Vôlei

Conheça Vanessa Janke, a jogadora em extinção do Pinheiros

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Vanessa é a ponteira passadora do Pinheiros - Foto: Rafinha Oliveira

Catarinense de Pomerode, a cidade que é conhecida como a “mais alemã do Brasil”, 26 anos e na segunda temporada no Pinheiros, Vanessa Janke ganhou mais um desafio esse ano. Pela primeira vez na carreira assume a função de capitã.

“Cheguei um dia de manhã para treinar, e o Paulinho (técnico Paulo de Tarso Milagres) me chamou pra conversar e perguntou o que eu achava de ser a capitã. Fiquei com receio de aceitar no começo, achei que era uma grande responsabilidade. Pensei bem, afinal é um voto de confiança, que acredito ter conquistado na temporada passada. Falei que aceitava e iria dar o meu melhor. Até que foi tranquilo, achei que pudesse ser um peso no começo, mas não foi”, contou Vanessa.

Ponteira passadora, a jogadora é considerada uma atleta em extinção, apesar disso não vê vantagem em relação às outras companheiras de posição.

“Tenho essa função, capacidade e vejo com bons olhos para exercer da melhor forma. Não enxergo como pressão, tem a responsabilidade ainda mais sendo a capitã, mas não vejo como um peso. As outras atletas não passam, mas são eficientes no ataque. Um ponto compensa o outro. Em alguns momentos posso levar vantagem, mas em outros não”.

Assim como toda jogadora, Vanessa sonha em vencer uma Superliga, chegar a Seleção Brasileira, mas confessa que o Pinheiros precisa amadurecer um pouco mais para ter chances de levantar o caneco.

“Comparada com a temporada passada a equipe está mais forte. Eles contrataram peças importantes, como a Bruna, Mari, Roberta e Diana. Boas contratações que somaram muito para o time. No ano passado era mais jovem, agora temos juventude e experiência”.

“O Campeonato Paulista ajudou no entrosamento na equipe, mas como muitas vezes é preciso mexer na equipe durante os jogos, demora um pouco para se entrosar cem por cento”.

A atleta conta que vê evolução na Superliga desde a primeira vez que participou, mas acredita que falta um pouco de união.

“Vejo os times ficando cada vez mais fortes a cada temporada. Muitos times investem em novas jogadoras, e acabam dando equilíbrio as equipes que já contam com atletas mais experientes. Desde quando comecei a jogar Superliga vejo muita evolução, mas o que falta para as meninas mais novas é a parte técnica, que vem da base”.

“Vejo o vôlei masculino mais unido, eles batem o pé e conseguem o que eles querem, são mais firmes. Falta mais união para o feminino para que o nosso campeonato seja melhor”.

A ponteira começou jogando vôlei na escola, nas aulas de Educação Física. Após um campeonato foi convidada para defender o time da cidade, e foi então que tudo começou.

“Não tinha em mente jogar vôlei. Comecei na escola e depois dos jogos estudantis da minha cidade, o técnico do time da cidade me convidou para treinar com a equipe. Eu fui lá, gostei e acabei ficando. Foi dando certo e despertando o meu interesse em seguir nesse meio”.

Depois disso, Vanessa teve a oportunidade de defender outras equipes no sul do Brasil, chegando a conquistar o Campeonato Estadual Infanto, quando jogava pelo time de Nova Trento (SC), além do Catarinense e dos Jogos Abertos de SC, pelo Rio do Sul (SC).

“A primeira vez que joguei a Superliga foi por um time de Santa Catarina, uma equipe que durou dois anos. Depois fiquei uma temporada sem jogar a competição, voltei e joguei durante quatro temporadas por um time do Rio Grande do Sul, foi quando vim para o Pinheiros”.

Até chegar a defender as equipes adultas, Vanessa passou por alguns desafios.

“O primeiro ano que sai de casa foi difícil e engraçado. Eu tinha 17 anos, o time da minha cidade não pagava salário, era apenas ajuda de custo, então me convidaram para participar de uma equipe que iria me pagar. Eu estava crescendo e precisava receber. Morávamos em um apartamento e um dia choveu muito, alagou o apartamento todo que era cedido pelo clube. Morava eu e mais seis meninas”.

“Depois disso cheguei a morar com quinze meninas em uma casa, quando defendi o São José dos Campos (SP), meu último time de juvenil. Era difícil, sem privacidade, todos os quartos tinham três ou quatro meninas. Tudo era dividido, mas foi bom para amadurecer”.

Atualmente Vanessa tenta conciliar os compromissos com o Pinheiros e a faculdade de Educação Física, iniciada em agosto.

“Estou fazendo a distância. Vai muito mais de você do que do professor, como seria uma aula presencial. Temos que buscar outros meios além do material que eles te fornecem, tem que procurar por fora. Vai muito empenho e dedicação. Eu posso dizer que está um pouco mais fácil, fiquei muito tempo sem estudar, desde que terminei o ensino médio. Depois de nove anos voltei e o começo foi difícil, mas agora entrei no ritmo”, finaliza Vanessa.