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Camila “cAmyy” lembra que jogava escondida e fala sobre preconceito: “Se não ignorar, você não consegue fazer o que gosta”

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Reprodução/Facebook

Camila “cAmyy” Natale é uma das principais jogadoras do cenário competitivo de Counter-Strike: Global Offensive no Brasil. Pela VIVO Keyd, só nos últimos meses, ela conquistou a final da Brasil Game Cup, que aconteceu durante a Brasil Game Show 2017, o Qualify da Wesg, que dá vaga pra campeonato internacional, que será disputado em março, e a Liga Feminina de Counter Strike:Global Offensive da Gamers Club. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, a pro-player brasileira falou sobre a importância de ter uma competição feminina durante a BGS, que é a maior feira de games da América Latina.

“Foi a primeira vez que tivemos um qualificatório da BGC feminino, sendo que todos os outros anos só teve masculino. Isso prova o quanto o cenário feminino está crescendo e tentando alcançar a mesma importância do masculino. Foi muito especial termos passado pela fase online e chegar no presencial em uma partida que já esperávamos a muito tempo”, disse “cAmyy”, se referindo as adversárias da final, BootKamp Gaming.

A jogadora da VIVO Keyd ainda falou sobre o preconceito, suas referências na modalidade e abriu o jogo sobre o cenário competitivo no Brasil e sobre o que falta para o país se consolidar de vez no mundo dos eSports. Confira a entrevista na íntegra:

Foto: Reprodução/Facebook

Torcedores.com: Como e quando você começou a jogar Counter Strike? E quando decidiu entrar no cenário competitivo, entendendo que já estava pronta para assumir a responsabilidade de representar um time?

Camila “cAmyy”: Comecei jogando counter strike mais ou menos quando eu tinha uns 11 anos, lan house era febre, então meus irmãos e meu primo me levaram uma vez e foi ai que me apaixonei pelo jogo. Entrei pro competitivo mesmo em 2014, já no CS:GO foi quando eu vi que perdi muito tempo anteriormente para me dedicar devido a uma relação abusiva que eu tinha, na qual ele não me deixava jogar e eu tinha que jogar escondida, então quando terminou eu realmente decidi que era isso que eu queria e ia correr atrás do tempo perdido.

Torcedores.com: Você consegue se manter apenas como jogadora ou precisa se desdobrar em outras funções?

Camila “cAmyy”: Não consigo me manter como jogadora, mesmo jogando a tanto tempo, só agora eu recebo uma ajuda de custo pra jogar, porém, o valor é baixo e não dá para me manter. Tenho a ajuda financeira dos meus pais, pois eles compreendem e apoiam a minha escolha de ser jogadora. Mesmo assim, sou formada em administração de empresas, então eu tenho um plano B.

Torcedores.com: Além do CS:GO, você curte algum outro jogo ou tem algum hobbie bem diferente quando não está jogando?

Camila “cAmyy”: Não curto tanto outros jogos não, se eu jogar é algo bem leve, tipo The Sims (risos).

Torcedores.com: Como que funciona a rotina de treinos da Vivo Keyd? Além de horários, vocês também precisam seguir alguma “cartilha” alimentar e realizar exercícios físicos, clínicos e psicológicos?

Camila “cAmyy”: Os treinos acontecem de domingo a quinta-feira, a partir das 23:30 até umas 3 ou 4h da manhã, pois tenho duas meninas no time que estudam a noite, por isso o horário um pouco tarde. Temos treino tático e pratico quase todos os dias, temos um coach para nos auxiliar nesses treinos também. No momento não temos nenhuma cartilha a seguir.

Line-up da VIVO Keyd (Foto: Reprodução/Facebook)

Torcedores.com: Para você, quais são as principais equipes femininas e jogadoras da modalidade, tanto no cenário brasileiro como internacional?

Camila “cAmyy”: Principais equipes femininas nacionais são Vivo Keyd, Bootkamp e Number6. Já no cenário internacional, creio que seja Team Dinasty (ex-Team Secret), CLG RED e Team Dignitas Fem. Jogadoras nacionais, admiro muito as meninas do meu time, nos esforçamos diariamente para conseguirmos nossas vitórias, então pra mim elas são as principais hoje aqui no Brasil, e no exterior gosto muito da jogabilidade da jogadora Juliano, Zaaz e Potter

Torcedores.com: É inevitável falar se eSports, de um modo geral, sem questionar a questão do preconceito, ainda mais porque no masculino isso também existe. Como é para uma mulher atuar nesse cenário, rola um tratamento diferente? Você já ouviu muita besteira?

Camila “cAmyy”: Sim, já ouvi muita besteira e na verdade ouço até hoje. Creio que seja muito dificil desse preconceito acabar, até porque os meninos acham que isso é algum tipo de brincadeira e que devemos levar como uma. Quando você decide ser jogadora profissional, ou mesmo para se divertir, você esta sujeita a ouvir coisas pesadas, e o meu conselho é ignorar. Se você não ignorar, não consegue fazer o que gosta. Ninguém tem o direito de dizer o que você tem ou não o que fazer, até porque você pode ser muito boa ou não no jogo, você vai ser ofendida mais cedo ou mais tarde de qualquer forma.

Torcedores.com: Na sua opinião, eSports são esportes? Por quê?

Camila “cAmyy”: Acho que eSports e esportes são bem parecidos sim, a dedicação é a mesma, o estudo dos outros jogadores e times é a mesma, a conversa em grupo com o seu próprio time pra ver qual a melhor “jogada”, tudo isso é muito parecido

Torcedores.com: O que falta para o Brasil se consolidar de vez no cenário dos eSports?

Camila “cAmyy”: Acho que o Brasil está crescendo na consolidação dos jogos e no cenário de CS:GO, esse ano de 2017 mostrou bastante isso. Sempre dá uma diminuída pela ida de times daqui pra fora, mas dá a oportunidade para novos times se destacarem. Creio que com o tempo tudo vai melhorar, precisamos de mais divulgação, mais campeonatos presenciais e premiações melhores.

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