não se intimidassem com o adversário e buscassem o gol a todo instante. O balanço é mais do que positivo. Ainda mais quando relembramos as primeiras partidas do time no Brasileirão. É lógico que o time ainda tem problemas. Andrés Ríos conseguiu errar tudo o que tentou na vitória sobre o Santos e Yago PIkachu parecia fora de sintonia em alguns momentos. Tanto que Zé Ricardo sabe que o elenco que tem à disposição é bem limitado e que vai precisar tirar leite de pedra nos demais jogos. Mesmo assim, o G7 não é um sonho impossível. Ainda mais com o Vasco retornando a São Januário. Quem sabe?