Perfil no Instagram cria #MuraldaVergonhaGamer para denunciar casos de assédio contra jogadoras

Presente na sociedade desde os seus primórdios, o machismo é um dos grandes problemas do mundo moderno. Nos últimos anos, com a expansão da internet, ele chegou a outro ambiente, o dos games.

Douglas Albino
Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Reprodução

Com o surgimento cada vez maior das ‘mulheres gamers‘, as chamadas gamegirls, se tornaram comuns os casos de assédio neste meio. Recentemente, os pesquisadores Jesse Fox e Wai Yen Tang, da Universidade Estadual de Ohio, desenvolveram um questionário digital para que as jogadoras pudessem contar um pouco das suas experiências.

Os resultados foram assustadores. Das 293 gamergirls que responderam a pesquisa e afirmaram jogar pelo menos 22 horas semanais, todas relataram já ter sofrido assédio durante a ‘jogatina’ online. Segundo os autores deste estudo, tanto homens quanto mulheres são alvos de ofensas no ambiente dos games. Porém, entre as garotas, os insultos carregam, geralmente, um tom mais pesado, de linguajar chulo.

Perfil no Instagram busca denunciar casos de assédio sofridos pelas gamers

Diante deste cenário preocupante, surgiu o Point and Shame Gamegirls, algo como ”O mural da vergonha das gamegirls”. Trata-se de um perfil no Instagram que busca denunciar casos de assédio sofridos pelas jogadoras. Com o intuito de expor e banir aqueles que cometeram as ofensas.

O Torcedores.com entrou em contato com a administradora do perfil, que preferiu não se identificar, mas aceitou atender a nossa reportagem. A gamer de 29 anos explica um pouco do funcionamento do Point and Shame Gamegirls. ”As empresas ainda deixam a desejar no questão da punição. Esse tipo de comportamento deve ser erradicado com punições mais severas. O Point and Shame Gamergirls funcionará como um ‘mural da vergonha’, onde os players possam se ajudar denunciando em massa. Pois só assim, com várias denúncias, alguma atitude é tomada”, disse.

O perfil foi criado no início de fevereiro e ainda conta com um número modesto de seguidores. Porém, possui uma causa nobre, que tenta ressaltar os aspectos positivos da interação virtual. ”Ninguém deveria ser obrigado a se isolar, bloquear chat para ser respeitado. O contato ingame também gera coisas boas, como novas amizades. Ninguém deveria ter que se privar disso”, conta a administradora, que também relata já ter sofrido assédio enquanto jogava.

”Jogo online desde os meus 15 anos. Então, sim [já sofreu assédio], várias vezes, e continua acontecendo. Até os 19, 20 anos, eu usava nick [perfil] masculino. Mas quando descobriam por algum deslize meu, ai já sabe né. Com o aumento das meninas nos games me senti um pouco mais confortável e passei a usar nick feminino. A partir daí a situação piorou. Mas cansei de me esconder”, explicou.

Para a administradora, falta seriedade das empresas neste tipo de caso. ”Seria necessário uma ferramenta de denúncia mais eficiente. Que as empresas se preocupassem de fato com o que acontece e investigassem mais a fundo cada denúncia. Qualquer tipo de preconceito deveria ser tratado com mais seriedade. A única forma de melhorar no futuro é investindo na geração atual. Nosso problema de educação vai além dos games, isso eles [as empresas] não podem controlar”, concluiu.

Caso tenha interesse em acompanhar o trabalho do Point and Shame Gamegirls, clique aqui e você será direcionado para o perfil do Instagram. Vale ressaltar que, para denunciar o seu caso, basta entrar em contato pelo Direct Message.

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