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PAPO TÁTICO: Os segredos do Independiente, o adversário do Flamengo na grande final da Copa Sul-Americana

Sete vezes campeão da Copa Libertadores da América, duas vezes campeão mundial, dezesseis títulos do Campeonato Argentino e inúmeras taças e conquistas ao longo de 112 anos de existência. A história do Club Atlético Independiente é, sem dúvida, fantástica. E além disso, o adversário do Flamengo na final da Copa Sul-Americana joga um futebol ofensivo, envolvente e bastante alinhado com o que se pratica de mais moderno no cenário mundial. Como todos os times do mundo (até os mais fortes), tem seus problemas e seus pontos fracos. Mas não deixa de impor respeito. O técnico Ariel Holan (que já foi treinador de hóquei sobre patins) conseguiu unir alguns dos preceitos do seu antigo esporte ao futebol e transformou o Independiente numa equipe que alterna o jogo apoiado com muita velocidade nos contra-ataques. Sánchez  Miño, Gastón Silva, Emmanuel Gigliotti, Maximiliano Meza, Fabrizio Bustos e outros nomes merecem muita atenção do Flamengo nos dois jogos decisivos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Club Atlético Independiente

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Assim como o Lanús de Jorge Almirón (relembre clicando aqui), o Independiente também realiza a popular “saída de três” ou “saída Lavolpiana” (em referência ao técnico Ricardo La Volpe, o precursor dessa formação). Os zagueiros Alan Franco e Gastón Silva abrem para a chegada de um dos volantes (geralmente Diego Rodríguez) para organizar a saída de bola. Os volantes aproximam dando opção de passe e os laterais Bustos e Tagliarico abrem o campo e se lançam ao ataque. No entanto, as semelhanças com o finalista da Libertadores da América param por aí. O Independiente é uma equipe muito mais vertical e muito mais intensa, embora também goste de ter a bola em determinados momentos. Prova disso é a postura da equipe logo na saída de bola, com os jogadores de frente (Gigliotti, Barco e Benítez) já procurando os espaços vazios na defesa adversária. Colocamos abaixo o início da vitória por quatro a um sobre o Nacional do Paraguai nas quartas de final da Copa Sul-Americana para ilustrar o que acabamos de escrever mais acima.

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Início do jogo contra o Nacional do Paraguai pelas quartas de final da Copa Sul-Americana em Assunção. O volante recua, os zagueiros abrem, os laterais dão amplitude e os atacantes procuram os espaços vazios. Crédito da foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

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A postura ofensiva do Independiente é algo que merece atenção redobrada do Flamengo, principalmente nos momentos em que o time perder a bola. O Rey de Copas sabe como explorar os espaços deixados nas defesas adversárias como poucos. O lance do primeiro gol sobre o Nacional do Paraguai é emblemático. Assim que o time argentino recupera a bola, os atacantes se lançam ao ataque como se formassem um tridente. Quando o jogador que está na ponta centraliza, outro imediatamente procura o espaço vazio e ocupa a sua posição. Tudo para bagunçar as linhas do adversário e desestabilizar defensivas. Coisas que lembram muito a movimentação do hóquei sobre patins. E não será incomum vermos o Independiente se comportando dessa maneira em campo. Posse de bola alternada com muita intensidade e velocidade nos contra-ataques. Tal como se estivéssemos vendo um jogo da NHL (a National League Hockey) na nossa televisão. Ou no estádio. O frame abaixo mostra esse momento de recuperação de bola e de contra-ataque rápido.

O Independiente recupera a bola e rapidamente aciona o seu trio ofensivo. A movimentação parece ter inspiração em times de hóquei, antigo esporte do bom técnico Ariel Holan. Crédito da foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

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Ainda que o Independiente seja um time muito mais vertical do que o Lanús, um aspecto do time comandado por Ariel Holan não pode passar despercebido: o jogo apoiado. Sempre (eu disse SEMPRE) há um jogador próximo a outro pronto para receber o passe curto ou o lançamento em profundidade. Foi desse jeito que o Rey de Copas abriu a defesa do Libertad no jogo de volta das semifinais da Copa Sul-Americana. Do lado esquerdo, Tagliarico, Sánchez Miño e Benítez se movimentam, aparecem no ataque para a tabela ou para aproveitar uma possível sobra. Do outro, Bustos (ótimo lateral), Barco e Meza cumprem o mesmo papel. E no comando do ataque, tal como um centroavante à moda antiga, Emmanuel Gigliotti prende os zagueiros, busca os espaços vazios e faz o trabalho de pivô com perfeição. Os três gols sobre o Libertad não saíram em poucos minutos por mera obra do acaso ou dos deuses do velho e rude esporte bretão. Aliás, é bom ficar de olho no camisa nove rojo. Se posiciona bem e não costuma perder chances de gol.

Na jogada do terceiro gol sobre o Libertad nas semifinais da Copa Sul-Americana, o Independiente mostrou que também faz o jogo apoiado com perfeição. E isso sem mencionar a presença ofensiva dentro e fora da área. Como manda o figurino. Crédito da foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

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É óbvio que o Independiente não é um time perfeito. Por vezes, o time argentino sofre com a indecisão e insegurança dos seus zagueiros. Assim como aconteceu com o Lanús nos jogos contra o Grêmio, a “saída de três” acabou não sendo eficiente na organização da saída de bola quando pressionada. Aliás, os maiores sufocos da equipe roja na competição aconteceram quando os adversários pressionavam o passe na intermediária e impediam que os volantes pudessem armar as jogadas. Na vitória sobre o Libertad, o técnico Ariel Holan utilizou Gastón Silva na zaga e deixou Tagliarico na lateral justamente para dar mais consistência e qualidade no passe. Há também a questão da recomposição quando o time perde a bola. Por vezes, Barco e Benítez costumam deixar Bustos e Tagliarico sobrecarregados na marcação dos adversários. Mas são muito eficientes nas tramas ofensivas com os laterais nos momentos de contra-ataque, centralizando e abrindo o espaço para a jogada de linha de fundo. Tudo como manda a cartilha da execução do 4-1-4-1 de Ariel Holan. Ou do 3-4-3 se você considerar o recuo do volante para o centro da primeira linha defensiva.

Time que venceu o Libertad por três a um e se classificou para a final da Copa Sul-Americana. O Independiente de Ariel Holan é envolvente, veloz e praticamente mortal nos contra-ataques. Destaque para o jogo apoiado e para a popular “saída de três” de Diego Rodríguez.

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A saída para o Flamengo está justamente na quebra dessa linha de passe da defesa do Independiente. Jogar com inteligência e saber quais são os momentos corretos de se fechar na defesa e bloquear o jogo apoiado da equipe argentina e sair para o ataque em velocidade (aproveitando os espaços deixados pelo adversário no seu estádio) são tarefas fundamentais para se conquistar um bom resultado fora de casa e administrar a vantagem no jogo de volta, no Maracanã. Uma coisa é certa: Pará e Trauco (principalmente o peruano) terão um trabalho danado com as subidas do Independiente pelos lados do campo. Não foi à toa que o técnico Ariel Holan afirmou que o mapa da mina para o Rey de Copas está no lado esquerdo do Flamengo. Mesmo com a provável escalação do veterano Juan, é preciso cuidado, atenção e entrega dos jogadores para que a vaca não vá para o brejo logo na partida de ida da final. Há como os comandados de Reinaldo Rueda conquistarem um bom resultado. Mas será preciso se superar mais uma vez numa temporada absurdamente desgastante.

É jogo para Diego, Lucas Paquetá, Felipe Vizeu e Everton Ribeiro mostrarem qualidade com a bola no pé e inteligência na tomada de decisões. E também uma grande chance para que a defesa rubro-negra tente melhorar um pouco os números e as atuações da atual temporada. Mesmo com Juan em grande fase, o Flamengo costuma passar por alguns perrengues em jogos decisivos. Tomara que isso não se repita contra o Independiente.