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PAPO TÁTICO ESPECIAL: Os melhores de 2017 no futebol internacional

Falamos dos melhores de 2017 no futebol brasileiro no post anterior (clique aqui para relembrar e deixar seus comentários). Assim sendo, aproveitamos a última coluna PAPO TÁTICO do ano para falar de quem mais se destacou no futebol internacional no ano que termina hoje. Tal como aconteceu aqui no Brasil, a temporada nos reservou boas surpresas para quem admira o velho e rude esporte bretão de qualidade e as suas inovações na maneira de se pensar o jogo dentro de campo. Zinedine Zidane, Pep Guardiola, Joachim Löw e o argentino Ariel Holan foram alguns nomes citados no grande debate na imprensa, na mesa do bar ou nos grupos de facebook nesse ano que precede a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Foi um período de resgate de velhos desenhos táticos e a consolidação de outras tendências. E como anteriormente, se você acha que esquecemos de alguém ou não concorda com as nossas escolhas, deixe as suas opiniões e seus comentários pra gente. Simbora?

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / FIFA Club World Cup

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Já que falamos em resgate de desenhos táticos numa nova roupagem, é impossível começar de outra forma. Precisamos falar do absurdo Real Madrid e do 4-3-1-2 de Zinedine Zidade. O esquema que se popularizou aqui no Brasil com Vanderlei Luxemburgo ressurgiu no escrete merengue como uma alternativa à lesão do galês Gareth Bale. Zidane encaixou o espanhol Isco na ponta do losango e atrás de Benzema e Cristiano Ronaldo. O resultado foi um time envolvente, extremamente ofensivo e móvel, já que o camisa 22 não fica preso ao meio do campo e se movimenta buscando os espaços vazios nas entrelinhas dos adversários. Defensivamente, Isco busca o lado do campo sem a bola para evitar a virada de jogo. Deu tão certo que o Real Madrid conquistou o Campeonato Espanhol, a Supercola da Espanha, a Liga dos Campeões da UEFA, a Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes da FIFA. E isso sem contar com mais atuações mágicas e quebras de recordes de CR7. AS últimas atuações mostram que Zidane precisa reciclar suas ideias e apostar em outros nomes. Mas nada apaga o 2017 histórico dos merengues.

Zinedine Zidane encontrou no 4-3-1-2 e na dinâmica de Isco a chave para a conquista de títulos no ano mais vitorioso da história do Real Madrid. E isso com Cristiano Ronaldo quebrando recordes e num dos melhores momentos da sua carreira.

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E o que dizer do já histórico Manchester City de Pep Guardiola? Gostem dele ou não, o fato é que os Citzens encerram o ano jogando o futebol mais vistoso e mais ofensivo do mundo. E tudo isso dentro dos preceitos de um treinador que não se cansa de quebrar recordes e revolucionar o futebol. Depois de um início irregular e de algumas escolhas equivocadas, Guardiola encontrou o encaixe correto das suas peças e conquistou vitórias épicas como os sete a dois em cima do Stoke City. Nomes como Kevin De Bruyne, David Silva, Kun Agüero, Sterling, Delph, Walker e os brasileiros Danilo, Ederson, Fernandinho e Gabriel Jesus compreenderam os preceitos do treinador e buscam o ataque todo o tempo. Chega a ser insano, mas funciona. E muito bem. São dezenove vitórias em vinte e uma rodadas na Premier League jogando um futebol de toques rápidos, bola no chão e também de vigor físico. No entanto, apesar do bom futebol jogado na Inglaterra, a incerteza para o ano que vem fica pelas lesões de Gabriel Jesus e De Bruyne.

As ideias de Pep Guardiola estão presentes em cada movimento do Manchester City. Na goleada por sete a dois sobre o Stoke City, o time se postou num 4-3-3, num 4-1-4-1 e até mesmo num 3-4-3. Mais Guardiola que isso impossível.

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Embora o melhor futebol do mundo seja jogado no Velho Continente, boas ideias também surgiram por aqui, na América do Sul. O Independiente de Ariel Holan é um desses casos. Formado no hoquei, o comandante do Rey de Copas mostrou que o velho e rude esporte bretão está sempre aberto para inovações que buscam qualidade e beleza na disputa dentro de campo. A atuação da equipe argentina na final da Copa Sul-Americana diante do Flamengo nos apresentou um time que gosta de colocar a bola no chão, de fazer triangulações e usar os contra-ataques de maneira mortal para seus adversários. Nomes como o zagueiro Gastón Silva, o lateral Tagliafico, o volante Rodríguez e o atacante Gigliotti foram impecáveis na reta final da competição. Isso sem falar em Meza e na revelação Ezequiel Barco. Os dois comeram a bola e levaram as defesas à loucura com velocidade, boas tabelas e gols. Muitos gols. O Independiente de Ariel Holan é a prova de que muitas coisas boas estão surgindo da Argentina, bem perto de nós.

O Independiente de Ariel Holan conquistou a Copa Sul-Americana jogando um futebol envolvente e de toques curtos e rápidos. Meza, Barco, Benítez, Gigliotti. Gastón Silva, Bustos e Tagliafico executam os movimentos do 4-1-4-1 como poucos no futebol do nosso continente.

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Abro o espaço para falar também de seleções. Mas, ao contrário do que vocês podem pensar, não vou falar da Espanha de Isco, David Silva e Asensio ou da Inglaterra de Kane, Delle Ali e Vardy. Difícil não pensar na Alemanha de Joachim Löw e na conquista da (nem tão mais badalada assim) Copa das Confederações. Primeiro pela utilização da linha de cinco defensores, tendência na Europa desde que Antonio Conti conquistou a Premier League passada com o Chelsea. E segundo pela escolha de nomes como Timo Werner, Julian Draxler, Lars Stindl, Leon Goretzka e Ter Stegen. A Alemanha, que para muitos jogou com um “time B”, conquistou o título com autoridade em cima do Chile. Além disso, o técnico Joachim Löw provou mais uma vez que a equipe germânica vem forte para a Copa do Mundo da Rússia. Se foi assim como o “time B”, imaginem como será no ano que vem com Toni Kroos, Khedira, Thomas Müller, Leroy Sané (filho de pai senegalês com mãe alemã), Hummels, Özil e outros nomes em forma e com sede de mais títulos…

A Alemanha de Joachim Löw conquistou a Copa das Confederações jogando com uma linha de cinco na defesa e com um futebol extremamente eficiente. A tendência é melhorar ainda mais com os titulares à disposição do técnico germânico.

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E por último, falo da Seleção Brasileira. Sim, caro amigo, os comandados de Tite. Foi graças a ele (e também ao futebol de Neymar, Gabriel Jesus, Willian, Philippe Coutinho, Paulinho e outros) que o escrete canarinho voltou a ser temido no cenário internacional. Vitórias como a goleada sobre o Uruguai no Estádio Centenário e os três a zero sobre a Argentina no Mineirão devolveram ao Brasil o posto de “seleção mais temida do continente”. Já comentamos aqui mais de uma vez que o esquema de Tite ainda possui algumas arestas que precisam ser aparadas (principalmente o posicionamento correto de Philippe Coutinho no meio-campo brasileiro) e que é preciso abrir o olho com relação ao excesso de confiança às vésperas da Copa do Mundo. O 4-1-4-1 de Tite vai se transformando num 4-3-3 a la Carlo Ancelotti aos poucos, com Renato Augusto fechando o lado esquerdo e liberando Neymar para o ataque. Mesmo com todos os problemas, no entanto, é difícil não apontar o Brasil como um dos favoritos ao título na Rússia.

A Seleção Brasileira recuperou parte do prestígio internacional graças ao trabalho de Tite e às atuações seguras de Neymar, Gabriel Jesus, Paulinho e companhia nas Eliminatórias. O esquema atual varia de um 4-3-3 para um 4-4-2, mas ainda precisa de ajustes.

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O desempenho de Paulinho no Barcelona de Ernesto Valverde, o Grêmio de Luan, Arthur e Renato Gaúcho, o quarteto ofensivo do Liverpool e o Paris Saint-Germain de Neymar, Cavani e Mbappé são outros times que merecem destaque nesse finalzinho de 2017. Um ano em que a FIFA tenta se desvincular da imagem de entidade corrupta por conta dos escândalos envolvendo seus dirigentes. Ao mesmo tempo, os casos de racismo dentro e fora dos gramados e até mesmo as ameaças de atentados terroristas são algumas das grandes preocupações para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, país também marcado pela corrupção em todos os setores e em outros esportes (vide o escândalo de doping no comitê olímpico russo e o banimento do país de várias competições internacionais). No âmbito tático, a tendência é que vejamos novas maneiras de se enxergar o jogo até o Mundial, tanto em seleções quanto em clubes.

Que você, caro leitor do TORCEDORES.COM, tenha um ano de 2018 fantástico e que todos seus sonhos se realizem. E que nossos times não passem vergonha. Dentro e fora de campo.