A hora e a vez do Kung Fu

Foto cedida pelo arquivo do Instituto Lohan

 

 A arte marcial chinesa, que para muitos é a mãe de todas as lutas, andou fora da mídia, mas, agora parece que seu retorno é para valer, o estilo volta a telas e novos lutadores estão aparecendo, confira essa história.

Segundo conspirações, o Kung Fu foi oficialmente a primeira arte marcial a ser reconhecida. Antes de cristo, os guerreiros chineses, já usavam técnicas da qual imitavam os animais, na sequencia foram desenvolvendo armas, mas, diz a lenda que no templo Shaolin, foi onde nasceram a maioria das artes orientais, já que os nações vizinhas da China, aprenderam a lutar graças a peregrinos que foram aos seus países, ou, muitos que vinham estudar no templo. No Brasil, a arte chegou na década de 1940, mas, a popularização da luta no mundo inteiro, foi apenas em 1970, quando Bruce Lee, exibiu sua técnica em vários filmes, infelizmente ele morreu cedo, entre seus feitos, está a popularização do nuntchaku, arma filipina, usada até hoje.

Com o passar do tempo, o cinema investe em outros heróis, como Rocky Balboa e Daniel San, fazendo com que outras lutas se destacassem no mundo, não se esquecendo do MMA, que fez com que o Jiu Jitsu e o Muay Thai se tornassem populares, já que as duas artes são bem usadas. Nesse meio tempo, o kung fu começou a desaparecer, mas, recentemente o desenho do Kung Fu Panda foi um sucesso, despertando o interesse das crianças, outra animação que foi lançada, mas, sem muito sucesso, foi Gambá kung fu, que chegou a passar no Brasil. Recentemente o lutador Yi Long virou sensação, quando enfrentou vários lutadores de MMA, usando Kung Fu.

Foto cedida por Diego Madrid

Para essa matéria, entrevistamos três mestres no assunto, o Sifu Luis Mello de 43 anos, praticante há 30 dos estilos Shaolin e Wishu, dono do Instituto Lohan; Marcelo Marcolino professor do estilo Louva Deus sete estrelas, praticante da Peng Lai, vinte e cinco anos de aprendizado e, Diego Madrid faixa preta de 23 anos, que pratica há nove anos o estilo Louva Deus. Veja a interpretação de cada um.

Luis acha que hoje com a tecnologia, é mais fácil aprimorar as técnicas, deixando mais bonito, isso, porque qualquer pratica esportiva está a disposição em vídeo em redes sociais, por outro lado, aqueles movimentos dos monges, a espiritualidade o folclore ficam de fora. Já para Diego a luta está fora de moda não possui apoio de meios de comunicações, Marcelo acha que sempre será lembrado como a mãe de todas as lutas.

Quando perguntados por que o Kung Fu sempre foi chamado para o cinema, Mello afirma que a arte tem estética, sempre chamada para espetáculos circenses e na opera de Pequim, o kung fu sempre teve o lema de justiça, o que muitos adoram ver nas telas, além do lado espiritual, para Madrid a ficção casou bem com a luta, mas, Marcolino conclui a beleza dos movimentos e a filosofia.

 

Quando perguntados sobre o fato de lutadores não participarem do MMA, Luis Mello respondeu o seguinte: Não precisamos do MMA, o Kung Fu usa armas, nas academias fazemos meditações e falamos do folclore chinês, algo totalmente fora dos padrões do MMA, mesmo assim, ele é a favor da participação, pois seria uma forma de modernizar a luta, já que para ele o Jiu Jitsu ficou melhor depois das participações no MMA. Já Diego Madrid acha que não existe a necessidade, mas, por outro lado seria uma forma de mostrar o valor da luta, mas, Marcelo Marcolino já é mais radical, não tem nada a ver com a cultura chinesa, a disciplina é o mais importante no Kung Fu, lutamos apenas para se defender, ele alega que a maioria dos lutadores do MMA, querem aparecer, ou exibir troféu.

Em relação às outras lutas, o que o Kung Fu diferencia? Luis Mello fala: quem procura a luta, quer algo a mais, como budismo e cultura asiática, Diego completa: e uma arte milenar, podendo usar em outras modalidades, para Marcolino as pessoas que pensam no kung fu, querem o não violência, disciplina acima de tudo, ajudar os fracos, se defender e não ferir ninguém.

O Kung fu é a única luta que é chamada para espetáculos de teatro e dança, o que cada um pensa sobre isso?

Mello conclui que na China isso é normal, no ocidente ainda é novidade, Diego Madrid acha interessante, mas, depende do espetáculo, Marcelo diz que acha dança uma coisa com muita beleza, tem a ver com os movimentos do Kung Fu.

As outras questões são: Gosta de alguma outra luta? De algum outro esporte? O governo melhorou no incentivo a pratica esportiva?

Luis Mello: Gosto de esgrima, boxe, Uka Uka dos índios do Xingu, Haka polinésio, luta grego romano, arqueria e airsoft (pratica de tiro no ar), ou seja, todos os esportes ligados a defesa pessoal, ele acha que o governo não ajudou em nada, foi a popularização da internet que fez algumas modalidades crescer.

Diego Madrid: Eu gosto do Boxe e do Futebol, ele acha que não existe incentivo, mas, a culpa também e de muito jovem que só pensa em computador.

Marcelo Marcolino: Eu curto o Ninjutsu, pois, usa armas, além de futebol, ginástica olímpica e basquete. Acha que o incentivo e pouco, principalmente nas artes marciais.

Como viram, o Kung Fu tem um lado muito grande com a arte, é muito tradicional e, está longe de acabar.

Obs. A palavra Sifu significa mestre em chinês.

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