Raio-x do River: veja os pontos fortes e pontos fracos do rival do Flamengo na Libertadores

Nesta quarta-feira, às 21h45, o Flamengo recebe o River Plate no Estádio Nilton Santos na estreia das duas equipes pela Copa Libertadores.

Renato Senna
Colaborador do Torcedores

Crédito: Diego Haliasz/Prensa River

Atualmente em má fase na Superliga Argentina, o River Plate é apenas o 21º na tabela, 24 pontos atrás de seu arquirrival Boca Juniors, líder da competição. É bem verdade que os Millonarios atuaram boa parte do campeonato com o time reserva, já que pouparam jogadores na reta final da Copa Libertadores no ano passado. Mesmo assim, com titulares em campo, a equipe de Marcelo Gallardo venceu apenas uma partida em cinco disputadas. E a vitória veio sobre o vice-lanterna Olimpo.

O Torcedores.com fez um raio-x com uma análise de como joga o River Plate e quais os seus principais pontos fortes e pontos fracos da equipe. Confira abaixo:

Como joga o River Plate

Teoricamente, o time titular do River é escalado num 4-4-2 tradicional no papel, mas que varia muito de acordo com as situações de jogo. A começar nas pontas. Pity Martínez e Nacho Fernández, ambos canhotos, têm grande tendência em jogar cortando para dentro. Naturalmente, os dois acabam caindo mais pelo lado direito. Pity tem a característica de arriscar mais chutes e de longa distância, tanto é que ele é o oitavo jogador da Superliga Argentina que mais chuta de fora da área. Já Nacho é mais cerebral e organizador de jogo. Os dois acabam trocando muito de lado durante o jogo.

Outro jogador que tem posicionamento variável de acordo com a situação de jogo é Leonardo Ponzio. Primeiro volante, ele geralmente é o mais recuado da linha de quatro, quebrando um pouco a linha para trás na marcação. Além disso, na saída de bola muitas vezes ele encosta nos zagueiros para fazer a linha de três. Os atacantes também flutuam mais na frente. Em vez de ficarem muito fixos, eles buscam muitos deslocamentos em diagonal, como será melhor observado mais adiante.

Esquema tático do time ideal do River Plate

Porém, para a partida desta quarta-feira, Marcelo Gallardo tem dois problemas. Os dois meias abertos não podem atuar. Pity por causa de uma lesão no pé e Nacho cumpre suspensão pela expulsão diante do Lanús, na semifinal da Libertadores do ano passado. Além dos dois, o treinador não está muito satisfeito com o rendimento de Scocco e Pratto juntos no comando do ataque, segundo o diário Olé. Rodrigo Mora pode entrar para dar maior velocidade e jogo pelas pontas. No meio, a tendência é que o volante Zuculini e o meia Juan Quintero sejam escalados. Assim, os argentinos passariam de um 4-4-2 para um 4-3-1-2, podendo até alternar para um 4-3-3, com o canhoto Quintero caindo pela esquerda e o destro Mora pela direita no ataque.

Como poderia jogar o River Plate contra o Flamengo na estreia na Libertadores

A equipe de Gallardo joga muito com a posse da bola. Com 57,2% de média de posse, o River é o time que mais tem a posse de bola na Superliga Argentina. É o segundo que troca mais passes493 por jogo – e o terceiro com melhor eficiência nos passes – 79,8% de índice de acerto – e também a terceira que mais chuta a gol – 14,4 chutes por jogo– na competição.

Pontos Fracos

Falta de pontaria

Nos jogos de 2018, tem faltado muta pontaria aos jogadores do River. As estatísticas de finalização estiveram bem aquém do que a equipe vinha desempenhando. Nos cinco jogos desse ano, foram 69 finalizações, sendo apenas 15 no alvo, ou seja um aproveitamento de apenas 22%. E apenas quatro delas se concretizaram em gols. Ou seja, no atual momento, o time precisa de 17 finalizações para marcar um gol. Nos 12 jogos anteriores, os comandados de Gallardo tinham um aproveitamento de 38% e precisavam de 9 finalizações para marcar. Em várias ocasiões, os atletas do Millonarios perderam gols fáceis para um jogador profissional, como Lucas Pratto sem goleiro e na pequena área contra o Olimpo.

Falta de sintonia entre defesa e meio de campo

Como se pode ver no exemplo abaixo, o River Plate é um time que joga com a linha defesa bastante alta. Os zagueiros muitas vezes atuam quase na linha do meio de campo. Contra o Lanús, em momentos da partida, os Millonarios chegaram a ter os dez jogadores de linha no campo de ataque.

Os zagueiros Pinola e Martínez Quarta estão à frente do meio de campo, com o volante Ponzio fazendo um terceiro zagueiro e os laterais bem abertos e avançados

O problema é que quando o River perde a bola essa recuperação não é rápida. Ou melhor, não é sincronizada o bastante. Muitas vezes, a linha de defesa volta mais rápido que a linha do meio, criando-se um espaço livre entre as duas linhas, num setor perigoso, justamente o da armação. Assim, a equipe de Gallardo se torna um time bastante suscetível a sofrer contra-ataques e a gerar espaços nas costas dos laterais.

No vídeo abaixo, podemos ver, no primeiro lance o gol sofrido pelo River nesta mesma partida contra o Lanús. Quando Pity Martínez erra a inversão de jogo, Pinola e Martínez quarta recuam, enquanto Ponzio avança para dar o bote. O recuo dos zagueiros faz com que o atacante Germán Denis tenha mais espaço para jogar, já que eles trazem a linha do impedimento para mais perto de seu gol, enquanto o avanço de Ponzio cria um enorme espaço para a infiltração de outros dois jogadores do Lanús.

Espaço criado entre a linha de defesa e a linha do meio pelo recuo excessivo dos zagueiros do River

Enquanto o jogo se desenvolve pelo meio e os defensores tentam fechar o setor, o ponta Lautaro Acosta (o jogador do Lanús mais abaixo na imagem) passa como um raio pelo lado esquerdo do ataque, aproveitando-se do posicionamento extremamente avançado do lateral. A bola chega até ele, que finaliza, e, no rebote de Armani, o outro ponta Alejandro Silva chega para concluir, vindo nas costas de onde deveria estar Saracchi.

Algumas vezes, a falha acaba sendo pelo recuo excessivo de Ponzio, que se posta na linha de defesa entre os dois zagueiros, deixando um buraco no espaço entrelinhas da equipe argentina.

Ponzio recua entre os zagueiros e abre espaço entre as linhas de defesa e meio para o meia Gastón Lodico girar e pensar

No exemplo acima, também contra o Lanús, o River se defende praticamente com uma linha de cinco atrás e uma linha de três no meio. Porém, Gastón Lodico recebe a bola sozinho entre as duas linhas e tem a oportunidade de girar e escolher a jogada que vai fazer, sem ser incomodado por nenhum dos jogadores dos Millonarios. Ele escolhe a jogada errada e o River se salva de sofrer o segundo gol. Mas, no vídeo abaixo, podemos ver como o recuo excessivo da linha do meio de campo permitiu que Lucas Robertone ficasse sozinho na marca do pênalti para marcar o gol da vitória do Vélez no último sábado.

A terceira consequência desse posicionamento defensivo da equipe hermana são as enfiadas de bola por cima, nas costas da defesa. O espaço deixado na frente da área dá tempo para o meia pensar o jogo e observar a movimentação dos seus companheiros. Com isso, a entradas em diagonal dos atacante ou pontas por trás da defesa são fundamentais.

E o Flamengo já tem usado esse tipo de jogada. Além de algumas enfiadas de bola para Henrique Dourado na última quarta-feira contra o Madureira, o exemplo mais evidente dessa movimentação é o gol de Vinícius Jr. na final da Taça Guanabara, contra o Boavista.

Um dos caminhos da vitória para o rubro-negro pode ser usar as infiltrações de Diego e Paquetá por aquele setor, tentando explorar esse espaço deixado entre as linhas do time argentino. Especialmente se Diego voltar a ser aquele jogador que foi decisivo em boa parte de sua passagem pelo Flamengo, tentando a tabela com Henrique Dourado para entrar na área e finalizar. Outro jogador que pode ser fundamental é o ponta esquerda Éverton, nas puxadas de contra-ataque nas costas dos laterais argentinos.

Pontos Fortes

Bolas Paradas

O River Plate tem como uma das principais armas a bola parada. Tanto a direta quanto os cruzamentos para a área. Nas batidas diretas, dois jogadores se destacam: Nacho Scocco, com o pé direito, e Pity Martínez, com a canhota. Na vitória contra o Olimpo, Scocco marcou o primeiro gol do jogo em uma cobrança de falta magistral. Além disso, apesar de não ter marcado nenhum gol de escanteio na Superliga Argentina, a chegada de Juan Quintero é uma excelente ajuda no quesito. Contra o Vélez, o colombiano meteu algumas bolas fechadas na área com muito veneno e que, por pouco, não terminaram no gol de empate dos Millonarios.

Passes verticais e jogadas com pivô

O River Plate é uma equipe que abusa dos passes verticais. O jogadores do time argentino sempre estão procurando uma brecha para achar uma passe que quebre as linhas de marcação do rival. Assim, as movimentações em diagonal da galera da frente são fundamentais. E quem tem papel chave nisso são os atacantes. Tanto Lucas Pratto quanto Nacho Scocco costumam trabalhar muito como pivôs. Além de voltar para receber a bola e tabelar com quem chega de trás, eles também buscam as diagonais no ataque, geralmente na direção de dentro para fora da área. Foi assim que nasceram alguns dos poucos gols marcados pelo Millonario neste ano.

LEIA MAIS
River Plate não vence como visitante há oito jogos
Alex e Pet analisam grupo do Flamengo: “Tem que assumir que é o maior time da América”
Libertadores: Confira 20 jogadores estrangeiros para ficar de olho
Libertadores: veja 12 promessas para ficar de olho em 2018