Goleira da seleção abandonou carreira de professora nos EUA por sonho de jogar

Muitas meninas sonham em serem professoras – ainda mais nos Estados Unidos. Aline Reis teve por um tempo a possibilidade de dar aulas para crianças da região e ser treinadora de goleiras, mas a jogadora abandonou tudo isso pelo sonhar de voltar a jogar bola.

Matheus Henrique Vieira Ramos
Estudante de Jornalismo. Setorista no Torcedores.com do Santos e Botafogo.

Crédito: Crédito da foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ela contou ao Torcedores.com que chegou ao país norte-americano tendo que se dividir entreo futebol e os estudos. Mas, no ano de 2013, recebeu convite para ser treinadora de goleiras na UCLA (University of California, Los Angeles) e aceitou. Na função, conseguiu títulos e ter uma experiência única em sua vida profissional. Três anos depois, largou tudo para poder retornar ao futebol brasileiro e jogar as Olimpíadas do Rio de 2016.

“Tive uma experiência incrível nos Estados Unidos, primeiro como jogadora e depois como técnica. Recebi uma bolsa integral para jogar pela UCF (University of Central Florida), uma das melhores faculdades do país. Lá conquistei títulos, quebrei recordes e também tive a felicidade de receber muitos prêmios individuais. Além do futebol, ainda tinha que me dedicar aos estudos, o que não era tão simples assim, considerando que o inglês não é minha língua nativa. Como eu não consigo ficar parada, alem de jogar e estudar, comecei a dar aulas de futebol para crianças. Nos quatro anos como jogadora, dei aulas particulares de futebol, fui preparadora de goleiras e treinadora de clubes da região”, explicou a goleira da seleção brasileira.

“Minha vida sempre foi o futebol. Em 2013 recebi uma proposta para ser treinadora de goleiras na UCLA (University of California, Los Angeles), uma das Universidades mais renomadas do mundo. Com a UCLA fui campeã nacional, algo muito respeitado no país. Minha goleira foi a menos vazada do campeonato e também recebeu muitos prêmios. Essa experiência “full-time” como treinadora me serviu pra muitas coisas. Cresci muito como profissional. Mas após três temporadas, cheguei à conclusão de que tinha aposentado as luvas muito cedo e que o sonho de jogar futebol ainda vivia dentro de mim. Então retornei ao Brasil pra perseguir o sonho”, completou Aline Reis.

Aline Reis está em um período de treinamentos com a Seleção/ Crédito da foto: Lucas Figueiredo/CBF

Nos Estados Unidos as meninas que jogam futebol feminino têm a chance de jogar bola e estudar. Aline Reis concorda que a Liga Universitária seja um “diferencial” do país norte-americano e diz que se esse modelo fosse adotado no Brasil, seria um grande avanço para modalidade e ajudaria na descoberta de jovens talentos.

“Por diversos motivos, acredito sim que a Liga Universitária dos Estados Unidos seja um diferencial. Em primeiro lugar, pelas oportunidades. Existem mais de mil times de faculdade que participam das diversas conferencias, ou seja, oportunidade de praticar o esporte é o que não falta. Os “student-athletes” (estudantes atletas), como são conhecidos, são muito respeitados e valorizados. Afinal das contas, fazer parte de um time e cursar uma faculdade ao mesmo, não é tao simples assim. É como se você tivesse um trabalho integral enquanto cursa a faculdade. Pra que você tenha sucesso, é preciso muita dedicação e disciplina. A chance de receber uma bolsa atlética para estudar nas faculdades também é um atrativo muito grande aos pais dos atletas, que incentivam os filhos a praticarem algum esporte. É claro que nem todas as jogadoras universitárias chegam à um nível profissional ou de seleção, mas quando se tem tanta gente praticando o esporte no país, se torna muito mais fácil achar novos talentos e formar seleções fortes”, contou Aline.

“Quantos talentos não foram desperdiçados aqui no Brasil? Quantas vezes nós brasileiros não ouvimos “vai estudar que você ganha mais… esquece isso de esporte profissional que não leva a nada, então muitas vezes o atleta acaba indo por outros caminhos. Não tenho dúvidas que se pudéssemos conciliar os estudos com o esporte de alto nível, descobriríamos muito mais joias no país e poderíamos colher outros benefícios que o esporte traz. Mas que pra isso desse certo no Brasil, precisaríamos de pessoas que valorizassem o valor cultural, educacional do projeto, muito mais do que o financeiro”, opinou a jogadora de 28 anos.

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