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Entrevista com o presidente do sindicato dos atletas profissionais: o ex – goleiro do Palmeiras Rinaldo Martorelli

O seu nome lembra a final do paulistão de 1986, quando o Palmeiras que possuía um time de estrelas como: Mirandinha, Eder, Edmar, Jorginho, é foi derrotado em pleno Morumbi pela Internacional de Limeira, já que Martorelli era o goleiro titular, mas, o que todos esquecem e que ele ganhou naquele mesmo ano, o premio pela Gazeta Esportiva de melhor goleiro, já que atuou muito bem no campeonato brasileiro, inclusive pegando dois pênaltis (contra Santos e America/RJ), depois atuou pelo Náutico, Paysandu, Goiás, entre outros clubes. Desde 1993 – ele que se formou em direito – trabalha no sindicato dos atletas profissionais, instituição que surgiu em 1947, nos últimos anos, houve muitas conquistas, nessa entrevista, o ex-goleiro hoje com 56 anos, falou de algumas delas.

Adriano Coelho
Colaborador do Torcedores

Crédito: Arquivo: Martorelli

  • Desde que o sindicato foi fundado há 70 anos, quais foram as melhorias no esporte?

 

O atleta adquiriu mais respeito, o primeiro time a procurar o sindicato foi a Ponte Preta, mas, naquela época era mais difícil resolver os problemas, hoje tudo e de imediato, por isso, estamos ganhando confiança, existe legislação, com direitos e deveres, os profissionais tem mais participações.

 

Os grandes problemas que os atletas sofrem em nosso país, são o descontrole financeiro, pois, em muitas vezes, um ganha muito mais que o outro, o exemplo hoje, é o time do Red Bull, eles respeitam as regras, são estruturados e cumprem os contratos.

 

O time tem que tentar ganhar os títulos, gastando pouco, mas, a falta de planejamento das equipes é muito grande, essa filosofia está longe, o Palmeiras, por exemplo, chegou a ter quatro treinadores em um ano, isso não pode, o profissional não é valorizado, se o Brasil fosse mais organizado, teríamos mais de cinco copas, os times tem que aprender a ser produtivos e objetivos, ainda temos que lutar por muita coisa.

 

  • Você assumiu em 1993, quando ainda jogava, o que pode dizer das conquistas desses últimos vinte anos?

O que acontece aqui no Brasil, muitos atletas não sabe a nossa função, já aconteceu de profissional apanhar na rua e, falarem que a culpa é nossa, coisas sem sentido. Procuramos acompanhar as transferências, tem que tomar muito cuidado com os contratos da Europa e na Ásia, pois, muitos não sabem a lei do país, acabam contraindo dividas, os jornalistas esportivos são os mais desinformados, não se interessam em saber o que passa aqui, além de atletas lesionados, que brigamos para eles serem recolocados.

Educamos também o atleta, já que muitos largam tudo na mão do empresário, o que não pode e, esperar o problema chegar, tudo isso que passamos para os profissionais.

  • Quais outras melhorias que o sindicato está fazendo?

A Copa Paulista, estamos brigando para a melhoria, o torneio não tem penalização, nenhum time cai, as equipes pegam os garotos para disputar, depois dispensam deixando todos sem um time para jogar, um campeonato mal feito. As series C e D do brasileiro e a mesma coisa, hoje a CBF está pagando hotel, mas, clubes sem estruturas estão disputando a D, eles deviam fiscalizar mais, saber como o atleta é tratado, devia ter um programa, onde o jogador recém – promovido ao profissional tivesse os estudos pagos, eu já tive que viajar de madrugada para resolver um problema numa rodoviária de Rondônia. Em Brasília, os times não pagavam os jogadores fazia três meses, os dirigentes achavam isso normal, existem propostas que são absurdas, estelionatos acontecem, atletas que pagam para jogar, dentro dos clubes fica um jogando a culpa no outro.

Outro fato em que brigamos e para treinador ter curso de técnico, não e porque ele conviveu no futebol, que ele não precisa se profissionalizar.

  • Não acha que o Brasil vive demais o futebol, deixando outros esportes de fora?

Isso é uma coisa inevitável, futebol é uma paixão nacional, assim como nos Estados Unidos existe o amor pelo beisebol, no Brasil as outras modalidades não são profissionais, hoje o vôlei está com empresários acreditando, mas, o futebol tem apoio inclusive das prefeituras, o que acontece e que muitos conselheiros roubam, motivo que o esporte tem tanto problema no Brasil, usam muito o desejo de um garoto de ser atleta, querendo se aproveitar dessa paixão, alguns meninos tem sorte, mas, a maioria não.

  •   Acha que na época em que era jogador, o Palmeiras foi injusto com você?

Com certeza, em 1984 um diretor da Juventus/ITA fez uma proposta de me levar, o Palmeiras não liberou, em 1986 tive minha chance de ser titular, apesar de não ganhar o titulo, fiz muito bem o meu papel, numa briga com um jogador do Guarani em 1987, me afastaram, o Zetti me substituiu, teve uma sequencia ótima, fiquei no Náutico por um tempo, quando eu voltei, o Veloso estava bem no gol, o Palmeiras novamente me dispensou, era muita política que tinha no time.

 

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