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Tragédia da Chape: Como estão os sobreviventes após um ano do acidente?

Dia 29 de novembro de 2016 não foi um dia nada feliz, seja para quem acompanha futebol ou qualquer outro esporte. A data marca a ‘Tragédia da Chape’, quando houve a queda de um avião que transportava a delegação da equipe para o jogo de ida da final da Copa Sulamericana, na Colombia, contra o Atlético Nacional. Das 77 pessoas que estavam a bordo, apenas seis sobreviveram.

Daniel Gois
Estudante de jornalismo da Universidade Católica de Santos. No Torcedores desde janeiro de 2017, escreve sobre futebol, basquete, formula 1 e eventualmente games.

Crédito: Youtube.com

Os sobreviventes foram Alan Ruschel, Neto, Jakson Follmann (jogadores da Chapecoense), Rafael Henzel (jornalista da Rádio Oeste Capital FM), Erwim Tumiri e Ximena Suárez (técnico de voo e comissária de bordo, respectivamente). Um ano após o acidente, o Torcedores.com mostra como estão os sobreviventes da tragédia.

Alan Ruschel


*Foto: Scoopnest

Alan Ruschel foi um dos primeiros sobreviventes confirmados, durante a apuração das vítimas do voo. O jogador sofreu uma fratura em uma vértebra colunar e corria o risco de ficar paraplégico, algo que foi descartado posteriormente. Após uma longa recuperação, Alan voltou aos gramados no amistoso contra o Barcelona, no dia 7 de agosto de 2017.

O jogador continua treinando e jogando pela Chapecoense, tendo entrado em campo cinco vezes pelo Campeonato Brasileiro deste ano. A volta aos gramados em partidas oficiais foi no dia 13 de setembro, no empate com o Flamengo. Em entrevista dada recentemente ao Estadão, Ruschel comentou sobre o acidente e deixou uma mensagem para os telespectadores:

“Eu sempre serei um dos sobreviventes da Chape. Sempre que falarem de mim, terá esse sentimento. Mas quero deixar claro que não peço piedade nem quero ser o coitado da tragédia. Quero ser tratado como qualquer outro atleta de futebol e conseguir voltar a jogar em alto nível, como já fiz. A mensagem que eu posso deixar para as pessoas é que elas aproveitem ao máximo a convivência com quem está ao seu lado, familiares e amigos. A gente nunca sabe o que vai acontecer daqui dez minutos”, disse Ruschel.

Neto


*Foto: Metropoles

O zagueiro Neto foi o último sobrevivente confirmado durante a tragédia, e foi um dos que mais chamou a atenção pelo estado crítico em que se encontrava.

O jogador tem 32 anos e ainda está em processo de recuperação física para voltar aos gramados. Problemas, como uma cirurgia na vesícula e um tratamento no ligamento do joelho direito, impediram Neto de jogar em 2017.

Em entrevista recente ao site catarinense Clicrbs, Neto falou sobre a tragédia e comentou sobre sua futura volta aos gramados:

“O que sofri foi grave. Fui o último a ser encontrado, em estado crítico. Quase morri no hospital. Depois de tudo que aconteceu, estar aqui, vivo, não há o que questionar. Falta muita coisa para voltar a jogar. Uma coisa eu sei, e o médico disse: Eu tenho condição de voltar. Então, eu vou lutar por isso”, disse Neto.

Jakson Follmann


*Foto: Terra

O agora ex-goleiro Jakson Follmann completa o trio de jogadores da Chapecoense que sobreviveram ao acidente. Follmann, 25 anos, teve parte de sua perna direita amputada, encerrando assim a sua carreira no futebol.

O ex-jogador, no entanto, viveu um 2017 de homenagens e celebrações. Desde março, Follmann é embaixador da Chapecoense, atuando em eventos beneficentes e ações publicitárias. Também recebeu o Prêmio Brasil Mais Inclusão, da Câmara dos Deputados, em virtude da superação de seu acidente.

Em um relato feito em agosto ao The Player’s Tribune, Follmann contou sobre o que lembra do momento do acidente:

“Quando a polícia chegou lá, algumas pessoas que estavam gritando por ajuda antes… eles não estavam gritando mais. Ou suas vozes estavam muito fracas. Foi um momento muito, muito triste. Mais tarde, o sargento me disse que foi a cena mais horrível que ele testemunhou na vida. Ele tentava me levantar pelas costas, mas não conseguia porque eu estava sentindo muita dor. E meu pé esquerdo estava pendurado apenas pelos tendões”, disse Follmann

Rafael Henzel


*Foto: Gospel Prime

Rafael Henzel completa a lista de brasileiros que sobreviveram ao acidente. O jornalista é narrador de Chapecó e estava entre os cerca de vinte e cinco jornalistas que iriam cobrir a Chape em Medellin.

Hoje, Henzel continua seus trabalhos como jornalista e realizando coberturas sobre a Chapecoense. Durante o acidente, sofreu fraturas em sete costelas e no pé direito. Em entrevista dada recentemente ao SporTV, Henzel comentou sobre a tragédia da Chape e lembrou de outros acidentes fatais envolvendo o mundo do esporte:

“Sem ser presunçoso, somos seis milagres. É uma data muito difícil para todos nós, mais para quem perdeu, obviamente, mas uma data muito feliz para mim particularmente e creio que para a vida dos sobreviventes também. A gente teve o Torino em 49, o Manchester, mas esse… da maneira como foi… 71 pessoas perderam a vida, e você estava lá dentro. É algo surreal, é surreal, eu e os meus cinco irmãos de morro, que nasceram e renasceram comigo lá”, disse Henzel.

Erwim Tumiri


*Foto: Divulgação

O boliviano Erwim Tumiri era um dos funcionários da LaMia, empresa de aviação que transportava a delegação da Chapecoense. Ele foi o primeiro dos seis sobreviventes a receber alta, quatro dias após o acidente.

Tumiri continua seguindo sua profissão, como técnico de voo. Em entrevista concedida à imprensa boliviana na época, Tumiri afirmou que sobreviveu ao acidente por seguir as recomendações de segurança do avião e estar em posição fetal:

“Sobrevivi porque segui todos os protocolos de segurança. Com a situação de pânico, muitos se levantaram dos assentos e começaram a gritar. Coloquei umas malas entre as pernas e fiquei na posição fetal, recomendada para acidentes”, afirmou Tumiri.

Ximena Suárez


*Foto: Divulgação

A também boliviana e comissária de bordo Ximena Suárez completa a lista de sobreviventes do voo LaMia 2933. Ela teve lesões nos membros inferiores e também sofreu com depressão, durante a recuperação do acidente.

Hoje, Ximena atua como modelo e segue vivendo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Também recebeu diversas homenagens da Chapecoense e, inclusive, uma camisa autografada (foto)

Em entrevista recente ao Globoesporte.com, Ximena comentou sobre a recuperação do acidente e os seus sentimentos.

“Vinha de uma depressão muito forte e os psicólogos disseram que podia me ajudar. E realmente ajudou. Foi um ano de recuperação com muita terapia, momentos de dificuldade. É uma benção receber essa segunda chance de conviver com minha família, meus filhos, vê-los crescer.”

“Minha vida é dividida entre antes e depois do acidente. Era uma garota festeira e mudei. Sou mais apegada a Deus e minha família. Dou importância a coisas que não dava e penso no futuro, no propósito de estar aqui. Tenho uma missão. Quero crescer como pessoa, ajudar ao outro”, completou Ximena.