PAPO TÁTICO: O Grêmio tentou, mas o Real Madrid mostrou porque é o melhor time do mundo

É bem verdade que o torcedor do Grêmio sonhava com uma vitória sobre o poderoso Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Modric, Marcelo, Benzema e companhia. Todo mundo sabia disso. Desde o goleiro Marcelo Grohe até o próprio técnico Renato Gaúcho. E a lógica acabou sendo a tônica da final do Mundial de Clubes da FIFA. Quem vê o resultado final (vitória de um a zero para a equipe merengue), pode pensar que o Tricolor Gaúcho fez um jogo duríssimo e acabou sendo derrotado no detalhe.  A realidade dos fatos, no entanto, é bem diferente. O Grêmio se acuou na defesa e poderia ter arriscado mais diante de um Real Madrid que estava com a cabeça no jogo contra o Barcelona, válido pela décima-sétima rodada do Campeonato Espanhol. Os espaços apareceram, mas não foram aproveitados. Os comandados de Zidane mostraram porque são o melhor time do mundo e não deram sopa para o azar. Destaque para Modric. Um monstro em campo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / FIFA Club World Cup

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Lembram que eu falei de lógica no primeiro parágrafo? Bom, Real Madrid e Grêmio entraram em campo sem surpresas. Enquanto a equipe merengue voltou ao 4-3-1-2 e teve os retornos de Isco, Toni Kroos e Sergio Ramos, o técnico Renato Gaúcho repetia o time que entrou em campo diante do Pachuca (armado no usual 4-2-3-1) nas semifinais do Mundial de Clubes. Apesar do bom começo gremista, diminuindo os espaços e encaixando bem a marcação, o time pouco avançava para o ataque. Luan, principal jogador do Tricolor Gaúcho, errava tudo que tentava e Ramiro deixava o lateral Edilson completamente sobrecarregado na marcação. Do outro lado, Modric, Casemiro e Kroos tomavam contra do meio-campo com bons passes, ótima visão de jogo e boas chegadas no ataque. Principalmente Modric. O camisa dez merengue foi o grande maestro da sua equipe. Apesar da superioridade clara e evidente, o Grêmio conseguiu se segurar e dava a esperança de que poderia tentar um milagre no segundo tempo.

O Real Madrid amassou o Grêmio no campo ofensivo com grandes atuações de Isco, Modric e Kroos. O camisa dez era o grande responsável pelas melhores chances do time merengue na partida. Enquanto isso, o Tricolor Gaúcho se acuava na defesa e arriscava pouco. Luan estava apagado na partida e errou praticamente tudo o que tentou.

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O segundo tempo foi uma repetição do primeiro. A única diferença foi o gol de Cristiano Ronaldo em cobrança de falta que passou no meio da barreira e matou o goleiro Marcelo Grohe. Renato Gaúcho agiu rápido e mandou Jael e Everton para o jogo nos lugares de Lucas Barrios e Ramiro, mas o panorama continuou o mesmo. O Real Madrid sempre esteve mais perto de marcar o segundo (o terceiro, o quarto, o quinto…) do que levar o gol de empate. A equipe merengue foi diminuindo o ritmo aos poucos e apenas administrando a vantagem. Lucas Vazquez e Bale entraram nos lugares de Isco e Benzema e o Real passou a jogar num 4-3-3 que tinha Cristiano Ronaldo como referência. Talvez Zidane pensasse em poupar seus jogadores para o clássico contra o Barcelona. O Tricolor Gaúcho só melhorou alguma coisa quando Maicon entrou no jogo e foi ocupar o espaço vazio à sua frente. Mas o Grêmio já havia entregado os pontos e parecia não ter de onde tirar forças para reagir. A imagem de Ramiro desabando no banco de reservas mostra o que foi a decisão do Mundial: o Real Madrid colocou o Grêmio na roda.

Cristiano Ronaldo abriu o placar logo no começo do segundo tempo e o Real Madrid administrou o resultado. Enquanto isso, o Grêmio só melhorou após a entrada de Maicon no lugar de Michel. Mas o time já tinha entregado os pontos.

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Difícil não concluir que o Grêmio deveria ter arriscado mais a gol diante da falta de espaços para criar. Edilson havia dado esse recado ainda no primeiro tempo ao assustar Keylor Navas em cobrança de falta. Mas faltou perna e um pouco de ousadia para tentar vazar o gol merengue. Ao mesmo tempo, a equipe gaúcha sentia demais a falta de Arthur. Principalmente Luan. O camisa sete (e principal nome do Grêmio) ficou encaixotado entre Casemiro, Modric e Kroos e não teve a companhia de ninguém na criação das jogadas. Assim como Ramiro poderia ter aproveitado mais as subidas de Marcelo ao ataque e explorado mais esse setor do campo. É certo dizer que faltou concentração ao Grêmio. Mas também ficou nítido que alguns jogadores pareciam intimidados diante de Cristiano Ronaldo (que nem fez uma partida assim tão boa), Modric, Kroos e Benzema. Destaque apenas para as atuações quase perfeitas de Pedro Geromel e Kannemann na zaga.

A grande verdade é que a distância entre as duas equipes é enorme. E reconhecer isso não é “complexo de vira-latas” ou “puxação de saco” de time europeu. O Grêmio, apesar dos problemas citados anteriormente, foi valente, fez uma boa competição e caiu de pé. O favoritismo estava todo do lado do Real Madrid. O time lutou o quanto pôde e merece ser recebido com carinho pelo seu torcedor e exaltado pelo ano de 2017 quase perfeito. O Mundial de Clubes da FIFA seria a coroação do trabalho sensacional feito por Renato Gaúcho. O Grêmio pode não ter “acabado com o planeta”. Mas mostrou que tem um time forte e que vai dar muito trabalho aos adversários na próxima temporada.