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#FaixaNoPeitoSPFC: para resgatar o tradicional uniforme do São Paulo

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Marco Aurélio Valentim/SPFC em Cartaz/Reprodução

O grande destaque do ano no São Paulo foi a torcida. Mais do que incentivar a equipe, os tricolores se uniram em prol do que acham correto para o clube, não se limitando apenas às arquibancadas. Mais uma campanha que busca trazer o SPFC para mais próximo de sua torcida surgiu recentemente, e um dos principais motivos de orgulho do torcedor é o alvo do “resgate”. Por meio da tag #FaixaNoPeitoSPFC, um grupo de são-paulinos quer resgatar a tradição da camisa tricolor.

O idealizador da tag #FaixanoPeitoSPFC é Marco Aurélio Valentim, que mantém a página SPFC em Cartaz nas redes sociais. Em entrevista concedida à reportagem do Torcedores.com, Marco Aurélio falou sobre como surgiu a iniciativa, estratégias para divulgação da campanha e outros movimentos da torcida são-paulina. Ele também falou sobre a relação da Under Armour (fornecedora de material esportivo do Tricolor) com o clube e sobre a polêmica questão do terceiro uniforme no São Paulo.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

A iniciativa da tag #FaixaNoPeitoSPFC consiste em resgatar algumas características históricas do uniforme do São Paulo. Há quanto tempo você sente que o uniforme do SPFC começou a ser descaracterizado e perder características históricas?

R: Em 1988 tivemos pela primeira vez o patrocínio (não sendo esportivo) acima das faixas tricolores. Porém, nessa época, era aplicado menor e no canto superior direito. A partir de 1997 mudou para o que vemos hoje em dia, com exceção somente nos mundiais de 1992 e 1993 (onde não era permitido expor marcas, ao não ser esportivas) e 2005 (onde poderiam ser expostas, porém dentro de regras estipulada pela FIFA). Foi aí que tivemos pela ultima vez a tão sonhada camisa com as faixas na altura do peito. Camisa que até hoje é mais lembrada ou a que mais ganhou carinho do torcedor desde então.
Veja aqui uma pesquisa a respeito.

Criar uma tag/campanha é uma ideia que dificilmente vem do nada. Antes de criar a tag #FaixaNoPeitoSPFC você conversou a respeito da sua ideia com algum grupo pessoas ligadas ao SPFC? (Sejam torcedores, diretores, blogueiros ou qualquer outro grupo)

R: Sim, conversei com torcedores são-paulinos chamados de “Influenciadores de opiniões” rs. acharam a ideia ótima e segui. Na verdade não é uma ideia minha, só tentei externar para todos o pensamento da torcida durante anos, porém de uma forma visual e explicativa – coisa que nunca fizemos.

Percebemos também que, atualmente, contamos com um patrocinador (Banco Inter) que se mostra muito bem antenado, moderno e que se importa com a opinião da torcida. Essa pode ser a chave para conseguirmos atingir nosso sonho para 2018.
Sabemos também que os principais responsáveis por isso são as pessoas de dentro do clube, que tem um pensamento antigo, achando que quanto maior a visibilidade mais dinheiro entrará. Pode até ser, ma,s se o clube exigisse e o patrocinador seguisse, todos ganhariam. A torcida ficaria imensamente feliz e satisfeita com um produto que sempre pediu, o clube venderia muitas camisas, os patrocinadores ganhariam eterno respeito e carinho de milhares de pessoas. Até para ações futuras dessas empresas dentro do clube isso seria essencial. Seria um enorme engajamento em querer ajudar as marcas que nos ajudam.

Combinar de subir uma tag é algo muito comum para dar relevância a uma campanha. Você pensa em marcar uma data e um horário específico para “subir” a tag no Twitter?

R: Não, eu subi a tag E avisei todos os apoiadores. Rolaram compartilhamentos e a campanha está indo muito bem, saindo em vários portais.

Recentemente, a tag #saopaulinasuniformizadas surgiu e motivou até mesmo pronunciamentos oficiais da diretoria do São Paulo em redes sociais. Você se inspira no sucesso da tag para criar a sua campanha #FaixanoPeitoSPFC?

R: Sim, todos sabem que as redes sociais tomam conta hoje em dia e podemos nos fazer com que as pessoas nos ouçam e enxergam algo que não sabiam através dos canais. Um exemplo foi a campanha #saopaulinasuniformizadas, que também é uma baita ação que o clube e apoiadores precisam olhar com carinho.

A Under Armour busca uma renegociação de contrato com o São Paulo e pode sair do clube caso as conversas não andem, de acordo com a imprensa. Você gosta do serviço prestado pela UA? Gostaria de ver alguma outra empresa fabricando os materiais do Tricolor?

R: A UA até começou bem no SPFC. Parecia mais engajada e que traria algo novo. Mas, na verdade, ficamos e estamos um pouco decepcionados com o trabalho feito no decorrer dos anos. Percebemos que UA não tem muita entrada no Brasil. Aí vai um exemplo básico: nos times em que a empresa patrocina na Europa, EUA e etc, a marca deles é bordada na camisa. No Brasil, eles não conseguem fazer isso por causa da mão de obra, impostos e etc. Assim, a camisa não tem um acabamento ideal.

Outra coisa são os lançamentos das camisas sem conceito algum. Parecem que lançam por lançar em um determinado layout padrão. Desde que entrou, em 2015, a tipografia dos números nunca foi trocada, nunca fizeram algo especial e estudado. Sendo assim, ficamos vendo os trabalhos que a Umbro faz para outros clubes, até a própria Adidas, e não tem como não querer essas marcas junto conosco.

Até pouco tempo atrás, o São Paulo vetava em seu estatuto o uso de um terceiro uniforme. Agora, esse veto não existe mais. Você gosta da ideia do SPFC ter um terceiro uniforme?

R: Sim, isso é benéfico e é mais uma forma do clube arrecadar mais através de marketing e ações. Faz parte de uma mudança global que, desenvolvendo algo bem feito, traz resultados. Tem meu apoio e de muitos se esse terceiro uniforme for lançado com as cores do clube> vermelho, branco e preto. Fora disso é aberração. Não dá pra lançar camisas “amarelas” com apelo politico ou outras cores que saem fora do contexto.

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