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PAPO TÁTICO: Vasco cumpre primeira missão na Libertadores e já mostra evolução tática na temporada

Foi bem mais fácil do que o esperado. Mas o Vasco cumpriu a sua primeira missão na Copa Libertadores da América e passou pela Universidad de Concepción com seis a zero no placar agregado. Além da classificação para a terceira fase eliminatória da competição sul-americana, a boa atuação (mais uma) diante de doze mil torcedores cruzmaltinos em São Januário mostrou que os comandados de Zé Ricardo estão evoluindo em vários quesitos fundamentais. Mesmo tendo perdido jogadores de qualidade como Anderson Martins e Nenê. É óbvio que a equipe ainda precisa de pequenos ajustes em alguns setores e que reforços sempre serão bem vindos na Colina Histórica. Mas dá gosto ver o Vasco jogando de maneira equilibrada e atletas como Yago Pikachu, Paulinho, Evander, Henrique e até mesmo o criticado Andrés Ríos cumprindo funções táticas importantes dentro de campo. Prova de que Zé Ricardo vem conseguindo colocar o Trem Bala da Colina está no caminho certo apesar dos problemas fora das quatro linhas.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Paulo Fernandes / vasco.com.br

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A escalação inicial do Vasco não trouxe novidades no onze inicial. Mas assim que a bola rolou em São Januário já foi possível perceber uma mudança tática que faria com que a equipe cruzmaltina rendesse muito mais do que na partida contra o Chile. Zé Ricardo manteve o 4-2-3-1 (variando para o 4-1-4-1 conforme os avanços de Wellington), mas trocou Paulinho e Wagner de lado, mantendo o camisa onze (mais jovem) no lado de Yago Pikachu que, por sua vez, jogou mais solto do que Henrique. Não foi preciso muita coisa para furar a defesa da Universidad de Concepción (que seguia no 4-2-3-1 mas que só conseguiu criar chances de gol em cochilos da defesa cruzmaltina) além de se movimentar e explorar os espaços generosos deixados às costas dos laterais Guillermo Pacheco e Ronald de la Fuente. Vale aqui destacar a bela atuação tática da dupla Yago Pikachu e Paulinho. Enquanto o primeiro avançava e fechava pelo meio, o segundo se transformava num autêntico ponta. Mas sem vacilar na marcação. Tanto que os dois gols do Vasco na noite desta quarta-feira saíram dos pés dos dois.

Mesmo com as duas equipes jogando no 4-2-3-1, o Vasco esteve mais organizado e melhor distribuído dentro de campo. Vale aqui destacar as boas atuações de Paulinho, Henrique, Yaho Pikachu e Wagner, sempre atentos na ocupação dos espaços e firmes na chegada ao ataque. A Universidad de Concepción sofreu com mais uma atuação ruim do seu sistema defensivo.

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O Vasco administrou a vantagem na segunda etapa e seguiu quase sempre mais próximo de marcar o terceiro gol do que ser vazado pela frágil equipe de Concepción. Com seis a zero no placar agregado e com a partida na mão, fica difícil entender o que levou o zagueiro Erazo a acertar um cotovelada em Guillermo Pacheco dentro da área simplesmente do nada. Expulsão mais do que merecida. A sorte é que o adversário também ficou com dez em campo depois que Ronald de la Fuente perdeu a compostura e acertou um chute violento em Wagner. Com as duas equipes jogando numa espécie de 4-4-1, o técnico Zé Ricardo apostou na velocidade dos contra-ataques com Andrés Ríos e Paulinho abertos pra cima dos laterais chilenos. O placar só não aumentou porque o Vasco perdeu duas boas chances. Uma com o camisa onze e outra com Riascos. Mesmo assim (e mesmo com dez em campo), o Vasco manteve o foco e só aguardou o apito final para comemorar a classificação para a fase seguinte. E tudo isso jogando um futebol leve, organizado e bastante dinâmico

Vasco e Universidad de Concepción passaram a jogar no 4-4-1 depois das expulsões de Erazo e Ronald de la Fuente. Mas as mexidas de Zé Ricardo foram melhores do que as de Francisco Bozán e deixaram o time sempre mais próximo de marcar o terceiro do que levar o primeiro da equipe chilena. Paulinho e Andrés Ríos foram fundamentais nos contra-ataques.

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A Universidad de Concepción mostrou uma fragilidade muito grande para quem prometia lutar muito por uma vaga na fase de grupos da Libertadores da América. Claro que isso não tira os (muitos) méritos do Vasco nas duas partidas contra a equipe chilena. No entanto, apesar das boas atuações, fica a preocupação por conta de dois aspectos. O primeiro deles está na zaga. Erazo já é conhecido por ser sujeito a chuvas e trovoadas e Ricardo Graça ainda é jovem e sentiu o peso da estreia na semana passada. Ao mesmo tempo, o time ainda se ressente de um meia de criação mais experiente. Evander tem muita qualidade, mas ainda peca pela irregularidade. Não é raro perceber que o camisa dez costuma “sumir” em determinados momentos da partida. Mesmo tendo feito a diferença na partida realizada em Concepción. E Zé Ricardo sabe que pode tirar muita coisa do jogador. Ainda mais com ele jogando mais perto da área adversária. Onde mostrou que rende muito mais.

Faltam apenas duas partidas para o Vasco chegar na fase de grupos da Libertadores da América. Do início da temporada até aqui, é inegável que o time apresentou uma evolução tática bastante interessante. E nem mesmo as derrotas para Bangu e Cabofriense na Taça Guanabara abalaram o elenco. Principalmente Zé Ricardo, que compreendeu as lições das duas partidas e conseguiu tirar o melhor de cada jogador na competição que realmente interessa para torcedores e diretoria cruzmaltina. Já se sabe que o próximo adversário virá da Bolívia e que tem mais qualidade do que a Universidad de Concepción. Independente de quem será (ou o Oriente Petrolero ou o Jorge Wilstermann), é certo que toda essa evolução técnica e tática do Vasco na temporada será colocada a prova mais uma vez.