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Túnel do tempo: como Tite conquistou ex-zagueiro do Grêmio na primeira conversa

Tite ainda nem tinha cabelos brancos quando, em meados de 2001, foi recepcionar sua nova contratação no Grêmio no vestiário do velho estádio Olímpico. Se de lá para cá o currículo do treinador mudou, e tantos e tantos títulos foram empilhados ao Gauchão de 2000 vencido com o Caxias, a essência e a preocupação com a gestão de pessoas seguiram as mesmas. Que o diga o ex-zagueiro gremista Claudiomiro Santiago, até hoje grato às primeiras palavras trocadas com o treinador.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ao deixar o Santos, o zagueiro foi procurado pelo Grêmio e não demorou a acertar o contrato. Antes, já havia defendido o Coritiba. Mas nem no Paraná e muito menos no litoral paulista ele havia se deparado, enquanto jogador, ao que Tite lhe apresentou. Claudiomiro sequer havia botado as chuteiras para fazer o primeiro treino, e o técnico atribuiu uma tarefa prioritária para além do gramado. Orientou o seu jogador a estar em uma sessão com a psicóloga do clube, porque queria ter em mãos o perfil mental do atleta para saber como orientá-lo. Esta prática, lá atrás, já era comum no trabalho de Tite. Mas Claudiomiro, claro, ficou surpreso.

“Eu cheguei, fiz os exames de rotina, assinei o contrato e dei a coletiva. Aí ele chegou em mim e perguntou: “Tu já assinou?”. E eu: “Sim, professor”. E aí ele me surpreendeu: “Amanhã o treino é 15h30, mas chega perto das 14h que a psicóloga vai estar te esperando”. Eu não entendi nada. Nunca tinha visto aquilo no futebol, mesmo tendo jogado no Santos e no Coritiba. Claro que hoje é mais comum, mas na época não existia isso. Depois, conversando com ela, entendi que o objetivo do Tite era ter em mãos um perfil de cada atleta do Grêmio. Ele queria saber como deveria lidar individualmente com cada um. Só nisso ele já foi muito diferente”, revelou o ex-jogador em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Só por essa curta troca de palavras Tite, há mais de 16 anos, ganhava um jogador. Claudiomiro se deu conta, ali, que seria treinado nos anos seguintes por alguém “diferenciado”. A prova foi dada com mais consistência quando o zagueiro lesionou o metatarso e teve de ficar fora durante um bom tempo, também em 2001. Mesmo de “molho”, ele nunca deixou de ser acompanhado por Tite.

“O homem já era diferenciado (risos). E eu notei isso logo de cara, nos meus primeiros dias de Grêmio. Eu cheguei em 2001, mas joguei pouco porque quebrei o metatarso, operei, mas ele nunca deixou de falar comigo ou com aqueles que não estavam jogando. Conversava, dialogava, ele sabia lidar com o grupo. Então eu fico muito feliz por tudo o que ele está vivendo hoje. Lá atrás ele mostrou que poderia chegar e que merece muito”.

No Grêmio, Tite foi um dos principais responsáveis pelo título da Copa do Brasil de 2001. No ano seguinte, bateu na trave na Libertadores naquela emblemática semifinal definida nos pênaltis contra o Olímpia. Desgastado, deixou o tricolor na metade de 2003. Mais de uma década depois, ele estará na casamata do Brasil buscando o hexacampeonato mundial a partir de junho, na Rússia.

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