Cacá Bizzocchi envia nota oficial no seu blog esclarecendo a polêmica envolvendo a transexual Tiffani

Reprodução Vôlei Campinas

 

O comentarista dos canais Band Sports publicou neste terça feira (16), uma nota em seu blog, mostrando de forma sintetizada, que a matéria publicada anteriormente, foi mal interpretada, e através disso, grupos LGBTs, começaram a fazer ofensas e acusações, o julgando como preconceituoso e intolerante, consequentemente. A jogadora Tiffani que defendeu o Bauru há pouco tempo atrás foi citada em seu texto. A transexual que jogou pela equipe brasileira teve um desempenho muito acima das outras jogadoras, sendo colocado em pauta: Tiffani tem mais testosterona e por isso leva alguma vantagem diante as outras. Segundo ele, a questão hormonal acaba sendo um fator determinante para uma melhoria em termos de performance, desempenho.

Confiram a nota na íntegra:

“No início do ano fui apresentado aos haters. A partir de um texto postado neste blog, o subterrâneo da internet se manifestou de forma ruidosa e violenta. Escrevi sobre a participação da transexual Tiffany de Abreu na Superliga feminina de vôlei e a repercussão do texto surpreendeu-me pelo volume de respostas e pelo despertar de ódio de uma parcela diminuta da comunidade LGBT.

Para tentar arrefecer os ânimos exaltados de uma patrulha que insistia em distorcer e alegar preconceito em minhas palavras, eu procurava mostrar que não havia discriminação nem intolerância em uma linha sequer que escrevi. E me vali de um dos mais constrangedores atos para um jornalista: explicar o próprio texto. Procurei ainda apresentar reportagens que comprovavam que a opinião por mim manifestada era comungada por vários médicos brasileiros e estrangeiros que questionavam a equiparação das condições entre mulheres e transexuais para a prática esportiva competitiva profissional. Mas os haters das redes sociais não têm olhos nem ouvidos, apenas bocas e garras. Não há argumentos que os convença, pois eles não leem (ou não entendem) nada que não reforce suas próprias opiniões.

É verdade que a grande maioria dos internautas, após o ataque daqueles que Luiz Felipe Pondé chama de “canalhas do linchamento”, manifestou-se favoravelmente ao meu direito de opinião (e não necessariamente à minha opinião), mas a artilharia que vinha dos que habitam o que Michel Foucault chama de zona sombria presente em todas as estruturas incomodou-me bastante.

Quando dei-me conta de minha pequenez diante de ataques semelhantes sofridos por pessoas do calibre de Fernanda Montenegro e Chico Buarque por outras hordas ideológicas, acalmei-me. Parei de tentar mostrar o quão equivocados estavam aqueles em me acusar de homofobia e, simplesmente, calei-me. Hoje retorno à rede para expressar meu desalento.

Desalento que chega com a constatação de que as minorias que lutam (e sofrem, e morrem – porque sofrem, e morrem) por uma justa inserção em todos os campos sociais têm em suas fileiras pessoas que usam métodos que pouco contribuem com a causa e com a diminuição da intolerância (até mesmo alguns gays que se manifestaram favoravelmente à minha opinião foram recriminados e tratados como traidores).

Tristeza que constata que diante de tantos problemas que este saqueado país e este maltratado planeta têm de resolver, não haverá a possibilidade de diálogo entre as partes, pois existem facções xiitas que utilizam o ódio para barrar uma possível aproximação. Sabotadores que não assinarão o contrato, pois não o lerão até o fim. Egoístas que querem apenas promover uma troca de ditadura.

Resignação de que há terrenos proibidos, onde olhares diversos e estranhos não são bem-vindos. Campos em que se prega a diversidade, mas há cercas e alarmes para a presença de invasores que apesar de diversos, não serão aceitos.

No entanto, apesar desta tática que alimenta o ódio e já deve ter feito muita gente ter-se tornado menos tolerante e aberta, eles não conseguirão me transformar em alguém preconceituoso e intolerante. Eles não farão com que eu deixe de ministrar aos futuros professores, em todas as aulas por que sou responsável, o tema da inclusão de toda e qualquer minoria, como faço há anos. Nem de expressar meu direito à opinião”.

Em tempos de intolerância, qualquer opinião que se dá é levada a outro patamar. A liberdade de interpretação é coagida para um senso comum de total distorção. O texto de Cacá expõe um status em que o separatismo social, de gênero, se contextualizou. Momento algum, o comentarista do Band Sports demonstrou qualquer tipo de predicativo de denegrir esse ou aquele e sim, uma questão natural e latente em qualquer ser humano, que é a questão hormonal, especialmente, em uma modalidade que exige de tanta força e explosão.